Noticiário econômico para mercado de petróleo por efeito da guerra no Irã
Petróleo desaba abaixo de US$ 100 após Trump anunciar cessar-fogo de duas semanas
A reviravolta de Trump ocorreu pouco antes do fim de seu prazo para que o Irã abrisse o Estreito de Ormuz
Reuters/InfoMoney – 08/04/2026
O petróleo caiu abaixo de US$ 100 por barril nesta quarta-feira, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que concordou com um cessar-fogo de duas semanas com o Irã sujeito à reabertura imediata e segura do Estreito de Ormuz.
Os futuros do Brent caíam US$ 15,02, ou 13,8%, para US$ 94,25 o barril, enquanto o WTI recuava US$17,43, ou 15,4%, para US$ 95,52 o barril.
Os preços do diesel europeu de referência também recuavam, com queda de US$ 271,50, ou 17,8%, para US$ 1.256,25 por tonelada métrica.
A reviravolta de Trump ocorreu pouco antes do fim de seu prazo para que o Irã abrisse o Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% do petróleo do mundo, ou enfrentaria ataques generalizados à sua infraestrutura civil.
“Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!”, escreveu ele nas mídias sociais, depois de publicar mais cedo na terça-feira que “uma civilização inteira morrerá esta noite” se suas exigências não fossem atendidas.
O Irã disse que interromperá seus ataques se os ataques contra ele pararem e que o trânsito seguro pelo Estreito de Ormuz seria possível por duas semanas em coordenação com as forças armadas iranianas, de acordo com uma declaração do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi.
“Em teoria, os 10 a 13 (milhões de barris por dia) de oferta de petróleo bruto e derivados retidos atrás do Estreito deveriam agora ser liberados gradualmente”, disse Tamas Varga, analista da corretora PVM Oil. “Se o status quo anterior a março será restabelecido depende inteiramente de a trégua poder ser transformada em uma paz permanente durante as negociações no Paquistão”.
Vários países do Golfo Pérsico identificaram lançamentos de mísseis e ataques de drones ou emitiram alertas para que os civis se abrigassem.
“Mesmo com um acordo de paz, o Irã pode se sentir encorajado a ameaçar o Estreito de Ormuz com mais frequência no futuro, e o mercado precificará um risco maior para o Estreito de Ormuz daqui para frente”, disse Saul Kavonic, analista da MST Marquee.
A guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã provocou o maior aumento mensal do preço do petróleo da história em março, de mais de 50%.
Shell prevê queda no gás com guerra no Irã, mas vê alta no comércio de petróleo
Ataques a instalações no Catar e fechamento do Estreito de Ormuz reduzem produção de gás, enquanto volatilidade das commodities gera oscilação bilionária no capital de giro da petroleira
Reuters/InfoMoney – 08/04/2026
A Shell disse nesta quarta-feira que uma produção de gás mais fraca no primeiro trimestre e um impacto na liquidez de curto prazo seriam compensados em parte por um aumento na comercialização de petróleo mais forte, oferecendo um vislumbre inicial de como a guerra dos EUA e Israel contra o Irã está remodelando os lucros das principais empresas de petróleo.
O petróleo Brent, referência global, subiu para máximas de vários anos, perto de US$120 por barril, depois que os ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã começaram no final de fevereiro, seguidos pelo fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã e por ataques aos vizinhos do Golfo, incluindo a unidade de produção de gás Pearl, da Shell, no Catar, onde os reparos podem levar cerca de um ano.
A Shell disse que a volatilidade dos preços das commodities causou grandes oscilações nos valores dos estoques, levando o capital de giro — uma medida de liquidez dos ativos correntes menos os passivos — para algo entre menos US$ 10 bilhões e menos US$ 15 bilhões no trimestre.
A Shell disse que espera que as movimentações de capital de giro se revertam com o tempo se os preços do petróleo e do gás diminuírem.
Os analistas do RBC disseram que a escala da oscilação evidenciou o quanto as condições atuais do mercado se tornaram incomuns, mas acrescentaram que o balanço patrimonial da Shell deve absorver o choque.
O RBC elevou sua estimativa de lucro líquido para o primeiro trimestre da Shell em 7%, para US$ 6,8 bilhões, e espera um salto de 31% no fluxo de caixa operacional, excluindo o capital de giro, para US$ 17,1 bilhões.
Os analistas do UBS elevaram suas estimativas para o lucro líquido do primeiro trimestre em 18%, para US$ 6,9 bilhões, e em 30% para o fluxo de caixa operacional, excluindo os efeitos do capital de giro, para US$ 16,3 bilhões.
