A resiliência da aviação executiva é suficiente para os desafios de guerra? – por Charles Alcock, editor da AIN
Em post no dia 06 na plataforma online da AIN – intitulado “Is bizav resilience enough for war Challenges?” (resiliência da aviação executiva é suficiente para os desafios da guerra? -, o chefe editorial da mídia Charles Alcock repercutiu a capacidade de reação da aviação executiva a perturbações e distúrbios por efeito do conflito entre EUA e Israel contra o Irã, afetando por completo a operação de vôos no Oriente Médio.
Alcok escreveu que a aviação executiva se orgulha de ser resiliente e adaptável na mesma medida, mas as consequências do ataque lançado contra o Irã há uma semana por Israel e pelo EUA estão agora testando severamente esses atributos. Enquanto corretores e operadores de vôos fretados se esforçam para evacuar uma pequena minoria dos milhares de expatriados retidos nos Estados (países) do Golfo sob ataque de mísseis e drones iranianos, os líderes do setor estão ponderando sobre a duração e a profundidade do impacto do conflito.
Durante uma reunião informativa realizada no dia 05 (quinta) pelo grupo de segurança International SOS, Hany Bakr, vice-presidente sênior para os setores de aviação e marítimo da divisão (para transporte aeromédico) MedAire do grupo alertou que o acúmulo de pessoas e aeronaves deslocadas pode levar meses para ser resolvido, e isso considerando o fim das hostilidades. As autoridades da região parecem estar priorizando as principais companhias aéreas de seus países ao conceder acesso aos limitados corredores aéreos que foram parcialmente abertos através de Omã e Arábia Saudita.
Ao mesmo tempo, o raio de guerra agora se estende para oeste até a Turquia, onde as forças da OTAN abateram pelo menos um drone iraniano. No flanco norte, o terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Nakhchivan, no sul do Azerbaijão, foi danificado por um drone, aumentando a possibilidade de um contra-ataque da ex-república soviética.
Dados da provedora de tecnologia da dados por rastreamento de vôos WingX divulgados no dia 05 (quinta) mostram tanto o fluxo de jatos executivos para fora da zona de combate quanto a extensão em que muitos outros ainda estão retidos lá. Os FBOs (Operadores de serviços de suporte em aeroportos com Base Fixa) nos países do Golfo – incluindo os Emirados Árabes Unidos e o Catar – permanecem abertos, mas têm servido principalmente como estacionamento/parqueamento de aeronaves enquanto seus clientes ponderam os próximos passos em uma região que, até então, havia apresentado forte crescimento na aviação executiva.
A equipe da International SOS relatou que o espaço aéreo no Catar, Kuwait, Iraque, Israel e Irã permanece fechado, enquanto restrições significativas de rotas se aplicam na Arábia Saudita, no Emirados Árabes Unidos, em Omã, na Síria e, agora, no Azerbaijão. Com o Líbano sob ataque das forças israelenses, os corredores aéreos podem ser ainda mais restringidos, mesmo com governos europeus enviando navios de guerra e caças para o Mediterrâneo Oriental para funções descritas como defensivas.
Os operadores acataram os alertas?
Alcok explorou que tudo isso levanta a questão se o setor de aviação em geral previu adequadamente os níveis de perturbação que lembram o período posterior aos ataques terroristas de 11 de setembro (em 2001, no EUA). Os operadores que acompanham as recomendações de especialistas em segurança deveriam ter percebido a ‘tempestade’ iminente com várias semanas de antecedência, permitindo tempo para avaliações de risco e implementação de medidas de mitigação.
Alcok observou que a provedora de planejamento e segurança de operações Osprey Flight Solutions elevou seu alerta de risco para a região do Oriente Médio, avisando sobre possíveis ataques militares contra o Irã iminentes 36 horas antes de seu início, em 28 de fevereiro. Mais de uma semana antes, a Dyami Security Intelligence havia alertado seus clientes para se prepararem para uma significativa perturbação decorrente de um conflito que, em sua opinião, estava prestes a eclodir.
Alcok entende que a duração da guerra e as circunstâncias de seu término certamente terão grande influência no futuro da região do Golfo como um centro de tráfego aéreo. Só o tempo dirá se locais como Dubai conseguirão reconstruir a reputação de refúgio seguro que impulsionou tanto o crescimento exponencial das companhias aéreas quanto a crescente demanda por aviação privada, em um oásis para a riqueza pessoal.
Enquanto isso, o preço do querosene de aviação (JET-A) está disparando, acompanhando a alta dos preços do petróleo bruto, que se aproximam de US$ 90 o barril. Analistas do setor de energia alertaram que essa trajetória só tende a continuar subindo devido a restrições de mercado, como o fechamento do Estreito de Ormuz, que liga o Golfo ao Mar Arábico.
Mas as imagens de indivíduos de alto poder aquisitivo fugindo dos destroços de mísseis podem permanecer na memória por mais tempo do que o custo de reabastecer jatos executivos retidos. Mesmo assim, as viagens de SUV reservadas às pressas pelo deserto até a Arábia Saudita certamente pareceram uma opção melhor do que seguir as recomendações do Departamento de Estado do EUA, que levou cerca de 48 horas após o início do conflito para aconselhar os viajantes americanos a reservar voos comerciais regulares que já não estavam disponíveis.
Na noite de quinta-feira (05), um vôo fretado pelo governo francês, enviado para resgatar cidadãos franceses do Emirados Árabes Unidos, teve que ser desviado e retornar à França após relatos de ataques com mísseis na região. Segundo Dyami, o governo francês determinou que os vôos de repatriação só serão retomados quando as condições de segurança puderem ser garantidas. No entanto, Muskat, capital de Omã, continua sendo usada como base para vôos de evacuação privados.
Diversos outros governos estão agora enfrentando as limitações de sua capacidade de resgatar seus cidadãos de zonas de guerra.
Alcok finaliza seu post com seu ponto de vista que não há dúvida de que o setor de fretamento de aeronaves privadas está se mostrando à altura da situação, servindo como o principal meio para organizar muitos dos vôos de evacuação, mas as lições da última semana provavelmente farão com que os gestores de risco corporativo repensem suas estratégias. [EL] – c/ fonte
