IATA aponta o Brasil como ator” fundamental na descarbonização do transporte aéreo, na produção de SAF, em 15.06.26


Em nota no dia 08, a IATA – International Air Transport Association (associação internacional do transporte aéreo) destacou o Brasil como um “ator” fundamental na descarbonização do transporte aéreo, fortalecendo a segurança energética e impulsionando a economia do país. A manifestação da associação se deu por ocasião da 82ª Assembléia Geral Anual (AGM – Annual General Meeting) e a Cúpula Mundial de Transporte Aéreo (WATS – World Air Transport Summit), da IATA , entre os dias 06 e 08, no Rio de Janeiro, no Brasil.

A organização elencou os seguintes pontos importantes a serem observados:
as cias. aéreas precisarão de cerca de 500 milhões de toneladas (Mt) de SAF para atingir sua meta de emissões líquidas zero de CO2 até 2050;
– o Brasil possui um dos maiores potenciais de biomassa do mundo, em torno de 180 milhões de toneladas até 2050, o que poderia gerar cerca de 60 milhões de toneladas de SAF (Combustível de Aviação Sustentável);
– em 2030, o etanol de origem sustentável derivado do açúcar no Brasil, bem como óleos virgens e usados ​​como matéria-prima, podem atingir cerca de 18 milhões de toneladas, o que se traduz em um potencial de produção de SAF de aproximadamente 12 milhões de toneladas. Isso equivale a cinco vezes a produção global estimada de SAF em 2026, de 2,4 milhões de toneladas; e,
– atualmente, o Brasil possui cerca de 15 projetos de SAF em andamento. Se todos forem concluídos, isso colocará cerca de 2 milhões de toneladas de SAF em operação.

A IATA ressalta que todas as suas as estimativas consideram apenas matérias-primas que atendem a critérios rigorosos de sustentabilidade, incluindo questões vitais como mudanças no uso da terra e a terra/água necessária para a produção de alimentos. Além disso, as estimativas são conservadoras, contabilizando apenas fontes identificadas e verificadas. A IATA observa ainda que, em um país tão vasto quanto o Brasil, é muito provável que uma quantidade substancial de matéria-prima potencial ainda não tenha sido identificada.

Willie Walsh, dretor-geral da IATA, discorreu: “O Brasil tem todos os ingredientes para ser uma potência global em SAF. Possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, além de matéria-prima abundante. Ademais, como o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis líquidos, o país se beneficia de profundo conhecimento técnico e infraestrutura desenvolvida. O Brasil tem uma oportunidade real de ser um líder global na descarbonização da aviação. Abraçar essa oportunidade criará empregos, reduzirá a dependência de combustíveis fósseis estrangeiros, construirá novas indústrias de energia e agricultura e impulsionará a economia. Com as políticas certas implementadas na ordem certa, o Brasil está pronto para impulsionar o mercado”.

Vantagens competitivas e benefícios econômicos
Além da disponibilidade de matéria-prima, a IATA aponta que a experiência do Brasil na produção de etanol, bem como sua base de refino consolidada, conferem ao país diversas vantagens competitivas. Juntos, esses fatores criam uma base sólida para a expansão do HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids – Ésteres e Ácidos Graxos Hidroprocessados) e outras vias avançadas de SAF, particularmente a conversão de etanol em querosene de aviação (QAv), e podem permitir que o Brasil se torne um exportador líquido de SAF.

A IATA vislumbra que os benefícios econômicos podem ser transformadores. Novas indústrias e mercados surgiriam ao longo de uma cadeia de valor que abrangeria agricultura e desenvolvimento de matéria-prima, logística, infraestrutura, refino, produção de combustíveis avançados e novos produtos de exportação. Isso apoiaria empregos, segurança e independência energética, melhoria dos solos, aumento do capital natural e fortalecimento das comunidades locais.

Realizando o potencial do Brasil
A IATA observa que a produção de SAF no Brasil ainda está em estágio inicial. E aponta que atingir escala exigirá:
– infraestrutura: implantação de tecnologias de conversão, investimento em infraestrutura e logística aprimorada para conectar o fornecimento de matéria-prima às instalações de produção;
– Incentivos Políticos para produção: as políticas devem viabilizar o sucesso com incentivos de produção direcionados, apoiando mecanismos de financiamento mais robustos e alinhando-se aos padrões globais de sustentabilidade; e,
– abordagem de programa Book-and-Claim (Encomenda e registro de crédito): as iniciativas para estabelecer um sistema de compra e crédito baseado em certificados de SAF negociáveis ​​desempenharão um papel importante. É encorajador que a estrutura do programa nacional “Combustível do Futuro” – ProBioQAV – esteja prevista para incluir esses requisitos, juntamente com os requisitos para o uso de SAF por cias. aéreas. Essa abordagem criará conexões cruciais com estruturas globais como o CORSIA. O sequenciamento é crucial para garantir a disponibilidade suficiente de SAF antes que quaisquer metas de consumo entrem em vigor.

Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de sustentabilidade e economista-chefe da IATA, discorreu: “O Brasil possui muitas vantagens – tanto em termos de recursos naturais quanto de vasta experiência – que devem conferir ao país uma posição de liderança mundial nos mercados de SAF. A escala do potencial brasileiro é tal que os benefícios econômicos podem ser transformadores. Aplicar políticas testadas e comprovadas na ordem correta é necessário para alcançar escala e as reduções de preço que a acompanham, mas pular a etapa de construção de cadeias de suprimentos e partir direto para imposições não será suficiente. Alinhar as políticas com padrões e programas globais, como o CORSIA, permitirá que o Brasil aproveite ao máximo seu grande potencial”. [EL]