Riscos de vôo no Golfo continuam apesar do cessar-fogo da guerra no Irã, com operadores de aeronaves sendo alertados para necessidade de avaliações de risco em tempo real, em 10.04.26


Em post no dia 09 na plataforma online da AIN – Gulf flight risks continue despite Iran ceasefire -, o líder de editorial da mídia Charles Alcock repercutiu a situação de momento da aviação no Golfo Pérsico – de continuidade de riscos a despeito do cessar fogo na guerra do Irã.

Três dias após o início de um cessar-fogo de duas semanas na guerra no Irã, os operadores de aeronaves ainda enfrentam sérios riscos de segurança em vôos dentro e ao redor da região do Golfo Pérsico, de acordo com a International SOS, escreveu Alcok.

Em um briefing na manhã do dia 09, o grupo de gerenciamento de riscos alertou que ainda há muita incerteza sobre a segurança nos aeroportos em toda a região, e a reabertura parcial de alguns espaços aéreos é desigual e condicional.

Enquanto isso, a EASA estendeu (revisou) no dia 09 hoje seu boletim informativo de zonas de conflito (CZIB – Conflict Zone Information Bulletin) para o espaço aéreo do Oriente Médio e a região do Golfo Pérsico – Airspace of the Middle East and Persian Gulf -, que permanecerá em vigor até 24 de abril.
https://www.easa.europa.eu/en/domains/air-operations/czibs/2026-03-r6

A agência européia continua a instar todos os operadores a evitarem o espaço aéreo em todos os níveis de vôo, exceto em alguns corredores na Arábia Saudita e em Omã acima do Nível de vôo 320 (FL320). Salvo especificação em contrário, todas as altitudes/níveis de vôo no espaço aéreo de:
– Arábia Saudita (FIR Jeddah – OEJD),
– Bahrein (FIR Bahrein – OBBB),
– Irã (FIR Teerã – OIIX),
– Iraque (FIR Bagdá – ORBB),
– Israel (FIR Tel Aviv – LLLL),
– Jordânia (FIR Amã – OJAC),
– Kuwait (FIR Kuwait – OKAC),
– Líbano (FIR Beirute – OLBB),
– Omã (FIR Muscat – OOMM),
– Catar (Doha FIR – OTDF), e,
– Emirados Árabes Unidos (Emirates FIR – OMAE).

Portanto, são afetados os países Bahrein, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait e Líbano.

Recomendações: o boletim (CZIB) recomenda aos operadores aéreos:
– não operar no espaço aéreo afetado em todos os níveis de vôo e altitudes, com a exceção especificada no ponto abaixo.
– não operar abaixo do FL 320 no espaço aéreo da Arábia Saudita e de Omã localizado ao sul dos segmentos definidos pelos seguintes pontos de notificação obrigatória, respeitando a sequência abaixo:
[1] OBSOT 295451N373455E
[2] DANOM 225454N450509E
[3] KEDON 200516N555850E
[4] VELOD 234617N573430E
– implementar um processo de monitoramento robusto e uma avaliação de risco atualizada ao pretender operar no espaço aéreo especificado no ponto acima.
– monitorar atentamente os desenvolvimentos do espaço aéreo na região e acompanhar todas as publicações aeronáuticas disponíveis sobre a região, incluindo as informações compartilhadas por meio da Plataforma Europeia de Compartilhamento de Informações e Cooperação sobre Zonas de Conflito, juntamente com as orientações ou diretrizes disponíveis de suas autoridades nacionais.

Os operadores aéreos são lembrados de que aos seguintes boletins informativos de zonas de conflito (CZIB) permanecem em vigor, com recomendações para não operar em todos os níveis e altitudes de vôo:
– CZIB no espaço aéreo da Síria (CZIB-2017-03R17), e,
– CZIB no espaço aéreo do Iêmen – Região de Informação de Vôo de Sana’a (CZIB-2017-07R17).

A presente CZIB substitui as seguintes CZIB:
CZIB no espaço aéreo do Irã e países vizinhos (2026-02-R1),
CZIB no espaço aéreo do Líbano (2024-01 R7), e,
CZIB no espaço aéreo do Iraque (CZIB-2017-04R19).

A EASA registra que o seu CZIB é emitido com base nas informações atualmente disponíveis para a agência, a Comissão Europeia e os Estados-Membros, a fim de compartilhar informações consideradas necessárias para garantir a segurança dos vôos sobre zonas de interesse e indicar áreas de alto risco.

