DECEA debate telecomunicações via satélite e defesa cibernética, em 10.05.26


Em nota no dia 06, o DECEA divulgou que reuniu, no dia 04, representantes de diferentes organizações do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) para um debate sobre o futuro das telecomunicações, da conectividade espacial e da segurança cibernética no setor aeronáutico. Na ocasião, foi promovida uma palestra com o representante das empresas UNISAT e Integrasys, José Raimundo Cristovam.

Realizado no auditório do Grupo Especial de Inspeção em Vôo (GEIV), no RJ, promovido pelo Subdepartamento Técnico do DECEA, o evento foi dividido em dois painéis. O primeiro abordou a evolução das telecomunicações na era da inteligência artificial e o espaço como “quarta força de defesa”. O segundo tratou das comunicações por radiofrequência (RF) e dos sistemas SATCOM diante do avanço das megaconstelações de satélites.

A iniciativa reuniu profissionais do DECEA, da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA), do Parque de Material de Eletrônica do Rio de Janeiro (PAME-RJ), do Primeiro Grupo de Comunicações e Controle (1º GCC) e de organizações regionais do DECEA. Entre os temas debatidos estiveram os satélites de órbita geoestacionária (GEO), média órbita (MEO), baixa órbita (LEO) e o conceito D2D (Device-to-Device), que permite comunicação direta entre dispositivos sem depender exclusivamente de infraestrutura terrestre tradicional.

Durante a palestra, Cristovam destacou as “telecomunicações como o novo campo de batalha da cibersegurança”. “Com o aumento da dependência de sistemas conectados, enlaces satelitais e infraestrutura digital, cresce também a necessidade de proteger redes críticas contra ataques cibernéticos, interferências e tentativas de interrupção dos serviços”, afirmou Cristovam.

Nesse cenário, a integração entre telecomunicações, defesa cibernética e controle do espaço aéreo passa a ocupar posição estratégica para a aviação civil e militar. A expansão das constelações de satélites e o avanço da computação em nuvem trazem ganhos operacionais, mas também impõem novos desafios relacionados à proteção de dados, à resiliência das comunicações e à continuidade dos serviços ATM (gerenciamento de tráfego aéreo).

Para Cristovam, o emprego de satélites de baixa órbita também desponta como alternativa para ampliar a disponibilidade dos serviços de tráfego aéreo. “A tecnologia oferece menor latência e maior cobertura em áreas remotas, oceânicas e de difícil acesso, pontos sensíveis para a continuidade operacional da navegação aérea”, destacou.

No âmbito do SISCEAB, os sistemas satelitais exercem papel relevante para garantir a comunicação entre aeronaves e órgãos de controle, especialmente em regiões afastadas da infraestrutura terrestre convencional. Os enlaces via satélite permitem ampliar a cobertura operacional, apoiar serviços de vigilância e comunicação aeronáutica e assegurar maior regularidade ao fluxo aéreo.

Além de reforçar a segurança operacional, essas tecnologias contribuem para a eficiência da circulação aérea, reduzindo limitações de cobertura e aumentando a confiabilidade das comunicações em áreas continentais e oceânicas sob responsabilidade brasileira.