AENA, Zurich e RIOGaleão vão disputar leilão do aeroporto Galeão, em 24.03.26
No dia 24, o jornal O Globo noticiou que o consórcio RIOGaleão, formando pela gestora brasileira Vinci Compass e pela operadora aeroportuária asiática (de Cingapura) Changi, a operadora aeroportuária espanhola AENA e a operadora aeroportuária suíça Zurich entregaram propostas para o leilão de repactuação do Aeroporto Galeão (SBGL), no Rio de Janeiro, que acontece no próximo dia 30, na B3, em São Paulo.
A entrega dos envelopes com os lances aconteceu nesta terça-feira, dia 24, também na B3.
O governo federal espera arrecadar R$ 1,5 bilhões com o leilão. A outorga mínima é de R$ 932 milhões, segundo o edital. O novo vencedor permanecerá responsável pela operação até 2039.
No mercado, a participação da AENA e da Zurich era dada como certa.
A AENA já tem a concessão do aeroporto de Congonhas (SBSP), em São Paulo, e poderia criar incentivos para Ponte-aérea Rio-São Paulo, uma das rotas mais movimentadas do país.
A Zurich, por outro lado, já tem um escritório no Rio de Janeiro, além de deter no Estado a concessão do aeroporto de Macaé (SBME), no litoral norte do RJ. Para a operadora, a recuperação do movimento de passageiros no Galeão, além do anúncio da Gol como base internacional da companhia naquele terminal, também é um novo estímulo.
Quem vencer o leilão terá o controle da operação do aeroporto, já que os 49% de participação na atual concessão pela INFRAERO serão eliminados (com demais 51% sendo detidos pelo RIOGaleão, atualmente).
No consórcio RIOGaleão, a Vinci Compass tornou-se a controladora após ter comprado participação da Changi, detendo 70% da RIOGaleão enquanto a Changi 30%. Caso a RIOGaleão mantenha a concessão, vencendo o leilão, a Vinci Compass terá fatia de 85% da concessão (35+50) enquanto a Changi ficará com 15%.
O Galeão fez parte das primeiras rodadas de concessão de aeroportos, em 2013, ainda no governo Dilma Rousseff. Com outorga mínima de R$ 4,8 bilhões, o terminal foi arrematado por R$ 19 bilhões pelo consórcio então formado por Odebrecht Transport e pela Changi. A INFRAERO ficou com 49% do terminal. As projeções de movimentação de passageiros e receitas acabaram frustradas, e a outorga oferecida ficou cara demais. Em 2017, a Changi comprou a parte da Odebrecht no negócio. A situação do aeroporto tinha se agravado com a crise econômica brasileira, e a pandemia piorou o cenário.
Entre as principais alterações neste leilão de repactuação estão a transformação da outorga anual fixa em variável, conforme o faturamento do aeroporto, e desobrigação de fazer investimentos pesados, como construção de uma nova pista.
