DECEA/CINDACTA-III promove Reunião de Coordenação do Projeto PBCS na Região de Informação de Vôo Atlântico, com representantes da indústria, operadores aéreos e organizações da comunidade aeronáutica para alinhar a fase final de implementação do conceito no espaço aéreo oceânico sob responsabilidade do Brasil, em 21.03.26
Em nota no dia 20, o DECEA divulgou que o CINDACTA-III (Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) sediou, nos dias 18 e 19 (de março), a Reunião de Coordenação do Projeto PBCS na Região de Informação de Vôo Atlântico (FIR SBAO).
Promovido pelo DECEA, o encontro reuniu em Recife (PE) representantes da indústria, operadores aéreos e organizações da comunidade aeronáutica para alinhar a fase final de implementação do conceito no espaço aéreo oceânico sob responsabilidade do Brasil.
A programação do evento refletiu o estágio avançado do projeto.
No primeiro dia, foram apresentados aspectos gerenciais, operacionais, técnicos e normativos, além de temas como gerenciamento de risco, sistemas automatizados e ciclo de monitoramento PBCS. Também houve atualização sobre o grupo regional SAT/IMG (South Atlantic Implementation Management Group -, Grupo de Gestão de Implementação do Atlântico Sul) da OACI (Organização da Aviação Civil Internacional) e uma visita técnica ao Centro de Controle de Área Atlântico (ACC-AO).
No segundo dia, os debates incluíram a aplicação do PBCS no Atlântico Norte, alinhamento com stakeholders e consolidação dos encaminhamentos finais.
A agenda foi estruturada para cobrir os diferentes eixos do projeto, dando espaço a abordagem de temas regionais, monitoramento do desempenho, bem como no alinhamento direto com os stakeholders. A participação ativa dos representantes, inclusive, foi um dos destaques. As sessões abertas de perguntas, previstas após cada apresentação, ampliaram o debate para dirimir dúvidas em tempo real, formato que favoreceu o intercâmbio de ideias entre provedores de serviço, operadores, indústria e associações, fortalecendo o caráter colaborativo e contribuindo para decisões mais alinhadas entre os envolvidos.
“A importância da realização de um evento em que todos os entes que participam de um projeto estão juntos é retirar dúvidas, esclarecer questões, na busca pela consolidação do projeto de forma mais célere”, afirmou o sargento João Batista dos Santos Silva Junior, representante do Subgrupo Técnico do Projeto PBCS, para quem o encontro funcionou como um fórum de integração.
A indústria ressaltou o impacto do projeto. Para Victor Jordão Rodrigues, analista de engenharia de operações da LATAM, “o encontro foi importante para reunir os especialistas, com o propósito de melhorar o provimento do serviço de controle do espaço aéreo (…), com ganho de eficiência e redução de consumo de combustível”.
O conceito Comunicação e Vigilância Baseadas em Performance (PBCS – Performance-Based Communication and Surveillance) é um padrão da OACI que estabelece requisitos de desempenho para comunicações e vigilância no gerenciamento do tráfego aéreo. Na FIR Atlântico, área remota e sem cobertura radar, o conceito permite reduzir separações entre aeronaves com segurança e aumentar a eficiência do fluxo.
De acordo com o gerente do projeto, major Marcelo Mello Fagundes, “a implementação do PBCS na FIR Atlântico está alinhado a iniciativas globais. Na região do Atlântico Sul, há previsão de melhoria do gerenciamento de tráfego aéreo e do estabelecimento de novos mínimos de separação reduzidos entre a América do Sul e a Europa”, afirmou o oficial, destacando a adequação da solução ao projeto 30/10 da OACI, que prevê separações de até 30 milhas náuticas em espaços aéreos oceânicos remotos em todo o mundo.
Como resultado, a reunião consolidou o alinhamento técnico e institucional necessário para a etapa final do projeto. Foram harmonizados entendimentos, atualizados cenários e reforçada a coordenação entre os diversos atores. A expectativa é avançar na implementação do PBCS, com ganhos em capacidade, eficiência e previsibilidade das operações aéreas no espaço aéreo sob responsabilidade brasileira sobre o Oceano Atlântico.
Participaram do evento representantes da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Agência Regional de Monitoração do Caribe e América do Sul (CARSAMMA), Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (ABRAPAC), SITA, ATECH e das principais companhias aéreas brasileiras.
