Em fórum regional da NBAA, agentes debatem o mercado de jatos executivos, apontando demanda constante e estoque de aeronaves usadas baixo, em 27.05.26
Em post no dia 22 na plataforma online da AIN, o editor de serviços da aviação executiva da mídia Curt Epstein repercutiu o atual momento do mercado de jatos executivos em um painel de discussão do assunto no Fórum Regional (nordeste) de White Plains da NBAA (associação da aviação executiva americana), no Aeroporto do Condado de Westchester (KHPN), em Nova York, realizado no dia 20.
Epstein repercutiu que o mercado de jatos executivos novos e usados permanece muito restrito em termos de disponibilidade, de acordo com o analista de dados e veterano do setor, Rolland Vincent, da consultoria Rolland Vincent Associates, que moderou painel de discussão sobre o assunto no Fórum Regional de White Plains.
Epstein revelou que, ao abordar os atrasos das principais fabricantes de equipamentos originais (OEM), Roland observou: “Se você é um fabricante neste setor, está com dois ou três anos de trabalho acumulado, o que é uma boa posição para eles”. Roland acrescentou que as cinco principais fabricantes de jatos executivos (Bombardier, Dassault, EMBRAER, Gulfstream e Textron) estão se aproximando de uma carteira de pedidos no valor de quase US$ 63 bilhões. “Acho que veremos alguns fabricantes, pelo menos dois, atingirem a marca de 200 unidades [entregues] por ano em breve”, apontou Roland.
Apesar desses enormes atrasos, Edward Kilkeary III, sócio-gerente da Avpro, elogiou a abordagem ponderada das fabricantes de aeronaves em relação as suas taxas de produção. “Com as mudanças que fizeram em termos de processo, controlando a produção, gerenciando melhor os preços e, francamente, transformando o que historicamente era um ativo depreciável em um ativo menos depreciável. Então, acho que nossos clientes certamente apreciam isso”, avaliou Edward.
No entanto, para um cliente que busca adquirir uma nova aeronave, isso apresenta preocupações imediatas.
“O prazo médio de entrega é de, no mínimo, um ano e meio; alguns chegam a dois, três e até quatro anos”, disse Josh Mesinger, vice-presidente da corretora de aeronaves Mesinger Jet Sales, com sede no Colorado. “O [Bombardier] Challenger 3500 tem previsão de entrega para 2030”, discorreu Mesinger.
Embora as fabricantes de aeronaves tenham mantido a disciplina na produção, esses longos prazos para entrega fizeram com que o estoque no mercado de usados, principalmente entre aeronaves novas, se reduzisse consideravelmente, em um cenário que Roland descreve como “um mercado de vendedores vibrante, com demanda constante”.
Para ilustrar, Roland usou dados que mostram a disponibilidade no mercado de três modelos atuais, em três segmentos de mercado diferentes: o EMBRAER Phenom 300E (do segmento de jatos leves), o Challenger 350 (do segmento de jatos médios) e o Gulfstream G650ER (do segmento de jatos cabine larga – fora de produção) . “Esses são três aviões muito populares”, disse Roland para a platéia, explicando que cada modelo possui aproximadamente 400 aeronaves em sua frota. “Se eu quiser uma aeronave com matrícula [americana] N, baseada no EUA e entregue nos últimos cinco anos, as opções são praticamente nulas”, apontou Roland.
Embora o estoque geral tenha aumentado um pouco desde o período pós-Covid de 2022, quando a disponibilidade de jatos particulares despencou para 3% da frota existente, o estoque de jatos de grande porte e ultralongo alcance é atualmente o mais baixo, com 3,6%, seguido pelo de jatos supermédios, com 5,1%.
Mesinger explicou que, em um mercado com disponibilidade tão limitada, é preciso um esforço coletivo para satisfazer seus clientes. Por isso, Mesinger se beneficia de fazer parte de um setor pequeno, porém acolhedor, e costuma discutir as necessidades dos clientes com seus colegas em busca de indícios sobre aeronaves que em breve estarão disponíveis no mercado. “Temos ótimos relacionamentos com nossos colegas. Estamos sempre atentos e fazendo todas as ligações possíveis”, revelou Mesinger.
E quando uma aeronave adequada, com o histórico correto, aparece a um preço aceitável, Mesinger aconselha seus clientes a estarem prontos para fechar negócio: “Quando você está atuando ativamente no mercado hoje em dia, tudo precisa estar preparado para agir rapidamente e tudo precisa estar configurado: tenha a equipe certa, tenha a assessoria certa, tenha sua carta de intenções pronta, saiba no que está se metendo”.
Devido à escassez de aeronaves usadas, aqueles que precisam de vôos imediatos devem buscar outras opções, segundo Kilkeary. “Acho que é por isso que estamos vendo tanta demanda no segmento de fretamento, vôos suplementares, arrendamentos fracionados e coisas do tipo, que estão preenchendo essa lacuna enquanto as pessoas aguardam esses prazos excepcionais”.
Em termos de clientela, ambos os corretores notaram um perfil demográfico mais jovem.
“Eu diria que a riqueza está definitivamente mudando de mãos. Está ficando mais jovem, está ficando mais eficiente e acho que, como consequência, essa nova geração de proprietários valoriza a proposta que a aeronave representa”, explicou Kilkeary.
Com o setor enfrentando o aumento dos preços dos combustíveis como resultado da guerra no Irã, Mesinger observou alguns efeitos iniciais no mercado. “Acho muito provável que esteja começando a afetar as viagens corporativas, mas, no geral, não está afetando a demanda por aeronaves de qualquer porte com as quais lido diariamente”, opinou Mesinger.
Na crise do setor que se seguiu à recessão econômica global de 2008, as fabricantes de aeronaves ficaram com dezenas de aeronaves estocadas devido a pedidos cancelados. Kilkeary observou que a situação é diferente agora para aqueles que têm aeronaves encomendadas e que podem recuar em relação aos seus projetos.
“Um diferencial importante é que as fabricantes de equipamentos originais estão exigindo depósitos significativos. Em 2008, as pessoas simplesmente desistiam da compra e devolviam as aeronaves às fabricantes, mas hoje estamos falando de, em alguns casos, até 20% do valor do ativo em multas por quebra de contrato”, Kilkeary explicou.
Ambos os corretores concordaram que, embora a inteligência artificial (IA) possa ser uma ferramenta útil, ela nunca substituirá os humanos. “Não acredito que a IA será capaz de avaliar aeronaves com precisão, de realmente substituir nossos departamentos de pesquisa e os membros de pesquisa de nossas equipes. É preciso construir relacionamentos”, opinou Mesinger. [EL]
