Atividade de fretamento aéreo na América do Norte segue robusta, mas atrás do pico de 2021, pelos dados de pesquisa da Argus, em 14.12.25
Em post no dia 12 na plataforma online da AIN, a redatora de notícias de mídia Amy Wilder repercutiu que uma análise da provedora de dados de aviação Argus mostra que a atividade do segmento do transporte aéreo por demanda (PART-135) na América do Norte permanece robusta rumo ao final de 2025, com outubro sendo o segundo mês mais movimentado já registrado – atrás apenas de outubro de 2021.
A análise considera o último relatório da Argus (de novembro), divulgado na semana, com apresentação de quantitativo de aeronaves, o total de horas de vôo e as tendências de utilização para analisar o desempenho do setor.
A análise anterior da Argus – de outubro – também classificou o mês como o segundo mais movimentado já registrado, apontando para um aumento de 5,3% ano a ano na atividade global e uma força generalizada nos segmentos da América do Norte e também da Europa.
O novo relatório da Argus confirma a atividade de outubro e direciona o foco para os fatores estruturais que a impulsionam: tamanho da frota, total de horas voadas e utilização. Embora o relatório anterior tenha enfatizado as tendências de demanda – o mercado de aeronaves de compartilhamento em franca expansão, com crescimento de dois dígitos, do transporte pelo PART-135 em alta de 4,9% e a expansão regional -, a nova análise adiciona uma perspectiva operacional mais aprofundada.
Os dados indicam que, embora o número total de aeronaves com certificado PART-135 seja praticamente o mesmo de 2021, o setor registrou uma redução de mais de 900 aeronaves nos últimos 12 meses.
Mas o indicador para aeronaves turboélice de asa fixa ‘conta’ uma história diferente. Esse segmento expandiu-se de forma constante, passando de 6.380 aeronaves no mesmo período de 2021 para 6.825 em 2025 – um aumento de aproximadamente 7%.
O aumento no número de aeronaves parece estar se traduzindo diretamente em um aumento nas horas de vôo. Outubro de 2025 registrou quase 10.000 horas a mais do que outubro de 2021 e mais de 20.000 horas adicionais em comparação com outubro de 2024.
A Argus conclui que o aumento da oferta contribuiu para o aumento do total de horas voadas em todo o setor.
No entanto, o crescimento do total de horas não é acompanhado pela utilização das aeronaves. Apesar do aumento no número de aeronaves e de vôos em geral, a utilização permanece ligeiramente abaixo da meta de 2021. O relatório observa que a média de horas por aeronave em outubro de 2025 foi de “pouco menos de 40”, em comparação com aproximadamente 41 horas/mês em outubro de 2021 – uma queda de cerca de 1,3 horas por aeronave. O relatório também mostra 41,2 horas/mês por aeronave no mesmo período de 2021, caindo para 39,2 horas/mês por em 2024 antes de apresentar uma leve melhora para 39,9 horas/mês em 2025.
A Argus descreve esse cenário como misto, mas positivo no geral. Todos os três indicadores – número de aeronaves, horas totais e utilização – apresentaram melhorias na base de comparação ano x ano entre outubro de 2024 e outubro de 2025. Ao mesmo tempo, as comparações com 2021 dependem da perspectiva. Com mais aeronaves e mais horas totais, o setor parece mais forte no geral, mas a fragilidade na utilização sugere dinâmicas operacionais subjacentes.
O relatório apresenta diversas explicações possíveis.
A Argus sugere que “a aeronave média opera, na verdade, uma hora a menos por mês do que há quatro anos”. Os operadores podem agora ser mais eficientes na gestão de vôos vazios, resultando em um menor número de horas registradas. Outra possibilidade: o aumento no número de aeronaves certificadas pode incluir um número crescente de aeronaves pouco utilizadas, distorcendo a utilização média para baixo. Seja qual for a causa, a Argus enfatiza que o segmento PART-135 permanece saudável e que “claramente há espaço para melhorias”.
A Argus observa que o padrão de atividade de 2025 reflete as normas históricas, com outubro representando tipicamente o pico anual do setor. O relatório conclui que, embora o segmento PART-135 não esteja operando com a mesma intensidade de seu pico pós-Covid, a combinação do aumento da capacidade da frota, da forte atividade de voos e da melhoria na utilização em relação ao ano anterior sugere uma continuidade do crescimento rumo a 2026.
Os dados da Argus de novembro também reforçaram a força contínua da aviação executiva global, com um aumento de 8,2% na atividade de vôos em relação ao ano anterior e a América do Norte registrando seu maior ganho mensal em mais de uma década, de 8%. Os dados mostraram que todas as categorias operacionais na América do Norte apresentaram aumentos, lideradas pela atividade de propriedade compartilhada (part-by-part) com 12,8% e pelo segmento PART-135 com 9,7%. Jatos de médio e pequeno porte registraram crescimento de 10,4% cada, enquanto a combinação aeronave/operação mais forte foi a de jatos de médio porte em serviços de fretamento, com um aumento de 16%. A Europa manteve-se moderadamente positiva pelo sétimo mês consecutivo, e outras regiões registraram um ganho geral de 13,9%, impulsionado principalmente por jatos de pequeno porte. A Argus espera que esse ritmo continue em dezembro. [EL]
