Gulfstream confirma para AIN o atraso na certificação canadense dos modelos G500, G600, G700 e G800, em 04.02.26
Em post no dia 03 na plataforma online da AIN, o editor-chefe da mídia Charles Alcock repercutiu que a fabricante aeronaves executivas Gulfstream (sediada em Savannah, na Georgia/EUA) confirmou que possui pedidos de certificação canadense pendentes para seus jatos (de nova geração) dos modelos G500, G600, G700 e G800.
A confirmação ocorre na esteira da declaração do presidente do EUA Donald Trump, no final da semana passada, de que pretende revogar a certificação de todas as aeronaves canadenses, incluindo os jatos Bombardier Global, em retaliação aos atrasos na aprovação desses jatos bimotores cabine larga da Gulfstream no Canadá, pela autoridade Transport Canada.
Em uma publicação no Truth Social no dia 29 de janeiro, o presidente Trump afirmou especificamente que a revogação das aprovações para aeronaves canadenses permaneceria em vigor até que os jatos da Gulfstream fossem “totalmente certificados” pela Transport Canada. O presidente Trump também ameaçou impor tarifas de 50% sobre qualquer aeronave produzida no Canadá e vendida no EUA, acusando autoridades canadenses de bloquear as exportações da Gulfstream para o país.
Uma porta-voz da Gulfstream disse para a AIN que a fabricante possui quatro aeronaves com certificação da FAA e da EASA aguardando certificação da Transport Canada. Os pedidos para os modelos G500 e G600 estão pendentes há cerca de seis (6) anos, e os pedidos para os modelos mais novos, G700 e G800, foram feitos em 2024 (ie. Por completar 2 anos).
A Gulfstream afirmou que esses pedidos ainda não foram aprovados “apesar do Acordo Bilateral de Segurança da Aviação EUA-Canadá de longa data e de seu Procedimento de Implementação para Aeronavegabilidade”.
A Transport Canada não respondeu (até a postagem) diretamente a questionamentos da AIN sobre o status atual dos pedidos de certificação Tipo para as quatro aeronaves da Gulfstream.
No dia 30, seguinte à declaração do presidente Trump, o ministro dos Transportes do Canadá emitiu a seguinte declaração:
“Ontem à noite, conversei com o CEO da Bombardier e, hoje cedo, tive uma ligação com a alta direção da General Dynamics [empresa controladora da Gulfstream]. Manteremos contato próximo. Os funcionários do Ministério dos Transportes do Canadá estão em comunicação com seus homólogos no EUA, e nosso governo está trabalhando ativamente nessa situação. A indústria da aviação canadense é segura e confiável. Nós a apoiaremos”.
No mercado paira também alguma incerteza sobre se a fabricante americana (de Wichita, no Kansas) Textron Aviation poderá enfrentar atrasos na certificação canadense de seus nos jatos maiores da linha Cessna Citation. Uma busca rápida no banco de dados de Certificação Tipo canadense não revelou a homologação/aprovação para os dois modelos maiores – os jatos médios Latitude (certificado pela FAA em 2019 e, desde então, aprovado 40 países) e Longitude (certificado pela FAA em 2019 e pela EASA em 2021). Alcock observa que, no entanto, não se sabe ao certo se a Textron Aviation solicitou a aprovação dos dois jatos e quando dessa solicitação.
Alcock também cita que, frequentemente, as fabricantes buscam aprovação conjunta da FAA, EASA e Transport Canada, mas, às vezes, isso depende da demanda do mercado, e as aprovações podem ocorrer em momentos diferentes.
Até o fechamento da edição diária da AIN, e a postagem de Alcock, a Textron não respondeu às perguntas da AIN sobre o assunto.
Alcock observa que grupos do setor de aviação executiva pouco se manifestaram publicamente em resposta à declaração do presidente Trump, muitos adotando uma postura de cautela para aguardar o desenrolar da situação.
Alcock aponta que a FAA também não indicou como pretende implementar a revogação dos Certificados Tipo, mas a Casa Branca afirma que a “descertificação” de aeronaves envolveria apenas aeronaves novas — e não as em serviço.
Segundo Alcock, nos bastidores especialistas questionam se o governo do EUA possui base legal para revogar Certificados Tipo por motivos que não sejam questões de segurança. Havia preocupação sobre se a ameaça de sanções às aeronaves canadenses poderia reverter a isenção para produtos aeroespaciais, conquistada com muito esforço no ano passado, logo após a declaração do “Dia da Libertação” (Liberation Day) pelo presidente Trump, em 02 de abril de 2025, quando do anúncio de uma “tarifaço” sobre produtos importados no EUA.
Em uma sessão especialmente convocada durante a conferência anual (edição 2026) da CJI – Corporate Jet Investor (Investidor de Jato Corporativo) -, em Londres, na noite de segunda-feira dia 02, diversos especialistas jurídicos e da indústria abordaram as ramificações. O consenso geral foi de que não há base legal para a descertificação de aeronaves conforme proposto e que, assim como no ano passado, o alcance da implementação de quaisquer novas tarifas é incerto.
Na semana passada, em manifestação após a declaração do presidente Trump, a Bombardier reiterou que possui extensas atividades de fabricação no EUA e que tem cerca de 2.800 fornecedores e 3.000 funcionários no país. [EL]
