Mitsubishi, ZeroAvia e Alaska Air unem-se para advento de aeronaves-transportadoras por hidrogênio, com conversão dos modelos CRJ e DASH 8, em 28.10.21
A Mitsubishi RJ Aviation Group está se unindo à ZeroAvia para converter os aviões (jatos) regionais Bombardier CRJ para propulsão a hidrogênio.
A subsidiária de manutenção, reparo e revisão do grupo japonês, a MHI RJ Aviation Group (MHIRJ), divulgou que buscará um Certificado Tipo Suplementar (STC/CST) para substituir o motor turbofan GE Aviation CF-34 nos jatos da Família CRJ de 50 a 100 assentos com a célula de fonte de energia – “trem de força” (powertrain) – a base hidrogênio-elétrico que a ZeroAvia está desenvolvendo para múltiplas aplicações.
Um dia depois da ZeroAvia anunciar a parceria, o Alaska Air Group anunciou que apoiará os esforços para converter até 50 de seus bimotores turboélice de Havilland DASH 8-400, de 76 assentos, para alimentação por hidrogênio. A cia. aérea dos EUA também está investindo a ZeroAvia, que é uma start-up com sede na Califórnia.
Em junho de 2020, a unidade de Montreal da MHIRJ adquiriu o programa CRJ da Bombardier depois que a fabricante canadense decidiu deixar do setor de aviões do transporte comercial e e se concentrar na fabricação de jatos executivos.
A Bombardier lançou a Família de jatos CRJ em 1991 com as variantes CRJ100 e 200, de 50 assentos, e, posteriormente, adicionou as variantes maiores CRJ700, 900 e 1000.
A ZeroAvia está trabalhando nos planos para converter para hidrogênio aeronaves de 19 assentos certificadas pelo regulamento de aeronavegabilidade PART-23, começando com o bimotor (originalmente turboélice) Dornier 228 (Do228). A ZeroAvia pretende garantir um STC/CST para este programa até 2024 e informou que a MHIRJ estará envolvida em alguns aspectos do trabalho de engenharia.
A empresa californiana pretende iniciar os testes de vôo de um Do-228 convertido ainda neste ano como parte de seu programa HyFlyer II, que se beneficiou do apoio financeiro do governo do Reino Unido. Para esta conversão, a ZeroAvia está desenvolvendo um “trem de força” de célula de combustível de hidrogênio de 600 kW. Aeronaves maiores, como os jatos CRJ, exigiriam unidades ZA2000 mais potentes avaliadas entre 2 e 5 MW. A empresa buscará a certificação de acordo com as regras do regulamento PART-33 da FAA.
Em vôo de teste no ano passado, uma aeronave demonstradora de tecnologia, um monomotor leve Piper M Series, caiu perto do Aeroporto de Cranfield, no Reino Unido, e a Agência de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido ainda está avaliando a causa do acidente.
Para a conversão de 19 lugares, a ZeroAvia está desenvolvendo um trem de força de célula de combustível de hidrogênio de 600 kW. Aeronaves maiores, como os CRJs, exigiriam unidades ZA2000 mais potentes avaliadas entre 2 e 5 MW. A empresa buscará a certificação de acordo com as regras do PART-33 da FAA.
De acordo com o fundador e CEO da ZeroAvia, Val Miftakhov, a empresa californiana planeja desenvolver uma rede de instalações de conversão, algumas das quais serão operadas por conta própria e outras operadas por provedores de serviço terceirizados. A MHIRJ é o primeiro desses provedores de serviço. A expectativa é a obtenção do STC/CST para os jatos CRJ em 2027.
Em alguns casos, as operadoras de aeronaves poderão comprar kits de conversão da ZeroAvia e executar o retrofit elas mesmas.
A ZeroAvia não publicou um preço para as conversões para hidrogênio, mas registrou acreditar que será semelhante ao custo de instalação de um motor a jato. “Esperamos que nosso trem de força com célula de combustível reduza os custos de operação e manutenção por vôo em 40 por cento”, disse Miftakhov. “Acreditamos que o uso de projetos de fuselagem [aeronaves] atuais é um caminho mais rápido para vôos comerciais com emissão zero em comparação com a produção de novos aviões”, completou Miftakhov.
Além dos jatos CRJ, a ZeroAvia pretende oferecer a conversão de hidrogênio para outras aeronaves certificadas pelo regulamento PART-25, como as famílias de aviões regionais ATR e DASH 8 até 2026. Neste segmento, a ZeroAvia está competindo com a Universal Hydrogen, que está trabalhando por conta própria em seu STC/CST para conversão dos modelos turboélice com um kit que armazena hidrogênio líquido em cápsulas recarregáveis que são entregues diretamente na aeronave.
Em seu anúncio no dia 26 (de outubro), a Alaska Air se tornou efetivamente a cliente-lançamento do ‘pacote’ de conversão para DASH 8, que espera oferecer suporte a vôos de mais de 575 milhas. De acordo com Diana Birkett Rakow, chefe de relações públicas e sustentabilidade da cia. aérea, o investimento na ZeroAvia faz parte de seu plano de cinco partes para atingir operações líquidas zero até 2040.A
equipe de engenharia da transportadora agora apoiará os esforços da ZeroAvia para dimensionar o “trem de força” ZA2000 para vários tipos de aeronaves. O DASH 8-400 exigirá uma classificação de potência de 3 MW, e a ZeroAvia pretende estabelecer uma base na área de Seattle para apoiar a colaboração.
“Acreditamos que, no futuro, quase todas as aeronaves do mundo serão movidas por motores elétricos/hidrogênio, simplesmente porque é o método mais viável e escalável para eliminar o carbono e também para cortar as outras emissões prejudiciais do setor de aviação”, Miftakhov comentou. “A colaboração com a MHIRJ é um marco significativo para nós e para o setor de aviação como um todo. Estamos honrados em trabalhar com a MHIRJ para introduzir a tecnologia de propulsão elétrica de hidrogênio no segmento de jatos regionais e demonstrar a miríade de benefícios de custos e emissões que as companhias aéreas podem derivar de voos movidos a hidrogênio”, completou Miftakhov.
O foco na comercialização de versões “zero carbono” dos aviões comerciais CRJ parece marcar uma mudança na estratégia da Mitsubishi Heavy Industries, que em outubro de 2020 suspendeu o desenvolvimento de sua aeronave (jato comercial) SpaceJet M90, de 88 assentos, planejada por muito tempo. O grupo japonês não cancelou oficialmente o programa, mas aparentemente foi forçado a interromper o trabalho depois de investir centenas de milhões de Dólares na aeronave, que atraiu clientes de lançamento como a transportadora aérea ANA – All Nippon Airways.
“O desenvolvimento de soluções de aviação para o futuro requer uma reavaliação de seu impacto ambiental e o desenvolvimento de novas tecnologias para garantir que a aviação cumpra os compromissos necessários para cumprir as metas de redução de carbono”, disse o presidente e CEO da MHIRJ, Hiro Yamamoto. “Aeronaves regionais são fundamentais para manter comunidades e regiões menores conectadas e também são mais capazes de explorar as novas tecnologias no horizonte do que aeronaves maiores e, portanto, este é um lugar lógico para este desenvolvimento começar, e estamos orgulhosos de fazer parte desta solução inovadora”, disse Yamamoto. [EL] – c/ fontes
