Tráfego da aviação executiva no Golfo paralisado pelo conflito no Irã, com fechamento do espaço aéreo e de aeroportos, em 02.03.26
Em post no dia 02 na plataforma online da AIN, o editor-chefe da mídia Charles Alcock repercutiu que as operações de aeronaves executivas em toda a região do Golfo permaneceram paralisadas no dia 02 (segunda-feira), com o espaço aéreo e aeroportos fechados devido ao conflito militar em curso entre o Irã e as forças americanas e israelenses, iniciado no dia 28 (sábado). Embora o impacto nos serviços aéreos continue sendo muito maior, o setor de aviação executiva parecia ter poucas opções para exercer sua flexibilidade habitual na evacuação de aeronaves, tripulações e passageiros.
Corretores de vôos fretados têm se esforçado para apoiar clientes retidos, mas esses esforços têm sido frustrados pelo fechamento contínuo do espaço aéreo sobre o Irã, os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait, o Iraque, Israel, o Catar e a Síria.
Os principais aeroportos — incluindo o Aeroporto Internacional de Dubai, o Aeroporto Internacional Al Maktoum de Dubai, o Aeroporto Internacional Zayed em Abu Dhabi e o Aeroporto Internacional Hamad de Doha — permanecem fechados, com algumas vítimas e danos causados por ataques de mísseis balísticos e drones iranianos.
O perigo para as aeronaves foi sublinhado na manhã do dia 02, quando as forças de defesa do Kuwait abateram acidentalmente três caças F-15 do EUA enquanto tentavam bloquear mísseis iranianos. As ameaças representadas por drones iranianos se estenderam até o oeste, chegando ao Chipre, onde uma base da Força Aérea Real Britânica está sob ataque desde domingo (01), e o Aeroporto Internacional de Pafos foi fechado.
Espera-se que o espaço aéreo de Israel permaneça totalmente fechado até 09 de março, com os viajantes aéreos agora buscando evacuar por rotas terrestres para a Jordânia e o Egito. No domingo (01), o conflito se intensificou depois que as forças israelenses atacaram forças do Hezbollah apoiadas pelo Irã, que haviam iniciado ataques com mísseis.
O grupo de planejamento e suporte de vôos Hadid International, com sede em Dubai, divulgou para a AIN que é difícil determinar por quanto tempo as restrições ao espaço aéreo e aos aeroportos permanecerão em vigor. “Estamos em alerta máximo e apoiando ativamente as operadoras”, disse o diretor comercial da empresa, Mohammad Al Osta, para emendar: “Já estamos auxiliando diversos voos desviados e coordenando rotas alternativas e requisitos operacionais”.
Rotas de fuga via Arábia Saudita e Omã
Apesar de alguns ataques com mísseis e drones na Arábia Saudita, o espaço aéreo do país permaneceu aberto na segunda-feira. Algumas empresas de segurança conseguiram transportar clientes dos Emirados Árabes Unidos para a capital, Riad, onde a corretora de jatos Vimana Private relatou que o preço de um vôo fretado para a Europa chegava a US$ 350.000.
Outra opção parcial para vôos de evacuação é via Omã, com o grupo Hadid tendo ajudado algumas tripulações e passageiros a cruzar a fronteira dos Emirados Árabes Unidos.
No dia 01 (segunda-feira), o Aeroporto Internacional de Fujairah (no Emirados Árabes Unidos) anunciou que alguns vôos poderão partir utilizando rotas pelo espaço aéreo de Omã, com as autoridades locais tendo concordado com a reabertura temporária e limitada de um corredor que conecta as regiões de informação de vôo dos Emirados e de Muscat.
Não houve relatos confirmados de danos a bases de serviços logísticos aeroportuários (FBO) ou outras instalações de apoio à aviação executiva. Os terminais de passageiros dos aeroportos internacionais do Kuwait, Dubai e Zayed (em Abu Dhabi) foram atingidos por mísseis, e o Aeroporto Internacional do Bahrein também sofreu ataques.
Em um comunicado divulgado na manhã do dia 01, a International SOS alertou que interrupções significativas na aviação civil podem persistir na região do Golfo por várias semanas ou até meses, com a expectativa de que as operações militares continuem no nível atual de intensidade por pelo menos mais cinco a sete dias.
Hany Bakr, vice-presidente sênior de aviação e marítima da subsidiária MedAire, afirmou que, mesmo com a reabertura gradual dos aeroportos e do espaço aéreo, os operadores devem estar preparados para interrupções intermitentes.
Desde sábado (28), a International SOS atendeu a mais de mil solicitações de clientes, incluindo providências para evacuações terrestres.
Diversos outros grupos especializados, como a Dyami Security Intelligence e a Osprey Flight Solutions, também estão prestando suporte a clientes em toda a região 24 horas por dia, todos alertando que graves interrupções e riscos críticos para a aviação civil persistirão por um período prolongado.
No sábado (28), o grupo de dados suíço CH Aviation informou que várias aeronaves executivas foram afetadas pelo conflito. Isso inclui jatos de propriedade e/ou operados pela Qatar Executive, Qatar Amiri Flight, Luxaviation, Avcon Jet, Global Jet Aruba, MNF Investments, Sundt Air e Zafer Air.
