Bombardier posta resultados 4T24 e 2024, em 13.02.25

A editora da revista mensal AIN Kerry Lynch escreveu dois posts no dia 06 na plataforma on line da mídia para repercutir a apresentação dos resultados financeiros 4T24 e 2024 da fabricante canadense Bombardier, e a primeira posição da fabricante para o anúncio da nova política de taxação do governo do EUA Donald Trump.
Em 2024, a receita da Bombardier superou a orientação com US$ 8,7 bilhões, com a receita de serviços aumentando em 16%. O negócio de serviços ultrapassou US$ 2 bilhões no ano, representando uma duplicação das receitas nos últimos 5 anos e uma marca alcançada um ano antes do previsto. No entanto, mesmo com o aumento das entregas de aeronaves – de 8 unidades (5,8%), as receitas ainda foram um pouco mais fracas do que o previsto com os “ventos contrários” contínuos da cadeia de suprimentos, declararam os executivos na coletiva de imprensa na manhã do dia 06 para divulgação dos resultados do final do ano de 2024.
Em 2024, a Bombardier entre 146 jatos, sendo 73 jatos Global e 73 jatos Challenger (3500 e 650), com 2 unidades Global a menos (-2,7%) e 10 unidades Challenger a mais (+15,95) em comparação ao ano de 2023, uma diferença no total de mais 8 unidades (5,8%) na comparação com 2023, quando foram entregues 138 jatos, sendo 71 jatos Global e 83 jatos Challenger (3500 e 650).
As entregas não atingiram a orientação de 2024 de 150 a 155 entregas (2,7% abaixo do piso e 5,8% abaixo do teto), mas ficaram perto da faixa de 150 que a Bombardier antecipou para suas linhas de produtos nos próximos anos.
No quarto trimestre, as entregas dos jatos Global caíram em três, para 29 (39,7% do total), enquanto as entregas dos jatos Challenger aumentaram em quatro, para 28 (38,4% do total).
“Nós … atingimos nossas ambições de US$ 2 bilhões em receita de serviços um ano inteiro antes do previsto”, disse Martel aos analistas. “Para colocar isso em perspectiva, dobramos um negócio de bilhões de Dólares com alta margem em menos de cinco anos, e fizemos isso organicamente. Fizemos isso por meio de uma extensão cuidadosa da rede e oferecendo serviços e suporte aos nossos clientes por meio do valor. Não é apenas impressionante na indústria aeroespacial; é uma grande conquista, ponto final”, Martel discorreu.
Como resultado, as receitas da Bombardier ainda superaram a orientação com US$ 8,7 bilhões, o que representou um crescimento de 8% em relação aos US$ 8,05 bilhões em 2023. O lucro líquido em 2024 caiu US$ 75 milhões (16,9%), para US$ 370 milhões, em comparação com US$ 445 no ano anterior. Mas o EBITDA ajustado aumentou 11% para US$ 1,36 bilhões, também superando ligeiramente a orientação. Os resultados refletiram o aumento da receita de entregas e serviços, mas foram parcialmente compensados pelos custos de interrupção da cadeia de suprimentos, informou a Bombardier.
“A cadeia de suprimentos continuará sendo um foco muito nítido, pois continua a introduzir pressão em nossas operações. Certamente foi verdade no quarto trimestre do ano passado”, disse Martel. “Nossas equipes fizeram muito para mitigar riscos e ter sucesso tanto no upstream. Dito isso, a cadeia de suprimentos ainda será um fator de enfrentamento para nosso perfil de entrega, à medida que gerenciamos o acúmulo de estoque”, Martel completou.
A demanda permaneceu consistente, fornecendo uma relação book-to-bill de 1:1, enquanto a cateira de encomendas (backlog) cresceu US$ 200 milhões, (1,4%), de US$ 14,2 bilhões no final de 2023 para US$ 14,4 bilhões no final do ano passado.
Enquanto isso, a Bombardier continua a fortalecer seus fundamentos financeiros, reduzindo sua dívida líquida ajustada para a relação EBITDA ajustada de 3,3 vezes em 2023 para 2,9 vezes no ano passado e tendo cerca de US$ 2,1 bilhões de liquidez disponível no final de 2024.
A fabricante continua a progredir no Global 8000, o sucessor que suplantará o atual “jato-chefe” de ultralongo alcance Global 7500. Observando que o Global 8000 continua vendendo bem, a Bombardier continua no cronograma para entrada em serviço do modelo até o final do ano após receber todas as aprovações necessárias. No entanto, a Martel espera que alguns jatos Global 7500 ainda sejam entregues no início de 2026. Além disso, a Bombardier está finalizando o pacote de atualização para conversão de Global 7500, de jatos em serviço, para que possam corresponder à velocidade máxima do Global 8000 de MACH 0,94 e à altitude de pressão da cabine de 2.900 pés a cruzeiro a 41.000 pés.
Embora a atividade de vendas esteja forte, o vice-presidente executivo e diretor financeiro da Bombardier, Bart Demosky, disse que a Bombardier trouxe menos depósitos em 2024 como parte de uma “estratégia de gerenciamento de risco que implantamos ao longo do ano, onde adotamos uma abordagem conservadora para vender nossos Global 8000 para manter uma margem de disponibilidade apenas no caso de encontrarmos qualquer um dos desafios semelhantes que alguns de nossos pares tiveram ao colocar aeronaves ou derivados em serviço”.
