Airbus e organizações acadêmicas e pesquisadoras aeroespacial canadenses lançam pesquisa para medição de emissões não-CO2 produzidas por diferentes combustíveis de jato, incluindo 100% SAF, em 25.03.25


No dia 15, a Airbus divulgou que o lançamento um projeto para medir emissões não-CO2 produzidas por diferentes combustíveis de jato, incluindo combustível de aviação 100% sustentável (SAF) com a sua participação e das principais organizações acadêmicas e de pesquisa aeroespacial canadenses. Trata-se do projeto designado CRYSTAL – Contrail Research Yielding STimulating Advanced RQL Learning (CRYSTAL), ou, Pesquisa Produzindo Estimulante Avançado de trilhas de Condensação, com ensino baseado em RQL – Resource Query Language (linguagem de consulta usando sintaxe textual para descrição de condições que os itens devem atender para serem incluídos em um conjunto de resultados, em ambiente web).

O projeto inclui uma campanha de testes de solo e vôo na unidade da Airbus no Canadá em Mirabel, a sede do Programa do jato A220.

O projeto CRYSTAL visa medir emissões na asa (testes de solo) e emissões em vôo e as trilhas de condensação em várias altitudes (testes de vôo) usando a aeronave de teste de vôo A220.

Os testes de solo e vôo serão operados com JET-A1 e combustível 100% SAF para estudar os efeitos nas emissões e propriedades das trolhas de condensação, e os impactos climáticos associados. Os dados gerados serão usados ​​pela comunidade científica para melhorar os modelos de rastros e identificar tecnologia de motor e combustíveis que podem minimizar o impacto climático das trilhas.

Os testes em solo estão planejados para acontecer a partir do terceiro trimestre de 2025 e os testes de vôo em 2027.

O Aeroporto Internacional de Montreal/Mirabel (CYMX) – YMX International Aerocity, administrado pela ADM (Aeroports de Montreal), apoiará essa colaboração.

O projeto CRYSTAL será um dos principais projetos Espace Aero (Espaço Aéreo) – o primeiro projeto oficial da Zona de Inovação Aeroespacial de Quebec neste ano.

O projeto inclui expertise de importantes agentes participantes canadenses, como a Polytechnique (Politécnica) Montreal, a ETS – École de technologie supérieure (escola superior de tecnologia) e o FSM Management Group.

A Airbus e seus parceiros estão em discussão com programas governamentais, incluindo a Iniciativa do Canadá para Tecnologia de Aviação Sustentável (INSAT – Initiative for Sustainable Aviation Technology) e o Consórcio para Pesquisa e Inovação em Aeroespacial em Quebec (CRIAQ – Consortium for Research and Innovation in Aerospace in Quebec) para dar suporte ao projeto.

Esta colaboração demonstra a disposição da Airbus e da indústria aeroespacial global e local de unir forças para entender melhor as emissões da aviação, para que elas possam ser abordadas da maneira mais eficaz no futuro.

Mélanie Lussier, presidente da Aero Montreal, disse: “A Espace Aero tem orgulho de ver um grande projeto tomar forma com a CRYSTAL, impulsionado pela liderança da Airbus e seus parceiros. Esta iniciativa colaborativa, liderada pela CRIAQ e INSAT, reflete perfeitamente o compromisso da nossa zona de inovação com a descarbonização e mostra como a engenhosidade e a inovação de Quebec estão ajudando a moldar a aviação sustentável do amanhã. Ao reunir participantes industriais e acadêmicos em torno de soluções concretas, estamos fortalecendo a posição de Quebec como líder em desempenho ambiental aeroespacial”.

Martin Massé, vice-presidente de Relações Públicas, Comunicação e Sustentabilidade da ADM (Aeroports de Montreal) disse: “A ADM – Aeroports de Montreal tem orgulho de estar envolvida neste projeto de pesquisa visionário. Por muitos anos, nossa organização se orgulha de disponibilizar suas instalações para dar suporte a parceiros no ecossistema da aviação em sua jornada rumo a emissões líquidas zero. Como um centro aeronáutico de classe mundial e zona de inovação, o sítio [aeroportuário] YMX foi o lugar perfeito para estar na vanguarda desta iniciativa, que, em última análise, permitirá que nossa indústria dê o próximo passo em direção à descarbonização de suas atividades”.

Catherine Guillemart, chefe de Relações Públicas e Sustentabilidade da Airbus-Canadá disse: “Estamos muito satisfeitos em colaborar com parceiros de classe mundial no Canadá, pois estamos comprometidos em dar suporte aos esforços da indústria da aviação para pesquisar emissões não-CO2. Aumentar os dados científicos para entender melhor a formação de emissões não-CO2 continua sendo fundamental para a indústria entender seus efeitos”.

