Jatos executivos cabine larga de longo alcance visam o mercado da Ásia-Pacífico, disputado pelas fabricantes Gulfstream, Dassault e Bombardier, em 01.02.26
Em post no dia 28 na plataforma online da AIN, na eminência da feira aeronáutica do sudeste asiático Singapore Air Show (que acontecerá entre os dias 03 e 08 de fevereiro, em Cingapura), o editor-chefe da mídia Charles Alcock repercutiu o atual momento da aviação executiva da região Ásia-Pacífico (APAC).
Alcock aponta que o crescimento econômico e a necessidade de viagens intercontinentais flexíveis tornaram a região Ásia-Pacífico um mercado privilegiado para a nova geração de jatos executivos de cabine larga (com espaço interno espaçoso) e de longo. O mais recente modelo da indústria em operação, o Gulfstream G800, além do Bombardier Global 8000 (uma versão aprimorada sucessora do Global 7500), agora estão por enfrentar a concorrência de uma nova adição à Família Falcon da Dassault, o 10X, cujo projeto ora está em desenvolvimento. Os concorrentes do nicho superior da aviação executiva têm preços entre US$ 71 milhões e US$ 81 milhões, com muitas variáveis, incluindo opções de interior da cabine.
A Gulfstream entregou o primeiro exemplar do G800 em agosto passado, oferecendo aos clientes um alcance de 8.200 MN a uma velocidade de cruzeiro de longo alcance de MACH 0,85, ou uma velocidade ainda maior de MACH 0,90 em setores de até 7.000 MN. O novo modelo substituiu o G650/650ER e integra uma linha de produtos que já inclui o G700, com alcance de 7.750 MN, além dos modelos de nova geração G600, G500, G400 e o recém-lançado jato médio G300 (uma versão evolúida do G280).
“Estamos observando grande interesse e demanda pelos modelos G700 e G800 na região da Ásia-Pacífico. Segurança, velocidade e alcance estão entre os principais atributos de desempenho para os clientes na Ásia-Pacífico, e a Gulfstream lidera o setor nesse segmento há mais de uma década”, disse Scott Neal, vice-presidente sênior de vendas globais da Gulfstream, para a AIN.
A fabricante de aeronaves americana agora possui quase 330 jatos baseados numa vasta região da Ásia, incluindo China, Sudeste Asiático, Índia e mais, Oceania. Segundo a Gulfstream, a combinação de alcance, velocidade e cabine espaçosa que podem acomodar até 19 passageiros em diversas configurações tem se mostrado atraente para clientes que precisam de conexões globais sem escalas a partir de centros de negócios como Cingapura e Hong Kong.
De acordo com Neal, o G650, anunciado em 2008, foi fundamental para o desenvolvimento do mercado de aviação executiva na região Ásia-Pacífico. Neal afirmou que a segurança e o desempenho oferecidos pela nova geração de Gulfstreams, combinados com as opções de experiência de cabine da fabricante, proporcionam aos “operadores na Ásia a oportunidade de selecionar uma aeronave, ou uma frota, que seja precisamente adaptada às suas necessidades de missão”.
A Dassault pretende obter a certificação Tipo e a entrada em serviço do Falcon 10X, com alcance de 7.500 MN, em 2027.
De acordo com Carlos Brana, vice-presidente executivo de aeronaves civis da Dassault, os compradores asiáticos e APAC valorizam muito a tecnologia de ponta e altos níveis de conforto. A fabricante francesa tem observado uma forte demanda por seus jatos Falcon, impulsionada pelo aumento da riqueza em toda a região, atraindo novos clientes em países como a Índia, que passa por rápida industrialização e onde entregou seu primeiro jato “6X” no ano passado, além das Filipinas, Indonésia, Vietnã e Tailândia.
“O nível de modernização neste mercado é impressionante, com alta prioridade para a atividade de exportação”, disse Brana. Na perspectiva de Brana, o alcance prometido para o 10X de 7.500 MN será atraente para os clientes da região Ásia-Pacífico, que, segundo ele, também precisam da flexibilidade que as aeronaves executivas oferecem em uma região onde as redes de companhias aéreas regulares não atendem adequadamente a todos os destinos, como as diversas ilhas das Filipinas e da Indonésia.
