Na guerra EUA-Israel e Irã, especialistas em segurança alertam que uma nova onda de ataques das forças Houthi, apoiadas pelo Irã, representa um aumento significativo nos riscos para a aviação no espaço aéreo que abrange a Arábia Saudita e o Egito, em 03.04.26


Em post no dia 01 na plataforma online da AIN, o responsável de editorial da mídia Charles Alcock repercutiu que especialistas em segurança alertaram que uma nova onda de ataques das forças Houthi, apoiadas pelo Irã, representa um aumento significativo nos riscos para a aviação no espaço aéreo que abrange a Arábia Saudita e o Egito. Além disso, se os combatentes baseados no Iêmen fecharem o Estreito de Bab-el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden, isso poderá restringir ainda mais o fluxo de petróleo, de combustível e outros produtos de petróleo e gás, já afetado pelo fechamento quase completo do Estreito de Ormuz.

Na última semana, os aeroportos internacionais do Kuwait e de Bagdá (capital do Iraque) foram danificados por mísseis e drones iranianos.

O padrão imprevisível e disperso dos ataques está levando as companhias aéreas a recorrerem a rotas mais longas e a alterações de última hora nos planos de vôo, enquanto lutam para manter operações cada vez mais caras, alertaram diversos analistas de segurança em reuniões informativas nesta semana.

De acordo com a Dyami Security Intelligence, o aumento do risco para os vôos devido à ação militar dos Houthi está atualmente concentrado no espaço aéreo imediatamente adjacente ao Iêmen, onde essas forças estão baseadas. A Dyami Security Intelligence prevê potencial para a expansão da área de conflito e alertou, nesta terça-feira (31), que o envolvimento dos Houthis no conflito representa o que descreveu como “o curso de ação mais perigoso”. A Dyami Security Intelligence aconselha seus clientes a se prepararem para uma guerra de atrito prolongada, com múltiplas regiões de informação de vôo em risco devido a mísseis e drones.

“Neste momento, não se trata exatamente de um espaço aéreo aberto ou fechado; é um mosaico em que os procedimentos de contingência continuam”, disse Hany Bakr, vice-presidente sênior de segurança aeroportuária e marítima da MedAire, aos participantes de uma reunião informativa na terça-feira (31), organizada pela International SOS, empresa controladora da MedAire. “As companhias aéreas estão sendo cada vez mais direcionadas para corredores pré-aprovados que podem mudar muito rapidamente, pouco antes dos vôos ou mesmo durante o vôo”, falou Bakr.

O resultado é um aumento do adensamento – congestionamento do espaço aéreo, em que os controladores de tráfego aéreo precisam manter o distanciamento entre as aeronaves. “Há menos rotas aéreas abertas e, portanto, mais tempo de espera para as aeronaves, além de rotas mais longas, maior complexidade na resolução de conflitos entre aeronaves civis e maior consumo de combustível”, explicou Bakr. “Há menos rotas aéreas abertas e, consequentemente, mais tempo de espera para as aeronaves, além de rotas mais longas, maior complexidade na resolução de conflitos entre aeronaves civis e maior consumo de combustível”, prosseguiu Bakr.

De acordo com a Medaire, desvios de vôo entre uma e três horas são agora comuns em rotas dentro e ao redor do Golfo. As operadoras também estão lidando com o aumento das interrupções nos sinais GNSS e com tentativas intencionais de falsificação de sinal para desviar aeronaves de suas rotas.

“As cias. aéreas estão intensificando as operações com redirecionamentos e, ao mesmo tempo, o fluxo de passageiros está mudando à medida que aeroportos alternativos estão sendo utilizados”, explicou Bakr. “Não se trata de uma paralisação uniforme. É um ambiente de alto risco e desigual que exige reavaliação constante, e o planejamento de voos deve permanecer conservador”, acrescentou Baker.

Perspectiva da escalada do conflito
Polina Vynogradova, analista de segurança sênior da International SOS, afirmou durante a coletiva de imprensa que espera que o conflito na região continue e possivelmente se intensifique. Em sua opinião, um cessar-fogo nos termos propostos pelo presidente do EUA, Trump, é “improvável no curto prazo devido ao longo histórico de negociações fracassadas e desconfiança”.

Enquanto isso, as operadoras de aeronaves em mercados como a Europa e a Ásia enfrentam a perspectiva de escassez de combustível de aviação e aumento dos custos.

“O impacto atingiria primeiro as cias. aéreas regionais, com reduções de vôos e aumento de tarifas, e depois se espalharia globalmente por meio da elevação dos preços do petróleo à vista, mitigada em parte por reservas e redirecionamento de rotas, mas uma escalada agravaria a situação”, declarou a International SOS para a AIN numa resposta por escrito.

Em um briefing de segurança na quarta-feira (01), o diretor de inteligência da Osprey Flight Solutions, Matthew Borie – um especialista em inteligência operacional egresso da Força Aérea do EUA – alertou sobre os perigos potenciais das forças Houthi, que aumentam a possibilidade de seus aliados iranianos ameaçarem mais bases aéreas militares. Borie afirmou que, até o momento, os ataques a aeroportos civis têm sido de escala relativamente pequena, mas advertiu que uma maior pressão sobre as operações aéreas deve ser esperada.

De acordo com os analistas da Osprey, o Irã provavelmente possui munições de médio e curto alcance suficientes para sustentar o ritmo atual de ataques por pelo menos 90 dias (3 meses). Ao mesmo tempo, os estoques de mísseis interceptores mantidos pelos Estados do Golfo na linha de frente têm diminuído, assim como sua taxa de sucesso em bloquear ataques.

Na visão de Borie, a falta de clareza sobre como o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã poderá ser resolvido aumenta as preocupações com uma possível escalada militar.

A Osprey recomenda que seus clientes avaliem os riscos de cada vôo, elaborem planos de contingência para lidar com interferências na navegação por GNSS, avaliem opções de redirecionamento e implementem medidas de contingência para tripulantes e passageiros.

A Osprey realizará sua segunda Conferência Mundial sobre Riscos de Sobrevoo em Malta, de 20 a 22 de abril. O evento contará com debates entre líderes de companhias aéreas, seguradoras, órgãos reguladores, especialistas em inteligência e especialistas em tecnologia. [EL] – c/ fonte