CRCEA-SE (Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste), o espaço aéreo mais movimentado do país, em 31.12.25
Em nota no dia 30, o DECEA promoveu a importância do Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE), com sede em São Paulo.
Em um espaço que representa apenas 0,4% do território nacional, circula quase metade de todo o tráfego aéreo do Brasil. É ali, entre as rotas que conectam Rio de Janeiro e São Paulo, que o Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE) garante a segurança, a ordem e a eficiência do eixo aéreo mais movimentado do país.
O CRCEA-SE é uma das unidades mais estratégicas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). Diariamente, cerca de 2.500 vôos passam por seus controladores, o que equivale a mais da metade de todas as operações aéreas do país – somente em 2024 foram 935 mil vôos controlados – e, também, ao tráfego combinado do centro do espaço aéreo da Europa – Bélgica, Holanda e Luxemburgo –, juntos. Para se ter uma ideia da dimensão desse volume, no dia mais movimentado de 2025, 28 de fevereiro, foram registrados 6.983 vôos em apenas 24 horas na região.
“O maior desafio é garantir que os serviços de navegação aérea funcionem de forma ininterrupta e segura, 24 horas por dia, 7 dias por semana, mesmo diante desse volume gigantesco de operações. E isso exige tecnologia, planejamento e, principalmente, uma equipe altamente capacitada e comprometida”, destaca o comandante do CRCEA-SE, tenente-coronel Aviador Fábio Lourenço Carneiro Barbosa.
O espaço aéreo sob responsabilidade do CRCEA-SE abrange cinco Centros de Controle de Aproximação (APP) e 14 Torres de Controle (TWR), que coordenam o tráfego aéreo da região. Entre os 12 aeroportos mais movimentados do Brasil, sete estão localizados em sua área de atuação: Guarulhos (SBGR), Congonhas (SBSP) e Campos de Marte (SBMT), na região metropolitana de São Paulo, Campinas (SBKP), no Estado de SP, e Galeão (SBGL), Jacarepaguá (SBJR), Santos Dumont (SBRJ), na cidade do Rio de Janeiro.
A densidade de tráfego também impressiona. São mais de 10 vôos por quilômetro quadrado, o que corresponde a 55 vezes a média do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB).
Com 78 anos de história, o CRCEA-SE foi “berço” de grandes marcos da aviação brasileira.
Foi em sua área que entraram em operação a primeira torre de controle do país, o primeiro centro de controle e o primeiro radar da América do Sul. Desde sua criação, em 27 de junho de 1947, a unidade se mantém à frente nas áreas tecnológica e operacional.
Um dos exemplos mais emblemáticos é o HELICONTROL, sistema desenvolvido para gerenciar o maior tráfego de helicópteros do planeta, o da cidade de São Paulo. Único no mundo, o HELICONTROL opera a partir da torre de controle de Congonhas (TWR-SP) e coordena milhares de vôos diários sobre o cenário urbano paulistano. Até setembro de 2025, mais de 28 mil movimentos de helicópteros já haviam sido registrados, praticamente igualando o total de todo o ano de 2024, que atendeu pouco mais de 30 mil.
“Essa complexidade evidencia o altíssimo nível técnico da nossa equipe, que garante um serviço de navegação aérea com padrão internacional de segurança e eficiência”, ressalta o tenente-coronel Barbosa.
Outro destaque é a Torre Digital da Base Aérea de Santa Cruz (SBSC), no Rio de Janeiro, sendo a primeira do hemisfério Sul. Nela, controladores de tráfego aéreo monitoram as aeronaves por meio de imagens captadas por câmeras que oferecem uma visão de 360° da área, exibidas em telas de alta definição.
A atuação do CRCEA-SE vai muito além do controle de vôos comerciais e militares. A unidade também tem papel decisivo em operações especiais e em grandes eventos nacionais e internacionais. Um exemplo é o Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo, quando o Centro instala uma torre de controle provisória e uma sala de apoio no Autódromo de Interlagos para coordenar helicópteros, drones e voos de emergência médica em tempo real.
Além disso, a criação da Célula Drones marcou mais um avanço na integração segura de aeronaves não tripuladas das forças de segurança pública ao tráfego aéreo convencional. Essa medida garante que todas as aeronaves possam operar com segurança, mesmo diante da complexidade das operações.
Nos últimos anos, o CRCEA-SE tem implementado uma série de projetos de modernização e inovação operacional. Entre eles, destacam-se a melhoria da circulação aérea na região de Campinas e nos corredores visuais de São Paulo, e a otimização das operações do aeroporto do Galeão, o que tem proporcionado maior fluidez dos fluxos de tráfego aéreo.
Outro avanço importante é a redução do ponto de corte nas operações do Aeroporto do Galeão, permitindo maior alternância entre pousos e decolagens e, consequentemente, mais eficiência na utilização da pista.
Já no campo humano, uma das iniciativas mais promissoras é a implantação de um sistema de monitoramento de atenção do controlador, que representa um avanço significativo no gerenciamento da fadiga. Essa inovação contribuirá diretamente para a segurança operacional e para a melhoria da qualidade de trabalho dos profissionais.
“O CRCEA-SE exige uma atuação de comando em múltiplas camadas da administração de um provedor de serviço de navegação aérea, técnica, operacional, logística e, principalmente, humana. Gerenciar as pessoas que compõem essa estrutura é um dos pilares fundamentais neste grande desafio”, enfatiza o comandante do CRCEA-SE, tenente-coronel Aviador Fábio Lourenço Carneiro Barbosa.
Com uma equipe de cerca de 1.300 profissionais civis e militares, sendo mais de 700 controladores de tráfego aéreo, o CRCEA-SE administra o presente e planeja o futuro. As projeções indicam que até 2027 a unidade deverá ultrapassar a marca de um milhão de vôos por ano, consolidando-se como um dos centros de controle mais movimentados da América do Sul.
