Líderes da indústria de aeronaves pressionam por melhorias na certificação e validação da FAA e na harmonização de certificação entre agências regulatórias mundiais, em 23.02.26
Em post no dia 20 na plataforma online da AIN, a editora da revista mensal da mídia Kerry Lynch repercutiu com uma mobilização na indústria aeronáutica para aviação geral com possível advento de aprimoramentos em processo de certificação da FAA.
Lynch postou que líderes da indústria estão animados com o impulso para aprimorar o processo de certificação na FAA, mas continuam a pressionar por mudanças necessárias nas burocracias que, segundo eles, atrasam a introdução de tecnologias que aumentam a segurança. Ao mesmo tempo, líderes da indústria veem a necessidade de reequilibrar os esforços de validação que podem ter se dessincronizado internacionalmente — uma questão que, segundo eles, foi destacada pela recente declaração da Casa Branca que comandaria a revogação das certificações da Bombardier se o Canadá não avançar com as aprovações de jatos de nova geração da Gulfstream, que estão pendentes há muito tempo.
Durante a conferência de imprensa anual da Associação de Fabricantes de Aviação Geral (GAMA) – do “Estado da Indústria” -, ocorrida no dia 18, o presidente e CEO James Viola mencionou um estudo da Mitre, encomendado pelo Congresso, sobre o futuro do processo de certificação Tipo para a FAA.
O estudo identificou caminhos para alavancar a supervisão da segurança e a responsabilização das partes interessadas, juntamente com o uso de ferramentas como digitalização e técnicas de modelagem. Esse estudo também defendeu uma abordagem mais baseada em riscos (risk based) do que a atualmente empregada pela FAA.
“Estamos satisfeitos que a FAA esteja revisando essas idéias, bem como analisando como introduzir melhorias de segurança e ações corretivas no processo de certificação, além de avaliar as melhores práticas e ferramentas utilizadas por outras autoridades”, Viola declarou.
Viola também mencionou Projetos de Lei apresentados em conjunto no Congresso do EUA – Câmara dos Deputados e no Senado – visando aprimoramentos para melhorar a transparência e estabelecer diretrizes para as agências, bem como uma reorganização na FAA que elevou a certificação para a alçada direta do Administrador Adjunto da FAA, Chris Rocheleau.
No entanto, Viola acrescentou: “os desafios ainda existem … o nível de dificuldade ainda existe. Continuamos tentando superá-los”. Viola citou, como exemplo, o fato de que, durante uma reunião recente, membros da FAA insistiram que seus funcionários desejam trabalhar remotamente. “Minha resposta foi encaminhá-los aos fabricantes se eles querem trabalhar remotamente. Sim, ainda há muita distração [desvio] acontecendo”, Viola disse. Mas nem todas essas distrações recaem sobre os ombros da FAA, acrescentou Viola, apontando para a paralisação de 40 dias e as dificuldades de manter a força de trabalho motivada diante disso.
O presidente e CEO da fabricante Textron Aviation, Ron Draper, elogiou a FAA por trabalhar para implementar melhorias. “Eles estão trabalhando. Estão contratando. Estão tentando treinar pessoas. Vemos progresso, então eu os parabenizo, porque eles enfrentaram rotatividade de pessoal, mudanças na liderança e diversos obstáculos”, disse Draper. Dito isso, “eu os desafiaria a reconhecer que há muitas melhorias que podem ser feitas, e acho que eles também sabem disso”, continuou Draper.
Quanto ao trabalho com a comunidade internacional, Viola observou que a GAMA “tem defendido um foco contínuo entre todos os órgãos reguladores para aprimorar o processo de validação, e acreditamos que existem algumas idéias que ajudariam a avançar nesse sentido”.
Questionados sobre a recente ameaça da Casa Branca de revogar os certificados Tipo das aeronaves da Bombardier devido à pendência de certas validações de jatos executivos de nova geração da Gulfstream no Canadá, os líderes presentes no evento da GAMA não mencionaram especificamente a fabricante canadense.
Em vez disso, Draper (da Textron) afirmou: “Embora as [autoridades nacionais de aviação] tenham acordos de reconhecimento mútuo de certificações, existe atrito entre as nossas agências de certificação. E acho que isso apenas evidenciou o problema”. Draper prosseguiu dizendo que essas questões sempre estiveram presentes na aviação e pontuou: “Às vezes, é preciso trabalhar nisso e precisamos de alinhamento entre essas regulamentações”.
O setor trabalha em estreita colaboração com as agências reguladoras para promover a harmonização.
“Os reguladores se reúnem e chegam a acordos bilaterais. Ocasionalmente, se o acompanhamento não for feito corretamente, as coisas saem do equilíbrio, e esta foi uma oportunidade, creio eu, para reequilibrar alguns aspectos da situação”, concordou Viola.
Draper acrescentou que, como fabricante, “não projetamos e fabricamos apenas para o Estados Unidos, Brasil ou Europa. O produto precisa atender aos padrões de certificação de todas essas agências. E, uma vez que o façamos, como conseguimos que todas essas agências o reconheçam?”. Draper afirmou ainda que essa é uma questão recorrente que o setor discute frequentemente com as agências. “Como setor, como podemos ajudar a resolver esse problema?”. Draper concordou que a declaração da Casa Branca destacou uma questão de certificação: “pode haver bons motivos para isso. Pode ser apenas uma questão de carga de trabalho, recursos ou qualquer outro fator. Então, acho que precisamos apenas ter uma perspectiva”.
Viola também enfatizou a importância de padrões harmonizados: “Não deveríamos ter que fabricar aviões diferentes para cada país. Deveríamos ser capazes de produzir uma aeronave padrão que pudesse ser vendida em todos os lugares e que pudesse voar em todos os lugares. Nosso objetivo é como podemos trabalhar juntos e cooperar nesse sentido”. [EL] – c/ fonte
