Conflito no Irã causa interrupção de milhares de vôos, agravando caos nas viagens pelo Oriente Médio, em 01.03.26

Fonte: Reuters/InfoMoney – 01/03/2026
O tráfego aéreo ⁠global continuou fortemente afetado neste domingo (01), com a guerra no Irã mantendo fechados os principais aeroportos ⁠do Oriente Médio, incluindo Dubai, o hub internacional mais movimentado do mundo, pelo segundo dia consecutivo, em um dos maiores choques ‌da aviação dos últimos anos.

Os principais aeroportos de trânsito, incluindo Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar, foram fechados ou severamente restringidos, uma vez que grande parte do espaço aéreo da região permaneceu fechado após os ataques do EUA e de Israel ao Irã (inclusive matando o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei).

Israel disse que lançou outra onda de ataques ao Irã no domingo (01), enquanto explosões foram ouvidas pelo segundo dia consecutivo perto de Dubai e sobre Doha, depois que o Irã lançou ataques aéreos retaliatórios contra os Estados vizinhos do Golfo.

O Aeroporto Internacional de Dubai sofreu danos durante os ataques do Irã, enquanto os aeroportos de Abu Dhabi e Kuweit também foram atingidos.

Milhares de vôos foram afetados em todo o Oriente Médio, de acordo com dados da plataforma de rastreamento de vôos FlightAware.

A Emirates, a maior cia. aérea internacional do mundo, divulgou que suspendeu ⁠todas as ‌operações de e para o seu megahub de Dubai até segunda-feira (02).

A Catar Airways, que suspendeu todas as operações, divulgou que forneceria mais informações na segunda-feira (02).

A alemã Lufthansa prorrogou a suspensão dos vôos para a região por mais uma semana.

O espaço aéreo sobre o Irã, Iraque, Kuweit, Israel, Barein, Emirados Árabes Unidos e Catar permaneceu praticamente vazio, segundo mapas divulgados no domingo pela Flightradar24.

O serviço de rastreamento de vôos informou que um novo boletim havia prorrogado o fechamento do espaço aéreo iraniano até pelo menos 8h30 GMT do dia 03 de março, embora fontes regionais da cia. aérea tenham afirmado que não havia certeza de quanto tempo a ‘turbulência’ relacionada ao conflito continuaria.

A região e suas companhias aéreas se acostumaram com as interrupções nas viagens nos últimos anos, mas um fechamento tão prolongado de espaço aéreo – mais de 24 horas – e o fechamento dos três principais centros de trânsito aéreo do Golfo são inéditos, afirmaram analistas.

O Golfo também ​é um importante ponto de intersecção para o transporte aéreo de carga, o que aumenta ainda mais a pressão sobre as rotas comerciais, além das interrupções no transporte marítimo.

Executivos de companhias aéreas afirmaram que tripulantes estão agora espalhados pelo mundo, complicando o complexo processo de retomada dos vôos quando o espaço aéreo for reaberto.

O fechamento dos aeroportos causou um choque muito além do Oriente Médio, deixando dezenas de milhares de viajantes presos na região e em toda a Ásia e Europa.

Cerca de 4.000 vôos deveriam pousar na região no domingo (01), divulgou a empresa de análise Cirium.

Em Bali, na Indonésia, longas filas se formavam no Aeroporto Internacional I Gusti Ngurah Rai, enquanto os passageiros aguardavam para falar com a equipe da companhia aérea.

Os viajantes sentaram-se em suas bagagens enquanto aguardavam para saber ⁠os detalhes de seus vôos no Aeroporto Internacional Hazrat Shahjalal, ​em Daca, em Bangladesh, enquanto os painéis de ​embarque no Aeroporto Internacional Tribhuvan, em Katmandu, no Nepal, mostravam uma longa lista de vôos cancelados.

Dubai e a vizinha Doha estão localizadas no cruzamento das rotas aéreas leste-oeste, canalizando o tráfego de ⁠longa distância entre a Europa e a Ásia por meio de redes de vôos ​de conexão com horários rigorosos.

Com esses hubs paralisados, as aeronaves e as tripulações permaneceram retidas fora de posição, interrompendo os horários das companhias aéreas em todo o mundo.

“É o grande volume de pessoas e a complexidade”, disse o analista de aviação John Strickland, do Reino Unido. “Não são apenas os clientes, são as tripulações e as ​aeronaves em todos os lugares”, completou Strickland.

Companhias aéreas em toda a Europa, Ásia e Oriente Médio cancelaram ou redirecionaram vôos para evitar o espaço aéreo fechado ou restrito, prolongando as viagens e aumentando os custos de combustível.

A interrupção foi intensificada pela perda das ​rotas de sobrevôo do Irã e do Iraque, ⁠que se tornaram mais importantes desde que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia forçou as companhias aéreas a evitar o espaço aéreo dos dois países.

O fechamento do espaço aéreo do ⁠Oriente Médio estava restringindo as companhias aéreas a corredores mais estreitos, com os combates entre o Paquistão e o Afeganistão adicionando um risco ainda maior, disse Ian Petchenik, diretor de comunicações da Flightradar24. “O risco de uma interrupção prolongada é a principal preocupação do ponto de vista da aviação comercial”, disse Petchenik. “Qualquer escalada no conflito entre o Paquistão e o Afeganistão que resulte no fechamento do espaço aéreo teria consequências drásticas para as viagens entre a Europa e a Ásia”, completou Petchenik.

Destacando a magnitude da interrupção, a Air India cancelou seus vôos no domingo partindo de Delhi, Mumbai e Amritsar para as principais cidades da Europa e América do ​Norte.