Em Bordeaux (França), a fabricante francesa está preparando protótipos do “10X” para um programa de testes de vôo previsto para começar no início deste ano. A meta é obter a certificação Tipo e entrar em serviço em 2027.
Antes vista por executivos de vendas de jatos executivos como uma importante oportunidade de crescimento devido ao tamanho de sua população, a China tem experimentado condições de mercado relativamente estáveis nos últimos anos. Diversos fatores, incluindo a recuperação da pandemia de Covid-19 e a pressão política sobre indivíduos de alto patrimônio líquido, têm inibido a demanda.
Apesar disso, na Dassault, Brana não desistiu da República Popular da China, onde ele vê os setores dinâmicos de automóveis e eletrônicos impulsionando a demanda por aeronaves executivas. Além do “10X”, a Dassault oferece o Falcon 6X (com alcance de 5.500 MN), modelo de nova geração, e o trimotor Falcon 8X (com alcance de 6.400 MN), que não está sujeito às restrições de operação com dois motores em vôos sobre oceanos (ETOPS).
“O 10X será um divisor de águas, não apenas pelo seu alcance, mas também em termos de cabine e tecnologia, e não apenas na região Ásia-Pacífico, mas também em regiões como a América Latina. Conectividade e economia de tempo são fatores-chave”, disse Brana.
No dia 08 de dezembro, a Bombardier entregou a cliente o primeiro jato Global 8000, que, como a designação sugere, podem voar até 8.000 MN. O modelo também reivindica o título de aeronave civil em serviço mais rápida, com velocidade máxima de MACH 0,95 (embora com alcance reduzido). Segundo a fabricante canadense, a velocidade máxima pode reduzir em cerca de 7% o tempo de vôo em rotas intercontinentais populares, como Nova York-Londres.
De acordo com a fabricante canadense, o design avançado da asa do novo Global, com eficientes slats, proporciona um desempenho de decolagem e pouso comparável ao de um jato leve. Isso permite que a aeronave acesse aeroportos menores na região da Ásia-Pacífico e em outras partes do mundo.
Com passageiros podendo voar por até 17 horas nos novos jatos executivos de ultralongo alcance, o conforto da cabine é um dos principais itens oferecidos para os jatos Gulfstream G800, e Bombardier Global 8000, além do Dassault Falcon 10X, futuramente. As equipes de design de interiores das três fabricantes podem oferecer uma variedade de layouts que podem incluir beliches para 10 ou mais passageiros, um quarto privativo, espaço para refeições, chuveiros e áreas de descanso para a tripulação.
O suporte ao produto é outro fator crucial para os fabricantes que defendem a idéia de que clientes da região Ásia-Pacífico devem investir em jatos executivos fabricados do outro lado do mundo. A robustez das cadeias de suprimentos e dos centros de serviço autorizados pode fazer toda a diferença entre ter a aeronave disponível quando necessário e ficar na dúvida se não seria melhor optar pelas companhias aéreas da região.
Para a Gulfstream, sua empresa-coligada (na General Dynamics) Jet Aviation é uma peça fundamental na equação de suporte, com instalações bem equipadas em Cingapura e Hong Kong para atender seus clientes, além de nove centros de garantia autorizados na região. “Continuamos investindo; no último ano, mais que dobramos o estoque de peças de reposição na Ásia-Pacífico e avaliamos continuamente as necessidades dos clientes na região para identificar novas oportunidades de crescimento”, explicou Neal.
A subsidiária da Dassault ExecuJet MRO Services está na vanguarda de sua infraestrutura de suporte ao produto. No ano passado, a ExecuJet MRO inaugurou uma unidade ampliada na capital da Malásia, Kuala Lumpur, e sua rede na Ásia-Pacífico também se estende à Austrália. [EL] – c/ fonte