A Shell espera que os resultados comerciais de seu negócio de produtos químicos e produtos, que inclui a comercialização de petróleo, sejam significativamente mais altos do que no trimestre anterior. Os ganhos ajustados em sua divisão de marketing, incluindo postos de combustível, também devem aumentar.
No entanto, a Shell reduziu sua previsão para a produção integrada de gás no primeiro trimestre para 880.000-920.000 barris de óleo equivalente por dia, de 920.000-980.000 boed anteriormente. A produção no quarto trimestre de 2025 foi de 948.000 boed.
A perspectiva de produção de GNL da Shell ficou dentro das projeções anteriores, já que as restrições na Austrália e as interrupções no Catar foram compensadas por um aumento no GNL Canadá.
Os resultados completos do trimestre devem ser divulgados em 7 de maio.
Exxon e Shell apontam impacto na produção de petróleo e gás no 1º tri devido à guerra
Os ativos da Exxon no Catar e nos Emirados Árabes Unidos representam cerca de 20% da produção mundial da empresa
Estadão/InfoMoney – 08/04/2026
A norte-americana Exxon Mobil estima que a guerra no Irã reduziu sua produção global de petróleo e gás em 6% no primeiro trimestre, após o fechamento do Estreito de Ormuz e ataques a ativos de gás em março, enquanto a britânica Shell disse que sua produção de gás natural para o mesmo período será menor do que o esperado.
Os ativos da Exxon no Catar e nos Emirados Árabes Unidos representam cerca de 20% da produção mundial da empresa, “mas uma porcentagem menor dos ganhos upstream”, afirmou a gigante petrolífera nesta quarta-feira em uma prévia de seu balanço do primeiro trimestre, cuja divulgação está prevista para maio.
A Exxon estima um aumento nos lucros de até cerca de US$ 2,9 bilhões devido aos preços mais altos do petróleo e do gás natural, em comparação com o trimestre anterior, quando relatou lucro de US$ 6,5 bilhões.
No entanto, a empresa alertou para efeitos negativos de temporização associados ao seu programa de negociação, que devem pesar sobre os ganhos do primeiro trimestre em US$ 3,5 bilhões a US$ 4,9 bilhões. O ponto médio dessa faixa equivale a cerca de US$ 0,93 por ação. No quarto trimestre, os ganhos por ação da Exxon foram de US$ 1,53 – ou de US$ 1,71, quando excluídos determinados custos não recorrentes.
Já a Shell afirmou nesta quarta-feira que estima a produção do primeiro trimestre em seu segmento de gás integrado em cerca de 880 mil a 920 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), ante o guidance anterior de 920 mil a 980 mil boe/d.
A atualização da Shell vem após os fortes ataques à indústria de petróleo e gás no conflito, incluindo um dos ativos mais valiosos da empresa britânica – a instalação de gás para líquidos Pearl no Catar.
Trégua no Irã não deve trazer alívio imediato aos custos do setor aéreo, prevê IATA
Estadão/InfoMoney – 08/04/2026
O diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), Willie Walsh, afirmou que o cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã não deve trazer alívio imediato para o setor aéreo, especialmente no custo das passagens, diante das perturbações recentes no mercado de combustíveis.
Durante evento em Cingapura, Walsh disse que, mesmo com a eventual reabertura do Estreito de Ormuz, levará “meses” para que a oferta de querosene de aviação volte ao normal, em razão dos danos à capacidade de refino no Oriente Médio.
Segundo Walsh, a alta recente do petróleo já pressiona as companhias aéreas e tende a ser repassada aos consumidores. “Há uma correlação quase direta entre o preço do petróleo e o valor das passagens”, afirmou, acrescentando que o aumento das tarifas é “inevitável” diante do peso do combustível na estrutura de custos do setor.
Walsh ponderou que a indústria já enfrentou choques semelhantes e deve conseguir se ajustar, inclusive com redução de capacidade e gestão de preços. Ainda assim, ressaltou que o impacto de curto prazo depende da velocidade de normalização da oferta de combustíveis refinados, não apenas do petróleo bruto.
Apesar da reação inicial positiva dos mercados ao cessar-fogo, o executivo indicou que o setor aéreo continuará enfrentando pressões nos próximos meses.
O diretor-geral da IATA avaliou que o choque recente no mercado de energia expôs fragilidades estruturais na oferta de combustíveis para aviação, especialmente pela ausência de estoques estratégicos de querosene. Em evento em Cingapura, o executivo chamou atenção para o fato de que, ao contrário do petróleo bruto, países não mantêm reservas relevantes de combustível refinado. “Temos estoques estratégicos de petróleo, mas não de querosene de aviação”, afirmou, destacando que a segurança energética do setor depende cada vez mais da capacidade de refino.