Em 28 de fevereiro de 2026, o EUA e Israel realizaram ataques militares contra alvos em território iraniano. Em resposta, o Irã realizou ataques retaliatórios.

Dada a intervenção militar em curso e os ataques iranianos, existem riscos adicionais elevados não apenas para o espaço aéreo do Irã, mas também para o dos Estados vizinhos que abrigam bases militares do EUA ou que são afetados pelas hostilidades e atividades militares associadas, incluindo interceptações.

A posse de sistemas de defesa aérea capazes de operar em todas as altitudes, mísseis de cruzeiro e balísticos, e o uso de recursos aéreos capazes de operar em todas as altitudes, incluindo capacidade de interceptação, tornam todo o espaço aéreo afetado vulnerável a riscos de transbordamento, identificação incorreta, erros de cálculo e falhas nos procedimentos de interceptação.

Os ataques retaliatórios iranianos têm, até agora, visado principalmente as regiões orientais da Arábia Saudita, enquanto o espaço aéreo de Omã tem sido, até o momento, sujeito a um nível relativamente limitado de atividade cinética, impactando principalmente altitudes de voo baixas e médias. Portanto, existem diferentes níveis de risco nas FIR (Regiões de Informação de Vôo) de Jeddah (Arábia Saudita) e Muskat (Omã).

A EASA, juntamente com a Comissão e os Estados-Membros, continuará a monitorar atentamente a situação, com o objetivo de avaliar se há um aumento ou diminuição do risco para os operadores de aeronaves da União Européia devido à evolução da ameaça e da situação de risco.

“Aprovações prévias de vôo ainda são necessárias em todos os momentos para rotas e altitudes definidas”, alertou Hany Bakr, vice-presidente sênior de segurança aeronáutica e marítima da MedAire, subsidiária da International SOS.

O grupo continua a alertar para os riscos de interferência e falsificação de GNNS (GPS) e, em particular, para os perigos no espaço aéreo sobre Israel e o Líbano, uma vez que a ação militar continua nesses países apesar do cessar-fogo mediado pelo EUA.

Espaço aéreo no Oriente Médio
Google Maps – Imagem gerada pela AIN

Durante o briefing da International SOS, Matthew Vaughan, diretor de segurança da aviação da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), afirmou que as cias. aéreas também estão enfrentando dificuldades com restrições na cadeia de suprimentos para manter suas aeronaves em condições de uso, além de restrições e aumentos de custos relacionados a seguros e combustível. Vaughan elogiou a resiliência das cias. aéreas do Golfo, mas previu que elas e as cias.     aéreas sediadas fora da região enfrentarão desafios operacionais e comerciais contínuos nas próximas semanas, mesmo que o cessar-fogo se mantenha.

Segundo a International SOS, os estoques globais de combustível de aviação “enfrentam uma grave crise devido às interrupções no fornecimento no Oriente Médio, com os centros de distribuição na Europa e na região Ásia-Pacífico racionando os reabastecimentos”. A empresa afirmou que, até o final da primavera (do hemisfério norte), as operadoras devem esperar “reduções em cascata na capacidade das rotas transatlânticas e entre a Europa e a Ásia” caso o Estreito de Ormuz permaneça com restrições à navegação. Isso pode resultar em paralisações de frotas e alterações mais extensas nas rotas de vôos regulares.

A International SOS alertou seus clientes para que estejam preparados para suspender as operações de voo com pouco aviso prévio. Seus analistas enfatizaram a necessidade de “monitoramento robusto e dinâmico de ameaças em tempo real e avaliação de riscos à segurança da aviação”.

Analistas da Osprey Flight Solutions reiteraram as preocupações contínuas com a segurança das cias. aéreas. Em um boletim divulgado no dia 08, a provedora de planejamento e segurança  destacou os constantes ataques de drones e mísseis iranianos nos países do Golfo, bem como o conflito contínuo entre Israel e o Hezbollah no Líbano.

A Osprey está aconselhando seus clientes a realizarem avaliações de risco detalhadas e a elaborarem planos de contingência para cada vôo planejado na região.

“Frequentemente, a fase mais desafiadora para a aviação não ocorre durante o conflito, mas imediatamente após um cessar-fogo, quando o status do espaço aéreo é incerto, mas a ameaça persiste”, comentou Matthew Borie, diretor de inteligência da Osprey. [EL] – c/ fonte