Três incidentes de incursão de pista em dois aeroportos pressionam a aviação americana, em 20.04.26


No dia 14, o Boeing 767-300F da UPS (United Parcel Service) de matrícula N338UP, realizando o vôo (cargueiro) 5X-1303 (partida em 13 de abril) de Atlanta, na Georgia (EUA), para Louisville, no Kentucky (EUA), estava na aproximação final para a pista 17L de Louisville (KSDF), descendo cruzando cerca de 170 pés AGL (670 pés MSL), quando o controle de tráfego aéreo (ATC) ordenou que outra aeronave, um monomotor turboélice Pilatus PC-12, parasse. Seis segundos depois, controlador instruiu o B.767 (vôo 5X-1303) a arremeter e questionou o Pilatus: “O que você está fazendo?”.

O B.767 iniciou a arremetida, virou ligeiramente para a esquerda, subiu para 3.000 pés, posicionou-se para uma nova aproximação para pista 17L e pousou em segurança cerca de 20 minutos depois.

No dia 08 de abril, o B.777-300 da Air France de matrícula F-GZNP, que realizava o vôo AF-25 – de Los Angeles (KLAX), Califórnia (EUA) para Paris/Charles de Gaulle (França), recebeu autorização para decolagem e acelerou para decolar da pista 24L e abortou a decolagem em baixa velocidade (a cerca de 60 KT) após um jato executivo Gulfstream, que havia pousado anteriormente, ultrapassar barra de espera. As luzes de advertência da pista ficaram vermelhas, alertando a tripulação do B.777 sobre a incursão da pista. O B.777 reduziu a velocidade em segurança, liberou a pista e aguardou por cerca de 10 minutos antes de taxiar novamente até barra de espera e decolar cerca de 15 minutos após a decolagem abortada. A aeronave chegou em Paris no horário previsto.

Horas depois desse incidente, um Airbus A321 da Frontier Airlines foi forçado a abortar a decolagem no aeroporto de Los Angeles (KLAX) quando veículos de serviço entraram na área da pista. A FAA também está investigando esse incidente.

Os incidentes consecutivos em um dos aeroportos mais movimentados do EUA ocorrem em meio a uma maior atenção à segurança de pista após uma colisão em solo com fatalidades no Aeroporto LaGuardia, em Nova York, na noite de 22 de março. Durante corrida de pouso, um jato CRJ-900 da Air Canada Express colidiu com um veículo de resgate e combate a incêndio, que ingressou na pista autorizado, para atender uma emergência de uma outra aeronave. Na colisão, os dois pilotos Air Canada Express morreram, e dezenas de passageiros e os dois bombeiros se feriram.

De acordo com dados da FAA, as incursões de pista no EUA têm girado em torno de 1.700 ocorrências por ano nos últimos seis anos. Embora a maioria dos incidentes se enquadre nas categorias C ou D – onde há tempo suficiente para evitar colisões ou nenhum impacto imediato na segurança -, um número crescente de eventos das categorias A e B, em que a colisão foi evitada por pouco e/ou houve risco de colisão, tem atraído a atenção nacional.

A FAA implementou ferramentas, incluindo a SAI – Surface Awareness Initiative (Iniciativa de Consciência de Superfície), que oferece consciência situacional em tempo real aos controladores em aeroportos movimentados. Fabricantes como Garmin, Honeywell e Collins Aerospace também introduziram sistemas aprimorados de alerta de superfície baseados na cabine de comando, que emitem avisos em tempo real aos pilotos sobre possíveis conflitos durante as operações de táxi e decolagem. [EL]


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