DECEA avança na modernização da vigilância aérea com expansão do ADS-B no Brasil, em 22.01.26
Em nota no dia 21, o DECEA divulgou que está consolidando passos significativos na modernização da infraestrutura de vigilância no Brasil. A implementação da tecnologia ADS-B (Automatic Dependent Surveillance Broadcast – Sistema de Vigilância Dependente Automática via Radiodifusão) atingiu um estágio de maturação técnica, com etapas importantes já concluídas em regiões estratégicas do país.
O projeto oferece uma alternativa de baixo custo e alta precisão para a vigilância aérea.
Um dos principais vetores para a adoção do ADS-B é a eficiência econômica. A comparação com os custos inerentes aos radares tradicionais revela uma diferença expressiva: o custo de aquisição dos equipamentos ADS-B representa apenas uma fração do investimento necessário para uma estação radar.
Além do capital inicial reduzido, a manutenção do sistema apresenta vantagens logísticas. Radares possuem partes mecânicas móveis e componentes de alta potência que exigem manutenções preventivas e corretivas complexas e onerosas. Em contrapartida, as estações ADS-B são equipamentos de estado sólido, com menor demanda de intervenção técnica.
O DECEA, no entanto, mantém a premissa de que os sistemas não substituirão integralmente os radares. A estratégia é a complementaridade, garantindo redundância e segurança.
Cronograma de Implantação
O cronograma de implementação do ADS-B do DECEA encontra-se em fase avançada.
As instalações físicas referentes às Fases 1, 2 e 3, que cobrem as áreas das Regiões de Informação de Vôo (FIR – Flight Information Region) de Recife (SBRE), Curitiba (SBCW) e Brasília (SBBS), respectivamente, já foram finalizadas.
A atenção e foco agora se volta para o norte do país. A Fase 4, que abrange a Região de Informação de Vôo (FIR) Amazônica (SBAZ), iniciou em 2025, com previsão de conclusão para este ano. A expectativa é que a instalação física em todo o território nacional esteja concluída até junho de 2026.
A operação do ADS-B no território nacional segue uma arquitetura descentralizada. A infraestrutura de solo é composta por antenas de recepção instaladas estrategicamente nos Destacamentos de Controle do Espaço Aéreo (DTCEA) e nas Estações de Apoio ao Controle do Espaço Aéreo (EACEA). Essas unidades, alocadas em todo o território nacional, abrigam o hardware inicial: uma unidade de tratamento de dados e um computador local de configuração.
A aeronave, equipada com sistemas de navegação por satélite, transmite a posição, a velocidade e outros dados de voo a estas antenas. As informações seguem então para os Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA), onde um equipamento denominado CPMS (Central Processing and Monitoring System – Sistema de Monitoramento e Processamento Central) recebe os sinais e os encaminha para a plataforma SAGITARIO – Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatório de Interesse Operacional. É nesta etapa que os dados brutos se transformam em realidade nas telas dos controladores de tráfego aéreo, permitindo o monitoramento do tráfego com taxas de atualização superiores às do radar convencional.
A tecnologia ADS-B é um habilitador essencial para o conceito PBCS (Performance-based Communication and Surveillance – Performance baseada em Comunicação e Vigilância). Embora o ADS-B por si só não gere economia direta de combustível, ele fornece a precisão necessária para que as aeronaves possam voar rotas mais eficientes com menor separação, mantendo os níveis de segurança.
A integração dos dados ADS-B com os dados radar no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) é outro passo evolutivo. Atualmente, os sinais ainda não são fundidos para apresentação única, sendo objeto de evolução para as fases futuras de operacionalização total.
Ainda assim, não se trata de uma corrida para substituir o radar, considerado ainda o meio mais robusto e confiável pela comunidade internacional, mas de agregar uma camada tecnológica que oferece precisão e cobertura a um custo mais racional. O investimento, realizado integralmente com recursos da Força Aérea Brasileira (FAB) através do DECEA, reafirma o compromisso do país com a segurança e a modernidade da navegação aérea no continente.