Walsh também ressaltou que o impacto vai além da aviação, já que o querosene representa apenas uma parcela da produção das refinarias. “Não é só o combustível de aviação. Os outros 90% dos produtos refinados também são afetados”, disse.
Segundo Walsh, o setor ainda enfrenta um descompasso no curto prazo, já que muitas passagens foram vendidas antes da alta recente dos custos, o que limita a capacidade de repasse imediato. Nesse cenário, o ajuste tende a ocorrer de forma gradual, à medida que novas tarifas incorporam o aumento das despesas.
Walsh acrescentou que a concentração da capacidade de refino em algumas regiões ampliou a vulnerabilidade global a choques de oferta e defendeu que governos reavaliem políticas energéticas.
Para Walsh, a crise deve servir de alerta para decisões mais orientadas por dados, com foco não apenas no petróleo, mas também na disponibilidade de derivados essenciais.
Petróleo fecha com preços mistos com supostos avanços nas negociações EUA-Irã
Preços haviam subido após Trump dizer que “uma civilização inteira pode morrer esta noite”, mas WTI passou a subir menos o Brent virou para leve queda durante a tarde
InfoMoney – 07/04/2026
O petróleo fechou preços mistos nesta terça-feira (07), horas antes do fim do prazo dado por Donald Trump, previsto para esta noite, exigindo a reabertura do Estreito de Ormuz.
Negociado na New York Mercantile Exchange (NYMEX), o petróleo WTI para maio fechou em alta de 0,48% (US$ 0,54), a US$ 112,95 o barril.
Já o Brent para junho recuou 0,45% (US$ 0,50), a US$ 109,27 o barril, negociado na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres.
Citrini Research, que ficou famosa após ajudar a derrubar ações de IA, enviou um analista à região em conflito para apurar o que dados de satélite e fontes oficiais não captam – e trouxe perspectiva ainda mais negativa para a commodity.
A commodity energética oscilou ao longo do pregão em meio aos relatos sobre as negociações Estados Unidos-Irã.
Segundo o New York Times, o Irã interrompeu as negociações com os EUA e informou ao Paquistão que não participará mais de conversas sobre um cessar-fogo. No pico da sessão, o petróleo WTI atingiu os US$ 117 e o Brent US$ 111 por barril, antes de perderem fôlego.
Trump intensificou ainda mais as ameaças contra o Irã nesta terça-feira ao afirmar que “uma civilização inteira morrerá esta noite”.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) alertou que poderá atingir infraestruturas energéticas e privar a região de petróleo e gás “por anos”.
Para analistas da Macquarie, o pior cenário esta noite é se os EUA levarem adiante a ameaça de atacar ativos do Irã. “Caso o Brent suba em direção a US$ 150/barril com os ataques, isso também pode gerar ataques especulativos às moedas de países emergentes altamente dependentes de importações de petróleo”, explicam.
Com a guerra já em sua sexta semana, o Departamento de Energia dos EUA (DoE, na sigla em inglês) elevou sua projeção para o preço médio do petróleo Brent em 2026 para US$ 96 por barril e passou a estimar valor médio de US$ 76 em 2027, em virtude da guerra no Irã.
Já analistas do UBS avaliam que a recuperação da produção de petróleo aos níveis anteriores ao conflito deve levar mais tempo o que indica que os preços tendem a permanecer elevados por algum período.
Enquanto isso, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) informou que sua produção de petróleo despencou 25% em março, a maior queda em pelo menos quatro décadas, de acordo com um levantamento da Bloomberg.
Como a guerra afetou o mercado:
Ativo Preço 27/02 Preço 07/04 (15h) Variação (%)
Petróleo Brent (US$) 72,87 110,25 +51,30%
Petróleo WTI (US$) 67,29 115,29 +71,30%
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Apesar da movimentação diplomática, as probabilidades de um consenso antes do prazo final continuam reduzidas. Ao comentar a contraproposta, Trump afirmou que “eles fizeram uma… proposta significativa. Não é boa o suficiente, mas deram um passo muito significativo. Veremos o que acontece”.
Apesar de o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz ter mostrado uma leve recuperação, com oito petroleiros transitando na última segunda-feira, os volumes ainda estão longe da normalidade.
