Noticiário econômico – mercado do petróleo cai mais de 12% na semana após cessar-fogo entre EUA e Irã
O petróleo fechou em queda nesta sexta-feira, 10, aprofundando a baixa semanal, com as negociações entre Estados Unidos e Irã previstas para ocorrer no sábado, 11. A commodity operou volátil no pregão, em meio às persistentes tensões no Estreito de Ormuz, que permanece em grande parte fechado apesar do acordo de cessar-fogo firmado há três dias.
Por volta das 16h (horário de Brasília), o Brent recuava 1,46%, negociado a US$ 94,48 por barril, enquanto o WTI caía 1,67%, para US$ 96,23.
Negociado na New York Mercantile Exchange (NYMEX), o petróleo WTI para maio fechou em queda de 1,33% (US$ 1,30), a US$ 96,57 o barril. Já o Brent para junho cedeu 0,75% (US$ 0,72), a US$ 95,20 o barril, negociado na Intercontinental.
Exchange de Londres (ICE). Na semana, o WTI recuou 13,4% e o Brent cedeu 12,7%.
O petróleo WTI chegou a tocar os US$ 100 por barril ao longo do pregão, em meio a crescentes sinais de fragilidade na trégua entre os países envolvidos no conflito no Oriente Médio.
Na véspera, quinta dia 09, os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta quinta-feira, 9, ainda impulsionados por prêmios de risco diante das tensões elevadas no Oriente Médio, embora tenham reduzido grande parte dos ganhos ao longo da tarde após sinais de possível avanço diplomático envolvendo Israel e Líbano. O petróleo WTI para maio negociado na New York Mercantile Exchange (NYMEX) fechou em alta de 3,66% (US$ 3,46), a US$ 97,87 o barril. Já o Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), avançou 1,23% (US$ 1,17), a US$ 95,92 o barril.
Um dos pontos do impasse, Líbano e Israel farão uma ligação com participação dos Estados Unidos nesta sexta, após informações conflitantes sobre a extensão do cessar-fogo ao Hezbollah no sul do território libanês.
Autoridades dos Estados Unidos e do Irã trocaram ameaças, elevando o risco de deterioração das negociações bilaterais previstas para o sábado, no Paquistão.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou hoje que um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos bloqueados do Irã devem ser cumpridos antes do início das conversas.
Já o vice-presidente americano, JD Vance, que irá liderar o lado americano nas conversas, alertou que Teerã não deve “brincar” com os EUA.
Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha adotado inicialmente um tom otimista sobre a resolução do conflito, ele voltou a ameaçar Teerã e disse que a “única razão para a liderança iraniana estar viva é para negociar”. Na véspera, o republicano já havia criticado o Irã em relação à cobrança de taxas para a travessia de petroleiros no Estreito de Ormuz.
A XS.com pontua que a recente recuperação não indica necessariamente escassez real de oferta, mas sim a reintrodução de prêmios de risco, com o mercado reagindo a choques geopolíticos de curto prazo. A casa destaca que o WTI tende a permanecer volátil, oscilando dentro de uma faixa ampla enquanto persistirem incertezas sobre a escalada do conflito.
Na mesma linha, o ANZ Research avalia que a recuperação da oferta global deve ser apenas parcial no curto prazo, em meio a danos na infraestrutura energética e gargalos logísticos. Para a instituição, esse cenário pode sustentar preços elevados por mais tempo e aumentar a volatilidade, com risco de perdas permanentes de capacidade produtiva.
Já o Goldman Sachs revisou para baixo sua projeção para os preços do petróleo no segundo trimestre após o cessar-fogo temporário entre EUA e Irã, citando menor prêmio de risco no curto prazo. O banco americano prevê que o Brent ficará em US$ 90 o barril e o WTI em US$ 87 o barril no período, de US$ 99 e US$ 91 antes, respectivamente. Ainda assim, o Goldman ressalta que os riscos seguem inclinados para cima, diante da possibilidade de novas interrupções na oferta.
Para analistas do ING, mesmo que o trânsito pelo Estreito de Ormuz seja retomado, a normalização da oferta de energia não deve ser imediata. “A produção já foi reduzida em campos de petróleo e gás, enquanto operações de refinarias foram limitadas ou temporariamente interrompidas, indicando que parte das interrupções no fornecimento pode levar semanas, ou mais, para ser totalmente revertida”, explicam.
A alta nos preços do petróleo segue pressionando os custos de energia. Nos Estados Unidos, o salto foi 10,9% em março ante fevereiro, puxado pelo aumento de 21,2% da gasolina. Já no Japão a primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou que fará uma nova liberação de reservas estratégicas de petróleo, equivalente a cerca de 20 dias de consumo, a partir do início de maio.
Fonte: InfoMoney – 10/04/2026
