“Crise “de combustível pela guerra no Irã, um difícil teste para a aviação executiva, principalmente na Europa, em 03.05.26
Em post no dia 30 na plataforma online da AIN, o responsável editorial da mídia Charles Alcock repercutiu o novo problema para a aviação executiva, especialmente a européia, da recente alta acentuada nos custos de combustível por efeito da guerra no Irã. O post tem título “Fuel crisis could be tough test for Bizav – Charter operators incur sharps spike in fuel costs” (Crise do combustível pode ser um difícil teste para a aviação executiva – operadores de vôos fretados sofrem aumento acentuado nos custos de combustível).
Alcok escreveu que a comunidade da aviação executiva européia provavelmente nunca imaginou que teria que contemplar ameaças existenciais mais graves do que impostos sobre bens de luxo e mandatos de descarbonização. E então, o fechamento do Estreito de Ormuz pela guerra do EUA (e Israel) com o Irã trouxe à tona a perspectiva muito real de vôos serem cancelados por falta de seu combustível vital — o querosene de aviação.
De acordo com ninguém menos que o diretor executivo da Agência Internacional de Energia, (IEA – International Energy Agency) Fatih Birol, a Europa pode enfrentar uma escassez crônica de combustível até o final de maio. Enquanto isso, o preço do querosene de aviação (JET-A) mais que dobrou na região desde o início do conflito em 28 de fevereiro, elevando os custos operacionais a níveis que parecem desafiar os limites da sustentabilidade econômica.
O último rastreamento de preços de combustível da IATA (em 24 de abril) mostra o preço médio semanal do querosene de aviação (JET-A) em US$ 4,46 por galão [US$ 1,18/litro] na Europa, com apenas a África apresentando preços mais altos (US$ 4,49/galão). Naquele momento, o preço do barril de petróleo bruto Brent estava pouco abaixo de US$ 110, mas nesta semana já está em torno de US$ 124.
Na feira de aviação Aero Friedrichshafen, na Alemanha, de 22 a 25 de abril, operadores de vôos fretados e líderes do setor tentaram demonstrar otimismo, insistindo que a resiliência que os ajudou a superar epidemias e conflitos anteriores prevalecerá nesta crise. Mas, durante as sessões de painel da conferência que Alcok moderou, envolvendo importantes operadores europeus e líderes de associações nacionais, houve o reconhecimento de que o fornecimento de combustível provavelmente se tornará mais difícil à medida que a crucial temporada de vôos fretados de verão se inicia e que o aumento dos custos poderá, eventualmente, afetar a demanda.
Alcok colocou uma questão para debate: “Então, será que os bloqueios rivais do Irã e do EUA no Estreito de Ormuz estão prestes a alcançar o que a ativista ambiental Greta Thunberg só poderia sonhar: paralisar a aviação privada na Europa, bem como em regiões como a Ásia?”.
Especialistas de linha de frente no setor de fretamento aéreo e fornecimento de combustível acreditam que não, prevendo que, embora as lacunas no fornecimento possam ser pontuais, os operadores e seus fornecedores de serviços encontrarão soluções alternativas para manter as aeronaves em operação.
Em entrevista para a AIN em 23 de abril, Daniel Coetzer, CEO da Titan Aviation Fuels, com sede na Suíça, afirmou que a situação do fornecimento de combustível na Europa pode começar a “ficar difícil” por volta da segunda semana de maio e se tornar “realmente grave” em junho.
A Titan Aviation Fuels possui múltiplas fontes de combustível e é especializada em apoiar operadores de aeronaves executivas que necessitam de flexibilidade operacional.
Limites no abastecimento de combustível
A fornecedora Air bp emitiu recentemente avisos informando aos operadores que o abastecimento de combustível para vôos de curta distância em quatro aeroportos italianos está sendo limitado, com prioridade para operações governamentais e médicas.
