Árabes investirão US$ 500 mi em projeto da “supercana”, e investimento será usado para um novo módulo de 70 mil hectares de área plantada, diz Eike Batista, em 02.04.25

Fonte: Reuters/InfoMoney – 31/03/2025
O empresário brasileiro Eike Batista disse que investidores árabes anunciarão em breve um investimento de US$ 500 milhões em seu novo projeto usando cana-de-açúcar desenvolvida para aumentar a produção de combustíveis sustentáveis.
O projeto, que já havia garantido US$ 500 milhões do banco de desenvolvimento privado Brazilinvest, sediado em São Paulo, pretende fechar outro investimento desse porte nesta semana junto a um investidor estratégico nos Emirados Árabes Unidos, disse Eike à Reuters.
Eike também disse que o investimento será usado para um novo módulo de 70 mil hectares de área plantada.
“A supercana é a nossa revolução”, afirmou o Eike, em uma entrevista em vídeo no dia 28.
Eike acrescentou que o projeto foi concebido para ter uma capacidade de produção de mais de 1 bilhão de litros de etanol, bem como cerca de 979.000 toneladas métricas de embalagens biodegradáveis usando biomassa de cana processada.
A planta, a ser construída no Estado do Rio de Janeiro, usará o etanol para fabricar mais de meio bilhão de litros de combustível de aviação sustentável (SAF), disse Eike, acrescentando que espera eventualmente lançar um total de 20 módulos de 70 mil hectares cada, em diversas regiões do país.
O retorno planejado por Eike, apostando em uma “supercana”, atraiu ceticismo de alguns críticos na bem estabelecida indústria de etanol do Brasil, mas Eike ressurge dizendo que a tecnologia passou por mais de uma década de testes.
Eike disse que pretende suplantar a variedade de cana-de-açúcar RB867515 – a mais comum no Brasil – com sua nova variedade SC157070 crescendo mais de 5 m. de altura e permitindo um plantio mais denso. No mínimo, a nova variedade pode produzir de duas a três vezes mais etanol do que a cana tradicional, bem como de 7 a 12 vezes mais biomassa, acrescentou Eike.
“Na minha visão, os usineiros hoje no Brasil, nos próximos 5, 10, 15, 20 anos, vão trocar toda a cana plantada hoje no Brasil por essa cana que tem um motor diferente”.
O projeto de Eike enfrentou críticas iniciais de Rubens Ometto, fundador da gigante brasileira Cosan (CSAN), que disse que suas experiências anteriores com tecnologias semelhantes não cumpriram o que prometiam.
Eike rebate dizendo disse que a experiência de Ometto envolveu tecnologia mais antiga, enquanto seu novo projeto se beneficia de décadas de avanços.
O histórico de problemas legais e financeiros de Eike nos negócios petróleo, energia, portos e mineração que colapsaram, também paira sobre este novo empreendimento.
Como está legalmente impedido de ser proprietário no momento, Eike está alinhando direitos para subscrições futuras do empreendimento. Eike disse que não está buscando tornar seu novo empreendimento público, uma vez que conta com recursos de grandes investidores diretos.