Aviação executiva e transporte comercial se preparando para o impacto da guerra no Golfo, em 21.03.26
Em post no dia 20 na plataforma online da AIN, o responsável editorial da mídia Charles Alcock repercutiu o momento atual de perspectivas negativas no meio da aviação executiva e do transporte comercial por efeitos da guerra no Golfo, levando a uma movimentação de preparação para impacto.
Alcok escreveu que tanto o setor de transporte aéreo quanto o setor da aviação executiva estão tendo que avaliar o possível impacto de um conflito no Oriente Médio que está prestes a entrar em sua quarta semana, sem um fim claro à vista.
O aumento vertiginoso do preço do combustível emergiu como uma consideração dominante, juntamente com os fechamentos contínuos do espaço aéreo e de aeroportos que restringiram severamente o tráfego de entrada e saída dos estados do Golfo.
As companhias aéreas regulares estão se preparando para o que Sheila Kahyaoglu, diretora-gerente do banco de investimentos Jefferies, descreveu como “destruição da demanda” durante um webinar no dia 20 organizado pela consultoria JetNet. Em sua opinião, a aviação executiva e seus clientes de alto poder aquisitivo estão mais protegidos da crise, mas o setor ainda precisa lidar com os preços exorbitantes do combustível, com quase um terço do combustível de aviação apenas para o mercado europeu vindo do Golfo.
Dados divulgados pela provedora de dados WingX nesta semana mostram níveis decrescentes de atividade de vôos da aviação executiva no Oriente Médio; muitas aeronaves foram retiradas da zona de guerra. Apesar de alguma participação na operação de evacuação de passageiros retidos no Golfo, a atividade de vôos fretados privados foi severamente reduzida, com as operadoras da região já registrando uma queda de cerca de 70% no número de vôos em comparação com o ano anterior.
O diretor administrativo da WingX, Richard Koe, apresentou dados que ilustram uma queda acentuada no número de jatos executivos estacionados em aeroportos do Oriente Médio. O total caiu de 164 em 03 de março para 66 em 17 de março – uma diferença de 98 aeronaves em 15 dias. No entanto, as aeronaves que ainda permanecem na zona de conflito têm um valor combinado de US$ 1,98 bilhões.
O monitoramento de vôos realizado pela WingX nas últimas três semanas (ie, em março, desde o início do conflito) mostra um claro padrão de migração para cidades como Istambul e Ancara, na Turquia, e Muskat, capital de Omã. Muitas aeronaves foram posteriormente transferidas para destinos mais distantes, como Rússia, Itália, Reino Unido, Grécia e Egito.
Imagem por WingX/AIN
Bernhard Fragner, CEO e fundador da operadora austríaca GlobeAir, reconheceu que o papel dos jatos executivos nas evacuações do Golfo foi exagerado, em parte devido a publicações imprecisas nas redes sociais que dão a impressão de fácil acesso a vôos privados. Fragner afirmou no webinar que os riscos de segurança continuam muito reais, inclusive para vôos de e para a Turquia, que, segundo dados da WingX, tem sido uma escala comum para aeronaves que saem da região.
“Ninguém se sente confortável no Golfo agora, e as pessoas estão decidindo para onde mais podem ir [em vôos fretados]”, comentou Fragner. “Estamos vendo um aumento na procura por destinos na Europa, especialmente para a Páscoa”, acrescentou Fragner.
Com 15% a 20% dos custos de vôos fretados baseados em combustível, o aumento dos preços do querosene de aviação (JET-A) terá um impacto significativo.
De acordo com Fragner, as operadoras de vôos fretados enfrentam uma situação “muito dinâmica” nas próximas semanas, e ele acredita que elas não conseguirão repassar todo esse custo extra aos clientes.
Até o início da guerra do EUA e Israel com o Irã em 28 de fevereiro, o Oriente Médio era um mercado de crescimento fundamental para a aviação executiva.
A Arábia Saudita abriu o acesso a empresas estrangeiras, incluindo operadoras de fretamento como VistaJet, Flexjet e AirX. A região também testemunhou uma onda de investimentos em novas infraestruturas, como terminais privados e FBO (base de serviços de suporte a operadores aéreos em aeroportos) planejados por empresas como a Universal Aviation.
De acordo com Alasdair Whyte, editor da Corporate Jet Investor, pólos da aviação executiva como Dubai se recuperarão se o conflito durar apenas mais algumas semanas e não desencadear uma grande crise financeira. Whyte também argumentou que a maioria das grandes operadoras de aeronaves não está muito exposta ao mercado do Oriente Médio e pode mitigar o risco realocando jatos para outros mercados.
Imagem por WingX/AIN

Refletindo o setor da aviação comercial, os analistas da Jefferies estão tentando avaliar o impacto que a crise no Oriente Médio pode causar na indústria global.
“Pode haver uma destruição da demanda global, e a expectativa era de que o Oriente Médio crescesse 6% neste ano, mas pode chegar a zero. Esperamos que o crescimento global do tráfego aéreo caia de 5% para 4%, e não para 1% ou 2%, como aconteceu em 2020 [durante a pandemia de Covid]”, comentou Kahyaoglu, diretora-gerente do banco de investimentos Jefferies.
Os provedores de serviços de aviação executiva também estão se preparando para uma recessão que esperam que fique restrita à região do conflito.
Cat Buchanan, diretora de desenvolvimento de negócios da Stack Aero – que fornece um sistema de operações comerciais para diversas empresas do setor – disse para a AIN que o Oriente Médio estava “crescendo exponencialmente” até o início da guerra, mas seu processo de amadurecimento foi interrompido.
No curto prazo, Buchanan observou uma “enorme demanda por vôos fretados impulsionada pela crise”, com preços muito inflacionados, chegando a 200% acima das tarifas normais. O próprio marido dela conseguiu voltar para casa de Abu Dhabi em um vôo de evacuação, depois de ter ficado “preso” lá durante uma viagem de trabalho quando o conflito começou.
Julie Black, chefe de aviação executiva da corretora de fretamento Hunt & Palmer, observou um aumento semelhante na demanda a curto prazo, mas continua preocupada com o impacto a longo prazo de fatores como os altos custos do combustível. “Houve uma especulação econômica chocante com vôos fretados do Oriente Médio para a Europa, com preços chegando a US$ 400.000”, disse Black para a AIN.
Black também expressou preocupação com algumas atividades ilegais ou “cinzentas” de vôos fretados, em que passageiros ansiosos para evacuar foram persuadidos a pagar para viajar em aeronaves operadas sob as regras de serviço comercial (PART-135) com riscos significativos associados a seguros e responsabilidade civil. “Essas situações sempre parecem revelar o melhor e o pior das pessoas”, Black concluiu. [EL] – c/ fonte
