Cessna S550 Citation S/II “vara” pista em pouso no Aeroporto de Jundiaí (SP), em 18.03.26


O CENIPA listou no painel SIPAER a ocorrência envolvendo o jato executivo do transporte particular Cessna S550 Citation S/II de matrícula PT-WIB, do tipo excursão de pista, registrada no dia 15/03/2026 (domingo) às 12:30Z (09:30LT), no Aeroporto Comandante Rolim Adolfo Amaro (SBJD), em Jundiaí (SP). A ocorrência foi classificada como acidente.

Conforme súmula factual inicial-preliminar, o jato decolou do aeródromo Estadual Arthur Siqueira (SBBP), em Bragança Paulista (SP), com destino do Aeroporto Comandante Rolim Adolfo Amaro (SBJD), em Jundiaí (a sudoeste, a 26 M – rota direta – ou a cerca de 30 MN por REA), em vôo de traslado, com um tripulante a bordo (em operação Single Pilot). Durante o pouso na pista 18 do destino, a aeronave extrapolou o limite longitudinal da pista, vindo parar por sobre uma via de serviço após descer por um barranco contíguo à cabeceira 36.

O jato teve danos substanciais, o piloto (único ocupante) saiu ileso. Houve danos a terceiros – materiais – supostamente na infraestrutura operacional do aeródromo.

A operadora do aeroporto de Jundiaí, a Rede VOA, informou que o piloto abandonou a aeronave sem maiores complicações e passando bem. A ocorrência foi comunicada ao Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA-IV), do CENIPA.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 09:45LT. Cerca de seis equipes foram enviadas ao aeroporto para atender a ocorrência. De acordo com os bombeiros, houve apenas vazamento de combustível após o acidente, o que acarretou no fechamento temporário do aeroporto.

Vídeo do pouso:
https://www.youtube.com/watch?v=1RWNNO88o1s

https://x.com/OnDisasters
(por Francisco Cunha)


g1 (por reprodução – Redes Sociais)


Vídeos da aeronave no ponto final e da remoção:
https://www.youtube.com/watch?v=abjA-VZOnew
https://www.youtube.com/watch?v=6LqCTtZKQI8

A aeronave foi liberada no tocante à investigação do CENIPA, após vistoria inicial. Os trabalhos da investigação relativos à ocorrência pelo CENIPA estão em andamento. Quando concluída a investigação, o Relatório Final será publicado pelo CENIPA.

O jato Cessna S550 Citation S/II de matrícula PT-WIB é o aparelho com registro de produção sn S550-0137 e fabricação 1987, registrado na categoria do transporte privado, sendo proprietário uma Pessoa Jurídica de administração de bem (o próprio jato) e operador uma Pessoa Jurídica de produção artística, de eventos e de marketing, com GRAVAME de “Cessão de uso não-onerosa”, com último registro de compra/transferência em setembro de 2024, . O jato é aprovado com 11 assentos, para nove (9) passageiros e dois pilotos (Tripulação Mínima prevista na Certificação), com MTOW de 6.849 kg (15.220 lb.). O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) estava válido até 13/03/2027 (ie, a IAM tendo sido executada às vésperas da ocorrência). O avião está em situação regular (normal) perante ANAC.

No momento do pouso, o tempo no aeroporto de Jundiaí, e região, era muito bom, com visibilidade ilimitada (10 km ou superior), com céu sem nuvens de significado operacional; o vento era fraco (inferior a 3 KT), de direção variável (com variação entre 60° e 180°), com a temperatura do ar (em ascensão) marcando 27° (às 12:00Z) e 27°C (às 13:00Z) e (alta) pressão atmosférica de 1.015 hPa.