Segundo a Citrini Research, que enviou um analista ao estreito no mês de março, o tráfego na região é maior do que o apresentado por dados de satélite, já que embarcações navegam sem transponders para evitar sanções. A casa, no entanto, relatou um clima de tensão também mais elevado do que o percebido pelo mercado, e passou a projetar um maior prêmio de risco para o petróleo diante da possibilidade de escalada do conflito.
Irã diz que Estreito de Ormuz não voltará a ser o que era
Estadão/InfoMoney – 06/04/2026
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã divulgou mais cedo que o Estreito de Ormuz não voltará a ser como antes.
“O Estreito de Ormuz jamais voltará a ser como era, especialmente para os Estados Unidos e Israel”, afirmou o comando da organização em postagem no X. “A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica está concluindo os preparativos operacionais do plano comunicado oficialmente pelas autoridades iranianas para uma nova ordem no Golfo Pérsico”, acrescentou.
O anúncio ocorre após o presidente do EUA, Donald Trump, fazer mais um ultimato ao Irã, desta vez em meio a palavrões, ameaçando destruir usinas de eletricidade e pontes do país persa se o Estreito de Ormuz não for liberado até terça-feira, 07.
Segundo a Press TV, do Irã, o anúncio da Marinha da Guarda Revolucionária significa que a “hegemonia estrangeira” no estreito acabou e que potências de fora da região, como o EUA, não poderão mais ditar termos e ter influência sem restrições nas águas próximas ao Irã.
Isso inclui a criação de uma “arquitetura de segurança nativa” no Golfo, com base no princípio de que a estabilidade regional deve ser garantida pelos países que o costeiam. Os preparativos, de acordo com a Press TV, incluem reforço naval, sistemas avançados de monitoramento e capacidade de resposta rápida coordenada.
Petróleo volta a subir forte com frágil cessar-fogo e restrições em Ormuz
Ambos os valores de referência caíram abaixo de US$100 por barril no pregão anterior, com o WTI registrando sua maior queda desde abril de 2020
Reuters/InfoMoney – 09/04/2026
Os preços do petróleo deram um salto nesta quinta-feira, uma vez que as dúvidas sobre um frágil cessar-fogo de duas semanas no Oriente Médio aumentaram as preocupações de que os fluxos através do crucial Estreito de Ormuz permanecerão restritos.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam 4%, para US$ 98,51 por barril, por volta das 8h (horário de Brasília), enquanto o petróleo WTI dos EUA avançava mais de 5%, para US$ 99,35 por barril.
Ambos os valores de referência caíram abaixo de US$100 por barril no pregão anterior, com o WTI registrando sua maior queda desde abril de 2020, devido ao otimismo de que o cessar-fogo resultaria na reabertura do estreito.
No entanto, os analistas disseram que os participantes do mercado estavam hesitantes em eliminar totalmente o prêmio de risco geopolítico e que não havia clareza sobre o que as negociações entre os EUA e o Irã significariam para os fluxos de petróleo.
“As chances de uma reabertura significativa (do estreito) em breve parecem escassas”, disse Vandana Hari, fundadora do provedor de análises do mercado de petróleo Vanda Insights, prevendo uma volatilidade contínua nos preços do petróleo.
O levantamento, porém, não inclui os navios da chamada frota escura, que operam com os rastreadores desligados.
Imagem mostra um grande círculo marcado como “zona de perigo” sobre o Esquema de Separação de Trânsito, que é a rota que os navios utilizam para cruzar a passagem.
“O mercado de futuros parece um pouco quebrado”, disse ela. Caso contrário, “os preços já deveriam ter voltado aos níveis anteriores ao cessar-fogo”.
A hidrovia de Ormuz conecta o fornecimento dos produtores do Golfo Pérsico, como Iraque, Arábia Saudita, Kuweit e Catar, aos mercados globais e, normalmente, transporta cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás.
“Mesmo que os embarques sejam retomados, os riscos não desaparecerão da noite para o dia”, disse Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club. “Os navios-tanque podem ser forçados a navegar em águas minadas e uma maior presença militar, o que manterá os prêmios de seguro altos e os custos de frete elevados”.
A viabilidade do cessar-fogo está em questão em meio aos contínuos ataques israelenses ao Líbano na quarta-feira, levando o Irã a sugerir que seria “irracional” prosseguir com as negociações para forjar um acordo de paz permanente.
Os transportadores disseram na quarta-feira que precisavam de clareza sobre os termos do cessar-fogo antes de retomar o trânsito pelo Estreito de Ormuz. O Irã emitiu mapas para orientar os navios sobre as minas e mostrar caminhos seguros para a passagem, informou a mídia iraniana.
