Pilatus e parceiros compõem pesquisa na Suíça visando bases científicas e práticas para uma possível aplicação futura da reciclagem de resíduos de produção de fibra de carbono diretamente e reinserção no processo de fabricação de aeronaves, em 21.05.26


Em nota no dia 13, a fabricante suíça Pilatus Aircraft publicou matéria de divulgação da reciclagem eficaz de resíduos de fibra de carbono.

Os plásticos reforçados com fibra de carbono (Carbon-fiber reinforced plastics) – também conhecidos como compósitos de fibra de carbono (carbon fiber composites) – são uma parte indispensável da fabricação de aeronaves. Por serem particularmente leves e estáveis, são ideais para a indústria da aviação. No entanto, existe um efeito negativo inevitável associado ao seu uso na produção de componentes de aeronaves: o processo de corte do material pré-impregnado, ou seja, a tela de fibra de carbono pré-impregnada com resina sintética (carbon fiber web pre-impregnated with synthetic resin), gera grandes quantidades de resíduos. Somente no grupo Pilatus, mais de seis toneladas desse material de alta qualidadeprecisam ser descartadas anualmente, sem serem utilizadas.


Em conjunto com pesquisadores da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Lucerna e da inspire AG, parceira estratégica do Instituto Federal Suíço de Tecnologia ETH Zurique, a Pilatus está investigando se esses resíduos de produção podem ser reciclados diretamente e reinseridos no processo de fabricação de aeronaves.

O projeto de pesquisa terá duração de 32 meses (2 anos e 8 meses), período durante o qual os pesquisadores estabelecerão as bases científicas e práticas para uma possível aplicação futura.

A iniciativa para este estudo partiu da comunidade científica, mas a Pilatus, como parceira industrial, pode fornecer os materiais, o ambiente de produção e a expertise para testar a idéia em condições realistas – atuando, assim, como uma ponte crucial entre o laboratório de pesquisa e a possível aplicação futura na produção de aeronaves.

“O projeto começou como resultado de intensas discussões interdisciplinares entre todos os parceiros”, afirma o Jan Kraner, da Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Lucerna. “Esse processo conjunto foi fundamental para passar da ideia à sua implementação”, acrescentou Kraner.

O projeto recebeu apoio significativo da Innosuisse, a Agência Suíça de Inovação. Essa entidade seleciona e promove projetos nos quais organizações empresariais unem forças com parceiros de pesquisa para desenvolver novos processos ou produtos – com foco em benefícios diretos para a indústria.

“O fato da Innosuisse ter optado por destinar uma contribuição financeira substancial ao estudo conduzido pela Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Lucerna, pela inspire AG e pela Pilatus, reflete sua relevância ecológica, econômica e tecnológica”, afirmou Urs Thomann, diretor de tecnologias, processos e sustentabilidade da Pilatus. “Ao mesmo tempo, a estreita cooperação com nossos parceiros de pesquisa cria as condições ideais para explorar o potencial de materiais residuais de alto valor de forma ainda mais eficaz e para colocar novas soluções em prática rapidamente”, completou Thomann.

O projeto se concentra em uma abordagem inovadora: em primeiro lugar, os resíduos pegajosos de pré-impregnado são aquecidos de forma controlada, fazendo com que percam suas propriedades adesivas, permitindo seu processamento posterior por máquina. Em seguida, são cortados em pequenos pedaços e transformados em novos componentes por meio de um processo especial de prensagem, antes de serem endurecidos. Essa abordagem é inédita na aviação, pois atualmente não existe um método industrial estabelecido para transformar diretamente resíduos de pré-impregnado não utilizados em novos componentes.


Este projeto é relevante para a Pilatus por vários motivos: “Em primeiro lugar, a reciclagem desse material oferece a oportunidade de reduzir significativamente o desperdício de nossas próprias operações de produção. Em segundo lugar, pode ser possível substituir certas peças de alumínio por peças de carbono, gerando uma economia de até 36 toneladas de alumínio por ano”, comentou Thomann.

Usar menos materiais não significa apenas menor impacto ambiental durante a produção, mas também aeronaves potencialmente mais leves – e cada quilograma economizado é benéfico em termos de redução da pegada de carbono.

Ao mesmo tempo, o projeto aborda uma clara tendência de mercado: pesquisas recentes indicam que a redução da pegada ecológica é agora uma consideração cada vez mais importante nas decisões de compra de aeronaves e provavelmente se tornará um critério decisivo para um número crescente de clientes nos próximos cinco a dez anos.

A colaboração com a Universidade de Ciências Aplicadas e Artes de Lucerna e a Innosuisse já revelou o potencial inerente à reciclagem de materiais de alto valor.

Para a Pilatus, o projeto é um passo concreto rumo à otimização do uso de materiais, à redução do desperdício e à promoção ativa da inovação. É também um bom exemplo da necessidade geral de “pensar fora da caixa”, no sentido da necessidade no senso da fabricante de enxergar os materiais descartados, que tendem a ter conotações negativas, mais em termos de recursos valiosos. Isso não só tem um impacto ecológico positivo, como também os transforma em um fator econômico relacionado ao lucro.

A Pilatus declara que, juntamente com seus parceiros de pesquisa, está, portanto, ajudando a criar um importante passo rumo a uma verdadeira economia circular na produção de aeronaves – e a um uso mais sustentável de recursos valiosos. Nos próximos anos, a fabricante promete que verá se o projeto oferece uma solução e um resultado bem-sucedido. [EL]