Bombardier x novas tarifas pelo governo Donald Trump sobre produtos-exportados do Canadá
Embora a Bombardier tenha registrado crescimento em 2024 e veja um momento promissor no mercado, as incertezas em torno de potenciais tarifas de 25% anunciadas pelo EUA contra o Canadá obscurecem os resultados da fabricante previstos para 2025. Como tal, a fabricante canadense adiou o fornecimento de orientação (guidance) para este ano, como costuma fazer quando divulga seus resultados de fim de ano.
“Estou muito decepcionado por não podermos orientar 2025 hoje”, disse Martel, aos analistas na coletiva com o mercado de divulgação dos resultados de 2024. “Nos últimos quatro anos, a Bombardier criou um histórico tão forte de cumprimento, mas também de superação de compromissos. A equipe e eu estávamos bem preparados para confirmar nossos objetivos para 2025 hoje, mas, à luz da atual ameaça tarifária, não fornecer orientação é a coisa mais responsável e transparente a fazer”, Martel justificou.
Martel enfatizou a necessidade da cautela para ver como as tarifas se desenrolam, especialmente dadas as mudanças que ocorreram na semana passada. “Há muito em jogo para a nossa indústria”, apontou Martel, concordando então com a avaliação da GAMA – Associação Geral de Fabricantes de Aviação Geral: “Dada a natureza global da indústria de fabricação de aviação, essas tarifas propostas, bem como potenciais tarifas recíprocas, podem ter um impacto enorme com muitas consequências não intencionais na indústria”, Martel completou.
Martel observou que a Bombardier tem 2.800 fornecedores baseados no EUA, em 47 Estados, que criam dezenas de milhares de empregos no EUA, acrescentando que isso teria um impacto igualmente significativo em ambos os lados da fronteira. “A grande maioria de nossas plataformas é composta por mais peças e sistemas do EUA do que qualquer outro país”. Martel citou o trabalho de asa no Global 7500 no Texas e centros de serviço que possui em 5 Estados diferentes do EUA.
“Ao longo dos anos, a Bombardier criou uma balança comercial recíproca com o EUA que pode ser demonstrada onde nós e o EUA temos uma vitória igual. Esta indústria foi construída por meio de décadas de colaboração”, Martel destacou.
Os impactos variariam de acordo com a linha de produtos, com o Challenger 3500 mais vulnerável devido ao seu sucesso no EUA. Os jatos Global têm uma presença internacional maior, observou Martel, acrescentando que ele não previa que o negócio de serviços fosse tão impactado.
Martel estimou que o EUA representa cerca de 50% a 60% de suas entregas de aeronaves.
No entanto, Martel enfatizou que, embora a Bombardier entre em 2025 com cautela, “deixe-me ser bem claro, cautela não significa nada que quebre”.
Martel destacou as condições favoráveis do mercado na aviação executiva e o fato de que as horas de vôo permaneceram altas, enquanto os estoques de aeronaves usadas ainda estão em uma faixa saudável. “Mais importante, a demanda por novas aeronaves é sólida”, disse Martel. “Os pedidos continuam chegando de todo o mundo, e observamos mais atividade em relação ao mesmo período do ano passado. Isso inclui uma parcela justa do EUA … Não vimos cancelamentos”, Martel revelou.
Martel observou que os clientes da Bombardier são experientes no mercado e não antecipam tanto risco de longo prazo. “A crença geral é que se houver tarifas, a duração será curta”, Martel falou.
Martel acrescentou que suas equipes permanecem “muito engajadas” com os clientes, e a Bombardier desenvolveu planos de contingência para vários cenários, caso enfrente complicações na entrega. “Todos os cenários que estudamos estão dando tempo [então] não seremos forçados a agir rapidamente”, Martel revelou, para acrescentar: “Estamos preparados … Não precisamos reagir rapidamente. Teremos tempo para entender o que isso significa. Se tivermos que reagir, estaremos prontos para reagir”.
Adicionalmente, Martel observou que os detalhes sobre como as tarifas podem ser implementadas e se haveria alguma isenção ainda são incertos. Mas ele disse que sua equipe está em Washington tentando defender tal cenário.
Quanto aos preparativos, ter reservas de caixa é um fator, Martel disse aos analistas. Os ajustes potenciais de produção seriam mais adiante no pior cenário. Dada a natureza do negócio, é difícil mudar rapidamente. No entanto, Martel também disse: “Se acabarmos enfrentando isso, estou confortado pelo fato de que não somos a mesma empresa que éramos em 2020 ou mesmo em 2021 e poderíamos navegar por qualquer tipo de desafio”.
Martel destacou os negócios de serviços em sólido crescimento no EUA, o progresso nos negócios de defesa e uma carteira de pedidos diversificada, principalmente com aeronaves executivas grandes prontas para entrega em mercados internacionais.
Dito isso, “o EUA continua sendo nossa principal base de clientes e acionistas. Nosso foco é encontrar soluções com uma visão de longo prazo, caso as tarifas interrompam nossa capacidade de atuar no nível de nossa ambição no curto prazo”, continuou Martel. “Mas até que tal cenário se apresente, continuaremos a imprimir cautelosamente este ano com base nos fundamentos que construímos”, completou Martel.
As observações de Martel seguem a divulgação de um documento de referência da CBAA – Canadian Business Aviation Association (associação da aviação executiva canadense), observando que as tarifas potenciais sinalizam “uma mudança significativa nas relações comerciais EUA-Canadá, com consequências econômicas potencialmente amplas. Se o Canadá responder com contramedidas, a indústria da aviação executiva poderá ver interrupções em viagens internacionais, custos operacionais mais altos e potenciais obstáculos regulatórios”. Observando os planos de continuar trabalhando com as partes interessadas e governos sobre o assunto, a CBAA divulgou que isso exige um monitoramento rigoroso para operadores, fabricantes e fornecedores de aeronaves. [EL]