Wael Sawan, CEO da Shell – uma das muitas empresas de energia que agora lucram com o aumento expressivo dos preços – reconheceu que tanto a Europa quanto a Ásia estão vulneráveis à escassez de combustível e que a empresa está trabalhando com governos em medidas para gerenciar o armazenamento e a aquisição de combustível.
A Dyami Security, especialista em gestão de riscos, instou as operadoras de aeronaves a se concentrarem mais em como lidarão com as consequências do fechamento indefinido do Estreito de Ormuz – como parece ser o caso, considerando o impasse nas negociações de paz. Em um boletim recente, a especialista concluiu que “as medidas de mitigação atuais estão ganhando tempo, mas nenhuma delas resolve o problema”.
Kevin Ducksbury, presidente da ACA – Air Charter Association (associação de fretamento aéreo), disse para a AIN que parte do foco na escassez de combustível equivale a alarmismo. Ducksbury afirmou que o problema é mais grave em alguns países asiáticos e africanos do que na Europa, acrescentando que a maioria dos membros do grupo acredita que poderia “sobreviver” à situação por um período de dois a seis meses. “A questão mais importante é o preço, e isso pode impactar o fretamento aéreo, pois as operadoras não podem absorver todos os custos adicionais”, explicou Ducksbury.
Em alguns casos, as operadoras já estão aplicando cláusulas de sobretaxa de combustível em seus contratos com quem reserva os vôos. Ao mesmo tempo, há relatos de fornecedores de combustível exigindo pagamento no momento do abastecimento, em vez de conceder crédito.
Líderes da aviação executiva disseram para a AIN que estão preocupados com a possibilidade do setor ficar em desvantagem diante de medidas governamentais mais rigorosas para lidar com a crise, talvez na forma de racionamento de combustível. Com base nas políticas vigentes, é muito provável que os governos europeus priorizem as necessidades das cias. aéreas (do transporte comercial) em detrimento das demandas da aviação privada.
Racionamento pode vir a seguir
Diversas cias. aéreas anteciparam a iminência do racionamento cancelando milhares de vôos nas próximas semanas. Mas a aviação executiva não tem horários fixos para cancelar; por sua própria natureza, é um serviço sob demanda que não se submete a horários fixos e que pode potencialmente preencher lacunas que o serviço aéreo convencional não consegue suprir.
No entanto, diante da escolha entre deixar em solo aviões de corredor único transportando eleitores da classe média em suas férias anuais no Mediterrâneo e prejudicar indivíduos de alto poder aquisitivo com o racionamento de combustível, poucos têm dúvidas sobre como a decisão será tomada. Enquanto isso, nenhuma villa de luxo na Côte d’Azur francesa está disponível, já que visitantes abastados do Golfo e de outros lugares alteraram seus planos de férias para fazer uma pausa do conflito. Normalmente, isso significaria aeroportos locais lotados de jatos fretados.
Entidades representantes da aviação executiva, incluindo a ACA e a EBAA, pediram à Comissão Européia que suspenda as regras antitanque que exigem que as operadoras comprem a maior parte do combustível em aeroportos da União Européia. As entidades também querem que outros aspectos dos requisitos de redução de carbono do programa RefuelEU sejam suspensos, visto que as operadoras, incluindo as cias. aéreas, enfrentam dificuldades para lidar com as consequências da guerra.
Até o momento, a Comissão não deu qualquer indicação de que fará essas concessões.
Alcok revelou que algumas das conversas que teve com líderes do setor, durante a feira Aero Friedrichshafen, pareceram um tanto surreais. Alcok destacou que, os seus frequentemente ensaiados debates com estas lideranças, sobre as queixas relativas às regulamentações européias vigentes começaram a parecer um tanto irrelevantes à medida que a dura realidade das condições de mercado em tempos de guerra impõe-se. Como um dever, Alcok declarou que houve uma diferença marcante no nível de otimismo expresso pelos executivos do setor em declarações oficiais em comparação com o que disseram em caráter confidencial. [EL] – c/ fonte
