Consultora britânica IBA projeta 884 entregas de jatos executivos no mercado em 2026, com alta de 6,5%, em 09.03.26


No dia 09, a IBA, empresa britânica líder em inteligência e consultoria para o setor de aviação, divulgou suas projeções para o mercado de jatos executivos.

Para o ano de 2026, a IBA prevê a entrega de 884 jatos executivos – um aumento de 6,5% (54 unidades) em relação às entregas registradas 2025 –, sinalizando uma flexibilização gradual das restrições de oferta, mas com uma demanda ainda apertada devido à capacidade de produção e acabamento.

A previsão surge após um ano de 2025 sólido, com um total de 830 jatos executivos entregues (uma alta de 108 unidades, 15%, sobre 2024), próximo da previsão da IBA para 2025 de 820 entregas (uma diferença de 10 unidades, ou -1,2%). Em 2024, foram entregues 722 jatos (uma queda de 115 unidades, ou 13,7%, sobre 2023, quando foram entregues 837 jatos).

De acordo com a IBA, o desempenho de entregas em 2025 demonstra que, embora a demanda tenha permanecido resiliente, o ritmo de entregas foi ditado pelo desempenho da cadeia de suprimentos e pela capacidade de acabamento, e não por uma carteira de encomendas fraca.

Source: IBA research and analysis, GAMA, JetNet

Em 2026, a IBA prevê que o crescimento da demanda por jatos executivos se distribua por todos os segmentos. As entregas devem atingir:
– 108 aeronaves no segmento de jatos muito leve-VLJ – 12,2% do total,
– 245 aeronaves no segmento de jatos leves e superleves – 27,7% do total,
– 192 para jatos de grande/ultralongo alcance – 21,7% do total,
– 156 entregas para jatos do segmento de jatos supermédios – 17,6% do total, e,
– 91 (10,3%) e 92 (10,4%) entregas de jatos de médio e grande porte, respectivamente, com estabilidade.

A IBA aponta que a distribuição da demanda prevista entre os diferentes segmentos reflete a utilização contínua nos mercados de fretamento e corporativo, juntamente com o interesse constante por aeronaves de longo alcance e cabine premium.

Por fabricante, a IBA prevê a seguinte distribuição:
– EMBRAER e Textron, com participação de 20% (cada uma),
– Bombardier, com participação de 19%,
– Gulfstream, com participação de 18%,
– Pilatus, com participação de 16%,
– Dassault, com participação de 5%,
– Honda, com participação de 1%.


A análise da IBA sobre o desempenho dos fabricantes de equipamentos originais (OEM) até 2025 corrobora essa perspectiva de entregas de aeronaves novas.

A Bombardier reportou um crescimento na carteira de pedidos de US$ 14,4 bilhões no quarto trimestre de 2024 (4T24) para US$ 17,5 bi no 4T25, um crescimento de 21,5% (US$ 3,1 bi), enquanto as entregas aumentaram de 146 para 157 aeronaves, um crescimento de 7,5% (11 unidades). A fabricante canadense registrou um índice book-to-bill (encomendas/faturamento) de 1,4 para o ano todo, evidenciando a sustentação do ritmo de pedidos. A demanda foi parcialmente impulsionada por operadores de frotas, incluindo NetJets, Flexjet e VistaJet, cujos compromissos com múltiplas aeronaves continuam a sustentar as linhas de produção, ao mesmo tempo que absorvem a capacidade de entrega no curto prazo.

A americana Gulfstream Aerospace teve um desempenho sólido até 2025, com a receita aumentando de US$ 11,25 bilhões no 4T2024 para US$ 13,11 bi no 4T2025, um crescimento de 16,5% (US$ 1,86 bi), enquanto as entregas aumentaram de 134 para 160 aeronaves, um crescimento de 19,4% (26 unidades), e com sua carteira de pedidos subindo de US$ 19,69 bilhões para US$ 21,83 bi, um crescimento de 10,9% (US$ 2,14 bi).

Apesar desse crescimento na demanda, a previsão de produção em todo o setor permanece moderada, refletindo a influência contínua do desempenho dos fornecedores, da capacidade de conclusão de aeronaves e da estabilidade da cadeia de suprimentos em geral nos cronogramas de entrega.
Embora a utilização de jatos executivos permaneça forte e a demanda de compradores de alto poder aquisitivo continue a sustentar os segmentos de jatos de cabine maior, a IBA prevê que as perspectivas para 2026 dependerão de quanto da carteira de pedidos existente se converterá em aeronaves entregues. As fabricantes iniciaram o ano com carteiras de encomendas sólidas, mas a capacidade de produção, o desempenho dos fornecedores e o ritmo de conclusão das aeronaves determinarão a rapidez com que esses pedidos se traduzirão em entregas. Esse ritmo influenciará, em última análise, a disponibilidade de aeronaves, os prazos de entrega e os preços nos mercados de jatos executivos novos e usados. [EL]