Com alta de 20%, EMBRAER supera em 28% entrega de aeronaves executivas, mas frustra expectativa do mercado na aviação comercial, no 1T25, em 04.04.25

Fonte: InfoMoney – 04/04/2025
A EMBRAER divulgou os números de entregas referentes ao primeiro trimestre deste ano (1T25), registrando um total de 30 aeronaves entregues, um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior (25 entregas). Apesar do avanço, o volume (30 entregas) ficou ligeiramente abaixo da expectativa do mercado, que projetava 31 entregas (-3,2%).
O desempenho foi marcado pela diferença entre os resultados dos segmentos de aviação comercial e executiva.
Na aviação comercial, a fabricante entregou 7 aeronaves, sendo duas unidades do modelo E195-E2 a menos do que o previsto, o que frustrou as expectativas do mercado.
Em contrapartida, a aviação executiva apresentou números superiores, com 23 jatos entregues, versus 18 jatos entregues no 1T24 (+27,8%) – um a mais (+4,5%) do que o esperado pelo mercado e quatro a mais (+21,1%) em relação às projeções do Bradesco BBI.
O Bradesco BBI divulgou que as entregas de jatos executivos foram um ponto positivo para as receitas, com um impacto de cerca de US$ 30 milhões, mesmo considerando os descontos aplicados. O banco acredita que o aumento das entregas executivas está relacionado aos esforços da companhia para distribuir melhor os envios ao longo do ano, evitando uma concentração no último trimestre.
O BBI manteve sua classificação de outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) para os ADR (recibo de ações negociados na Bolsa do EUA) da EMBRAER, com preço-alvo de US$ 60, o que significa que o banco espera que as ações superem o desempenho médio do mercado no longo prazo.
O Itaú BBA divulgou que o desempenho do primeiro trimestre não compromete as projeções para o ano, especialmente devido à sazonalidade que costuma tornar esse período mais fraco. Os analistas do BBA observam que a movimentação dos preços pode ser influenciada por uma busca de ativos com maior exposição ao risco, mas mantém uma visão otimista para os próximos meses.
O BBA também manteve sua recomendação de outperform, com preço-alvo projetado para o ADR de US$ 61.
O JPMorgan também classifica as ações como overweight, indicando que os analistas consideram a EMBRAER uma boa oportunidade de investimento em relação a outras do setor. O banco aponta que as ações estão sendo negociadas a um múltiplo de 9,3 vezes o Ebitda estimado para este ano, que representa o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, um valor competitivo frente a empresas como Airbus e Boeing.
Os especialistas do JPMorgan projetam uma backlog (carteira de pedidos) recorde de US$ 26,8 bilhões, um aumento de 27% em relação ao ano anterior, impulsionado por novos pedidos, como os 15 jatos E190-E2 para a All Nippon Airways (ANA) e quatro unidades C-390 para a Suécia.
O Santander, por sua vez, divulgou que as entregas de jatos executivos foram muito positivas, enquanto a aviação comercial apresentou desempenho mais modesto, possivelmente afetado por problemas na cadeia de suprimentos. O banco acredita que os resultados ao longo do ano tendem a ser melhores, com um fortalecimento dos volumes e margens da aviação comercial e uma demanda constante por jatos executivos.
O Santander também manteve a recomendação de outperform, com preço-alvo do ADR de US$ 59.
No outro lado da moeda, a EMBRAER reiterou suas projeções para este ano, estimando entre 77 e 85 aeronaves comerciais entregues, além de 145 a 155 jatos executivos. A fabricante espera atingir receitas de US$ 7 a 7,5 bilhões, margem EBIT (lucro antes de juros e impostos) ajustada de 7,5% a 8,3% e fluxo de caixa livre de US$ 200 milhões ou mais.
Mesmo com as oscilações do mercado e um começo de ano mais tímido na aviação comercial, os analistas do mercado financeiro afirmam que permanecem otimistas com a capacidade da EMBRAER de alcançar suas metas. As ações da companhia seguem negociadas ao redor de US$ 45,83 na NYSE (Bolsa de NY-EUA), e os próximos trimestres serão decisivos para confirmar as projeções positivas dos bancos.