O projeto CRYSTAL é uma iniciativa semelhante aos projetos VOLCAN e ECLIF3 realizados anteriormente pela Airbus na Europa, utilizando aeronaves das Famílias A320NEO e A350, respectivamente.

No Canadá, mais de 4.500 pessoas trabalham em dez locais e escritórios e subsidiárias da Airbus cobrindo os setores de aviões comerciais, helicópteros, defesa e espaço. A Airbus está presente no Canadá há mais de 40 anos e contribui para aproximadamente 23.000 empregos indiretos e gera mais de C$ 2 bilhões em receitas anualmente para mais de 850 empresas canadenses. O A220 (ex-CSeries, da Bombardier) é o único programa de aeronaves comerciais da Airbus a ser comandado fora da Europa, tornando o Canadá a presença oficial mais significativa da Airbus fora da Europa.

No dia 07, a Airbus publicou nota para divulgação geral de emissões não-CO2 e trilhas de condensação.

A aviação emite mais do que apenas dióxido de carbono. A Airbus e a indústria em geral estão assumindo um papel proativo para lidar com essas emissões não-CO2.

A queima de combustível cria emissões de dióxido de carbono (CO2) e não-CO2.

As principais emissões não-CO2 são vapor de água e óxido de nitrogênio (NOx). Também incluem óxidos de enxofre, monóxido de carbono, fuligem, hidrocarbonetos não queimados e aerossóis.

Em certas condições, o vapor de água e algumas emissões não-CO2 podem causar trilhas (ou rastros) de condensação – contrails – que são as linhas esbranquiçadas avistadas na retaguarda de aeronaves em altitude. Estas trilhas são essencialmente nuvens cirrus de gelo. Embora as trilhas reflitam a radiação solar recebida e retenham o calor emitido, têm um efeito de aquecimento líquido. Ainda há incerteza sobre a magnitude do efeito, mas todos os modelos climáticos concordam.
Basicamente, as trilhas se formam quando o vapor de água no escapamento de uma aeronave se transforma em cristais de gelo, encapsulando emissões não-CO2 também presentes no escapamento.Embora existam rastros de resfriamento (cooling contrails), a maioria das trilhas de condensação é considerada como tendo um efeito de aquecimento, incluindo todos as trilhas que são emitidas à noite, pois não há luz solar para refletir de volta.

Embora apenas 10%-15% das trilhas de condensação de aeronaves sejam persistentes e a sua maioria dure apenas algumas horas, as trilhas podem agravar as mudanças climáticas ao reter o calor irradiado da superfície da Terra.

Seu comprimento pode ser significativo: a trilha média tem 150 km de comprimento, o que equivale a cerca de 10 minutos de vôo.

O efeito das emissões não-CO2 no clima pode ser mitigado pela previsão precisa das condições nas quais as trilhas de condensação se formarão e persistirão. Isso permite que os vôos naveguem ao redor, abaixo ou acima dos locais mais propícios à formação de rastros de resfriamento, se o controle de tráfego aéreo permitir. No entanto, ocasionalmente, essas trajetórias alternativas são mais longas, aumentando as emissões de CO2 e o custo de operação do vôo. A compensação é delicada, mas diz respeito apenas a um número limitado de vôos. Estima-se que apenas 10% dos vôos, principalmente os de longa distância, criam 80% das trilhas de condensação (contrails) de efeito de aquecimento.

Para reduzir ou mitigar o impacto desses vôos, a indústria da aviação está acelerando a pesquisa sobre a solução mais eficaz, com muitas colaborações para combinar a pesquisa com o teste de soluções.

De fato, no contexto do SESAR Joint Undertaking, parceria público-privada com financiamento da União Européia para pesquisa de desenvolvimento do gerenciamento de tráfego aéreo na Europa, a Airbus está liderando o CICONIA, um projeto que visa introduzir previsões meteorológicas mais precisas para ajudar a determinar trajetórias otimizadas e planejamento de vôo.

Além disso, a Airbus está envolvida em vários projetos que analisam diferentes tipos e composições de combustível para determinar a mistura ideal para mitigar emissões não-CO2. Isso inclui estudar todas as composições alternativas de combustíveis de aviação para emissões de CO2 e não-CO2, e o tamanho dos cristais de gelo formados a partir do vapor de água que estes emitem.

A Airbus está trabalhando ativamente com o ecossistema de pesquisa para entender o impacto de voos reais, com diferentes tipos e trajetórias de combustível, na formação de rastros. Isso melhorará a modelagem do impacto do rastro de condensação a longo prazo. [EL]