  SBBP [2.930′] SBGR [2.461′] SBJD [2.470′] SBJH [2.549′] SBKP [2.170′]
  26 MN a NE SBJD 30 MN a SE SBJD   19 MN a SW SBJD 15 MN a NW SBJD
15/03/2026 – 10Z SPECI SBBP 151015Z 13002KT CAVOK 20/17 Q1016= METAR SBGR 151000Z 04006KT 0500 R28R/1100N R28L/1100N R10L/1400N R10R/1500N FG OVC002 17/17 Q1015= SPECI SBJD 151015Z 13006KT CAVOK 21/19 Q1014= SPECI SBJH 151030Z 07001KT 9999 0900E BCFG NSC 19/19 Q1012= METAR SBKP 151000Z 11005KT CAVOK 20/18 Q1014=
15/03/2026 – 11Z METAR SBBP 151100Z 06002KT CAVOK 21/17 Q1016= METAR SBGR 151100Z 09004KT 3000 BR SCT002 OVC004 18/18 Q1015= METAR SBJD 151100Z 11004KT 080V140 CAVOK 22/19 Q1015= METAR SBJH 151100Z 05001KT 9999 0900E NSC 20/19 Q1012= METAR SBKP 151100Z 10003KT CAVOK 22/19 Q1014=
    SPECI SBGR 151115Z 06007KT 5000 BR BKN004 19/18 Q1015=      
15/03/2026 – 12Z METAR SBBP 151200Z 05002KT CAVOK 24/19 Q1017= METAR SBGR 151200Z 06006KT 6000 BKN006 20/19 Q1016= METAR SBJD 151200Z VRB02KT CAVOK 25/19 Q1015= METAR SBJH 151200Z 05003KT CAVOK 23/18 Q1015= METAR SBKP 151200Z 02003KT CAVOK 25/18 Q1015=
    SPECI SBGR 151205Z 05007KT 9999 SCT006 21/19 Q1016=      
15/03/2026 – 13Z METAR SBBP 151300Z 28003KT CAVOK 25/18 Q1017= METAR SBGR 151300Z 07006KT CAVOK 23/19 Q1016= METAR SBJD 151300Z VRB01KT CAVOK 27/19 Q1015= METAR SBJH 151300Z 31002KT CAVOK 26/19 Q1015= METAR SBKP 151300Z 32002KT CAVOK 27/20 Q1015=
15/03/2026 – 14Z METAR SBBP 151400Z 27003KT 9999 FEW030 27/16 Q1017= METAR SBGR 151400Z 05006KT CAVOK 26/20 Q1015= METAR SBJD 151400Z 33005KT 250V020 9999 FEW030 28/18 Q1015= METAR SBJH 151400Z 32005KT 9999 FEW030 28/18 Q1015= METAR SBKP 151400Z 28004KT CAVOK 28/18 Q1014=

O aeródromo de Bragança Paulista (SBPP), em elevação de 2.930 pés, opera somente vôos VFR, com pista (16/34) de 1.200 m.

As condições meteorológicas – de tempo bom na área do vôo e nos dois aeródromos (condição VMC – operação VFR) -, e a reduzida distância do vôo – sugerem que o vôo foi executado em regra VFR, sujeito à operação por corredores (REA) da TMA-SP – como por exemplo, via posição “Atibaia” (7,5 MN a SW de SBPP), corredor “K” (entre 4.100 e 4.500 pés) até posição “Través Jarinu” (10,5 MN a NE-E de SBJD), seguindo por REA (entre 3.800 pés e 4.500 pés) até a posição “Estação” (a 4 MN a SE de SBJD), seguindo para ingresso no circuito de tráfego (com perna do vento no setor leste de SBJD), com operação com carta VAC.

Um Plano de vôo “Z” (passando para operação IFR) poderia ser com saída seguindo para fixos IAF dos procedimentos de aproximação IFR de Jundiaí – a 18,4 MN a oeste de SBPP (JD011 – IAP RNP Z RWY 18) e a 10,1 MN a sudoeste de SBPP (JD041 – IAP RNP A RWY 18).

O aeroporto Comandante Rolim Adolfo Amaro (SBJD), em Jundiaí, opera vôos VFR diurno/noturno e IFR diurno/noturno, com serviços de [1] controle de tráfego de aeródromo no período de 10:15-21:45Z (07:15-18:45LT) e [2] informação de vôo de aeródromo (AFIS) no período de 21:45-02:45Z (18:45-23:45LT), diariamente, ou como aeródromo sem serviços ATC/ATC (somente para operações VFR). O aeroporto funciona diariamente de 09:00-03:00Z (06:00-24:00LT), ou em outro horário por solicitação prévia à operadora do aeroporto.

Em elevação de 2.470 pés, o aeroporto tem pista (18/36) de 30 x 1.400 m., sem restrição para distâncias operacionais de decolagem e pouso, de asfalto (resistência PCN 21 e resistência de subleito alta). A pista é dotada de luzes de cabeceira, luzes laterais ao longo da extensão a cada 60 m., e mais luzes de pistas de taxiway; a cabeceira 18 tem sistema de indicação de rampa de aproximação de precisão (PAPI), com rampa de 3° para MEHT de 41 pés.

