Ação militar do EUA na Venezuela interfere para operações de vôo na própria Venezuela e ao longo da costa norte da América do Sul e do Caribe, em 05.01.26


Em post no dia 05 na plataforma online da AIN, a redatora de notícias da mídia Charlotte Bailey repercutiu efeitos à operação de vôos pelo espaço da América Latina na região do Caribe decorrentes da ação militar do EUA na Venezuela na manhã do dia 03.

Bailey escreveu que operadores de aeronaves estão respondendo com urgência aos riscos à segurança de vôo decorrentes da ação militar do EUA na Venezuela, de acordo com provedores de inteligência de segurança da aviação.

Durante o fim de semana, tanto a FAA quanto a EASA emitiram Avisos urgentes de fechamento do espaço aéreo que se estendem além da própria Venezuela, ao longo da costa norte da América do Sul e do Caribe.

Inicialmente, ambas as agências impuseram um fechamento total para seus operadores na Região de Informações de Vôo (FIR) de Maiquetta, na Venezuela.

O último Boletim de informações sobre zonas de conflito da EASA alertava especificamente que “a presença e o uso de uma ampla gama de armas e sistemas de defesa aérea, combinados com respostas imprevisíveis do Estado e a potencial ativação de sistemas de mísseis terra-ar, criam um alto risco para voos civis operando em todas as altitudes e níveis de vôo”.

A FAA emitiu informes NOTAM no início da manhã do dia 03 proibindo vôos de aeronaves registradas no EUA no espaço aéreo adjacente de Curaçao, Porto Rico e Trinidad e Tobago, mas informes atualizados no dia 04 substituíram as proibições totais de vôo por recomendações com validade até 02 de fevereiro.

Enquanto isso, especialistas em segurança da aviação vêm realizando avaliações de risco na região pelo menos desde novembro, quando as tensões entre o EUA e o presidente venezuelano Nicolás Maduro aumentaram. A ação miliar americana de 03 de janeiro contra alvos terrestres em Caracas e arredores, durante a captura de Maduro pelas forças americanas, intensificaram os perigos para a aviação civil.

Embora o Secretário de Estado do EUA, Marco Rubio, tenha declarado no dia 04 que o EUA não está em guerra com a Venezuela, mas sim “em guerra contra organizações de narcotráfico”, os riscos para aeronaves permanecem.

Em um relatório divulgado no fim de semana, o grupo de inteligência de segurança da aviação Osprey Flight Solutions afirmou acreditar “com quase certeza” que tanto o EUA quanto a Venezuela aumentarão seus destacamentos militares, inclusive em áreas costeiras e no Mar do Caribe. Possíveis fechamentos futuros do espaço aéreo também podem afetar as FIRs (Regiões de Informação de Vôo) de Piarco (a nordeste), Porto Rico (ao norte), Curaçao (a noroeste) e Colômbia (a oeste).

Eric Schouten, fundador e CEO da Dyami, provedora de inteligência de segurança, acredita que, embora a incerteza na região e as preocupações com a segurança persistam, a situação não é mais a “panela de pressão” dos meses anteriores. A “operação de precisão” do ataque de 3 de janeiro ajudou a mitigar as consequências, além de desativar muitos dos sistemas de defesa aérea do país, disse Schouten para a AIN. No entanto, a ameaça de identificação incorreta de aeronaves permanece, assim como a prioridade militar em curso, que pode “atrasar ou mesmo inviabilizar” missões civis.

De acordo com Schouten, recomenda-se que os operadores se mantenham informados sobre a situação em rápida evolução por meio de múltiplas fontes confiáveis, como provedores de avaliação de riscos, complementando os boletins oficiais publicados por entidades como a FAA e a EASA. Tenho enfatizado que a capacidade de uma organização realizar sua própria avaliação de riscos, bem fundamentada e criteriosa, é essencial para a segurança das operações.

Em outro post no dia 05 na plataforma online da AIN, o editor de serviços de aviação executiva da mídia Curt Epstein repercutiu os transtornos e caos em viagens de retorno do Ano Novo com as proibições de espaço aéreo no Caribe por efeito da ação militar do EUA na Venezuela.

A ação militar do EUA à Venezuela no fim de semana e os consequentes fechamentos do espaço aéreo afetaram significativamente a aviação civil na região do Caribe no final da movimentada temporada de viagens de feriado. Passageiros retidos devido a vôos cancelados exerceram uma pressão repentina sobre o mercado de fretamento de aeronaves, que já operava próximo da capacidade máxima no fim de semana após as comemorações de Ano Novo.

No dia 03 (quando da ação do EUA, pela manhã), a Signature Aviation observou que “a atividade da aviação comercial e geral foi significativamente reduzida ou cancelada, dependendo do registro da aeronave e da rota”, e acrescentou que várias de suas bases no Caribe “estão atualmente com capacidade de pista total ou quase total e, assim que as restrições forem suspensas, as acomodações para chegadas serão bastante limitadas”.

O comentarista do setor, Preston Holland, co-apresentador do podcast VIP Seat, disse para a AIN que ouviu dizer que as estimativas mais otimistas para a disponibilidade de vôos fretados seriam para “amanhã”, com algumas operadoras cotando preços de até US$ 60.000 para um vôo da área afetada – incluindo Porto Rico e as Ilhas Virgens – para Miami.

Epstein informa existem reportes de que várias corretoras, buscando monopolizar o mercado, compraram capacidade de vôos fretados durante o fim de semana para licitá-la para os viajantes que tentam voltar para casa após o feriado.

“Os preços dobraram, enquanto a disponibilidade diminuiu significativamente, sendo a obtenção de licenças o principal problema”, explicou Jason Firestone, presidente do grupo de clientes privados da Flyhouse, operadora de mercado de vôos fretados. “Tem sido extremamente difícil conseguir qualquer coisa saindo de Porto Rico, e mesmo quando há progresso, os prazos continuam sendo adiados. A situação permanece muito instável, embora hoje pareça haver uma ligeira abertura”, completou Firestone.

“Embora não haja alertas ativos que devam impactar as operações de vôo hoje [05], cada porto e localidade no Caribe parece estar enfrentando dificuldades com o aumento da demanda, mudanças e desvios decorrentes da reabertura do espaço aéreo”, acrescentou Jamie Walker, presidente executivo da Jet Linx. “Embora entendamos que a demanda na região tenha gerado um aumento nos preços por parte de algumas operadoras, nossas tarifas por hora permanecem fixas e garantidas para nossos membros da Jet Linx, e não haverá aumentos de preços”, completou Walker. [EL]