De acordo com dados da provedora de dados por rastreamento WingX, cerca de 156 aeronaves executivas estão atualmente estacionadas em aeroportos da região, incluindo Turquia e Chipre. Desse total, 56 aeronaves (35,9%) estão em Dubai, que, na manhã do dia 01, estavam estacionadas há uma média de 99 horas — ou seja, desde o dia anterior ao início do conflito, no início da manhã de sábado (28). As demais localidades são as seguintes:
– Istambul, Ancara e Antalya, na Turquia (51);
– Tel Aviv, Israel (12);
– Pafos, Chipre (10);
– Abu Dhabi (9);
– Catar (4);
– Bahrein (4);
– Riad, Arábia Saudita (3);
– Jordânia (2);
– Iraque (1);
– Kuwait (1); e,
– Irã (2).
Em meados de fevereiro, Dyami Security Intelligence informou a seus clientes ataques ao Irã aparentemente iminentes e alertou operadores de aeronaves para prepararem-se para possível interrupção de vôos na região do Golfo pérsico
Em post no dia 18 passado (fev.) na plataforma online da AIN, o gestor editorial da mídia Charles Alcock repercutiu que a provedora de tecnologia de informação de segurança Dyami Security Intelligence (da Holanda) estava alertando seus clientes do segmento de aviação para prepararem-se para interrupções de operações de vôo na região do Golfo da Pérsia, e entorno. Avaliação de segurança recém-divulgada pelo grupo informava que as forças americanas e israelenses estavam se preparando para ataques iminentes ao Irã, o que poderia desencadear ameaças à segurança em países vizinhos e no espaço aéreo da região.
Segundo os analistas da Dyami, o aumento da movimentação de aeronaves de combate e apoio no Mar Mediterrâneo e no Golfo Pérsico sugere que o Pentágono está passando de uma postura de “sinalização” para um estado de “prontidão para execução”. Discussões diplomáticas indiretas envolvendo autoridades iranianas e americanas em Genebra (Suíça) continuaram na semana, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghci, afirmando no dia 17 (fev.) que houve algum progresso nas discussões focadas principalmente no programa nuclear iraniano.
“Operadores aéreos comerciais no Oriente Médio devem antecipar uma rápida mudança no ambiente do espaço aéreo caso as operações militares comecem”, alertaram os analistas da Dyami. “Fechamentos repentinos do espaço aéreo, expansão de zonas restritas, interferência em GNSS, aumento do tráfego militar e possível atividade de mísseis ou drones no Iraque, Líbano, Jordânia, Síria, oeste do Irã e regiões fronteiriças adjacentes são riscos plausíveis”, acrescentaram os analistas.
O relatório da Dyami concluiu que os ataques ao Irã podiam começar no final de semana e se estender por várias semanas, com os planos do Pentágono aparentemente incluindo uma “onda inicial” para degradar as capacidades estratégicas iranianas, seguida por ataques contra a infraestrutura de apoio. O relatório também apontava que haveria um aviso mínimo sobre o que seriam os primeiros ataques do EUA e de Israel contra o Irã desde junho de 2025.
Entretanto, outro grupo de provisão de segurança da aviação, o Osprey Flight Support, divulgou para a AIN que acreditava que a ação militar poderia estar a mais duas ou três semanas de acontecer e que, portanto, ainda não elevara sua classificação de risco para a região. O grupo apontou para fatores como a falta de interferência de GNSS no espaço aéreo local e avisos de viagem diplomáticos, bem como o fato de que um segundo porta-aviões do EUA ainda estava a 7 a 10 dias de chegar à zona de conflito.
A campanha do ano passado levou o Irã a lançar ataques com drones contra a Base Aérea de Al Udeid, no Catar. Nos últimos dias, o EUA realocou aeronaves de reconhecimento RC-135V Rivet Joint dessa instalação para uma base aérea na ilha grega de Creta.
Também assessora de operadores de aeronaves executivas, a equipe da Dyami também indicou para os clientes para esperarem interrupções no espaço aéreo e redirecionamento de vôos poucas horas após o início de qualquer ação militar. “Os operadores devem revisar rotas de contingência, planejamento de combustível, alternativas de desvio e procedimentos de monitoramento de NOTAM, e estar preparados para diretrizes regulatórias imediatas e restrições de fluxo de controle de tráfego aéreo em toda a região”, orientou a Dyami.
Ameaças à segurança na África Oriental
Enquanto isso, a Osprey Flight Solutions alertou seus clientes no dia 17 sobre o perigo do conflito armado em curso no norte da Etiópia. A empresa destacou que os confrontos militares durante janeiro entre as forças etíopes e eritreias nas regiões de Amhara e Tigray resultaram na suspensão das operações de vôo em aeroportos como Bahir Dar (HABD), Gondar (HAGN), Lalibela (HALL), Mekelle (HAMK), Axum (HAAX), Shire Indaselassie (HASR) e Humera (HAHU).
Os analistas da Osprey alertaram para ameaças a aeronaves provenientes de mísseis terra-ar em altitudes de até 26.000 pés, bem como à infraestrutura aeroportuária.
A Osprey Flight Solutions também estava monitorando de perto os riscos à segurança da aviação no Golfo. [EL] – c/ fonte