Perfil longitudinal da pista (18/36), como parte integrante do PBZPA (Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromo), com cotas do greide da pista em estaqueamento cada 50 m., identifica que as cabeceiras estão em elevação de 738,30 m., ou 2.422,2 pés (Est. 1 – supostamente THR 18), ie, 48 pés 14,63 m. abaixo da elevação do aeródromo, e de 752,82 m., ou 2.469,9 pés (Est. 29 – supostamente THR 18), ie, em nível com elevação do aeródromo, com um desnível entre as extremidades de 14,52 m. (47,6 pés), uma inclinação correspondente de 1,04%, com pista 18 em aclive (upslope) e com pista 36 em declive (downslope). Mas, ocorre uma variação não-linear do greide ao longo da pista, com inclinações variadas, entre o estaqueamento adotado (uma inclinação média de 1,04%) e em segmentos discretizáveis – nesse caso, podendo-se [i] por terços (aproximados) da pista, apurar inclinações de 0,70% (terço aproximado lado cabeceira 18), 1,26% (terço aproximado central) e 0,90% (terço aproximado lado cabeceira 18), resultando uma inclinação média ponderada de 0,95%, ou [ii] apurar inclinações de 0,46% (segmento  de 400 m. lado cabeceira 18), 1,29% (segmento central de 650 m.) e 0,92% (segmento de 350 m. lado cabeceira 18), resultando uma inclinação média ponderada de 0,96%.

Para operação VFR existe carta VAC, com perna do vento no setor leste (perna-base pela esquerda para pista 18 e perna-base pela direita para pista 36), com altitude mínima no circuito de tráfego de 3.800 pés (1.330 pés AAL) para avião categoria A e B e de 4.100 pés (1.630’ AAL) para avião categoria C. Pela circulação do tráfego VFR na TMA-SP por corredores (REA), para tráfego procedente de leste, a chegada pelo portão “Estádio” (a cerca de 5 MN a leste de SBJD), enquanto tráfego procedente de oeste, via Portão “Eloi” (a cerca de 1,2 MN a SW-W de SBJD) deverá fazer o cruzamento do aeródromo na sua vertical.

Para operação IFR, existem procedimentos de saída por navegação por satélite (SID RNAV) para operação das duas cabeceiras e (2) procedimentos de aproximação por navegação por satélite (IAP RNP) para pista 18 com chegada pelo setor NE – cada um, com um fixo IAF a NE do aeródromo: IAF JD041, a 15,5 MN no RM 099° do ARP-SBJD, do procedimento IAC RNP A RWY 18, e IAF JD011, a 12,9 MN no RM 140° do ARP-SBJD, do procedimento IAC RNP Z RWY 18. Os dois procedimentos de aproximação autorizam operação de aeronaves de categoria “A”, “B” e “C” procedimento (IAP). O procedimento de aproximação RNP Z RWY 18 destina-se para operação de pouso na pista 18, com aproximação direta (Straight-in), com mínimos requeridos de visibilidade de 1.600 m. (CAT. A), 2.000 pés (CAT. B) e 3.500 pés (CAT. C) com operação no modo LNAV, não prevendo aproximação circular (para pista 36); o procedimento de aproximação RNP A RWY 18 – Trajetória Visual Definida para Pista 18 – tem segmento a partir do MAPt (no fixo JD044 – a 3 MN a NE da cabeceira 18, com altitude mínima de 3.300 pés, ou 830 pés AAL) para ser executado com referências visuais, para aproximação circular (para pista 36) – com visibilidade mínima requerida de 4.000 m. (com MDA de 3.300 pés).

Um circuito de tráfego para operação na pista 18, a partir da posição “Estádio”, pode ser “modelado” para programação no navegador GNSS com aproveitamento do fixo JD044 (MAPt do IAP RNP A RWY 18) – o que resultaria um segmento quase paralelo com a pista, no través da cabeceira 18 à distância de cerca de 3 MN, para seguir (deste través) por 1,8 MN até o fixo, e girar para esquerda (75°) para perna-base (de cerca de 2,4 MN, até interceptação da Final (de cerca de 1,80 MN da interseção perna-base-Final até a cabeceira 18).

Nos setores sul e sudoeste do aeroporto resta a Serra do Japi, instando arremetidas na aproximação da pista 18 com curva para esquerda.

Em 2025, em dados do DECEA, o aeroporto de Jundiaí teve 49.301 movimentos (alta de 24,4% sobre 2024), a 19ª posição do ranking brasileiro. A aviação respondeu com 48.187 movimentos (alta de 26,8% sobre 2024), com participação de 98% do total. Da movimentação total, 34.936 movimentos (71% do total) foram operados na cabeceira 18, com 14.365 movimentos (29%) sendo operados na cabeceira 36.

Entre aeronaves com motorização à turbina, o modelo com maior operação foi o turboélice Cessna Caravan, com 2.607 movimentos (5,3%), seguido pelo jato Cessna Citation Jet C525, com 2.057 movimentos (4,2%), seguido pelos turboélices King Air série 200 (BE20), com 1.977 movimentos (4%) e série 90 (BE9L), com 1.943 movimentos (3,9%), e pelo jato Hawker (BE40), 1.418 movimentos (2,9%).