Contratos futuros de petróleo recuam 10% com falas de Trump sobre guerra – Brent fica abaixo dos US$ 100, em 23.03.26, em 23.03.26

Os contratos futuros de petróleo recuaram mais de 10% nesta segunda-feira, 23, em uma sessão de mercados marcada pelas sinalizações do governo norte-americano sobre a guerra com o Irã.

O presidente do EUA, Donald Trump, anunciou que não irá mais atacar a infraestrutura do Irã, enquanto abriu espaço para chegar a um acordo com Teerã para o fim do conflito, cogitando reabrir em breve o Estreito de Ormuz.

Desta forma, o Brent perdeu a marca de US$ 100 o barril.

Por outro lado, o Irã negou que esteja em negociação com Washington, acusando o EUA de manipular o mercado e mantendo dúvidas sobre a duração do conflito e seus efeitos.

Negociado na New York Mercantile Exchange (NYMEX), o petróleo WTI para maio fechou em queda de 10,28% (US$ 10,10), a US$ 88,13 o barril. Já o Brent para junho recuou 9,86% (US$ 10,49), a US$ 95,92 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

Em análise para o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o gerente de Pesquisa Macroeconômica do Inter, André Valério, comentou que, mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, haverá um impacto duradouro na oferta de petróleo do Oriente Médio, já que levará algum tempo para normalizar. Valério, entretanto, observou que “o aumento dos preços foi menor do que o esperado, o que sugere que o mercado global parte de uma situação de relativa sobreoferta, com níveis elevados de estoques que vêm sendo usados para amortecer o choque”. Mas, a depender da duração do conflito, a situação pode se agravar. Segundo Valério, estima-se que entre 10 e 12 milhões de barris por dia estão potencialmente em risco, o que implica uma redução significativa dos estoques ao longo do tempo.

O Rabobank aumentou a previsão para os preços do petróleo, argumentando que a intensidade da guerra vai primeiro aumentar para depois diminuir. O banco afirma que o conflito deve durar até meados de abril, mas ressalta que aumentou “acentuadamente” o risco de cenários extremos – entre eles o de prolongamento da guerra. O Rabobank prevê que o preço do barril de petróleo tipo Brent alcançará US$ 107 no segundo trimestre, US$ 96 no terceiro trimestre e US$ 90 no quarto trimestre.

O Goldman Sachs elevou a previsão para o barril do Brent em 2026 de US$ 77 para US$ 85, enquanto, para o WTI, a previsão subiu de US$ 72 para US$ 79. Para o quarto trimestre deste ano, as projeções foram elevadas de US$ 71 para US$ 80, no caso do Brent, e de US$ 67 para US$ 75, no caso do WTI.

A projeção para o Brent, neste caso, é composta por US$ 62 decorrentes de fatores descolados do conflito no Irã; US$ 9 ligados ao aumento dos estoques comerciais de petróleo e ao efeito sobre a diferença entre os preços à vista e a prazo; US$ 4 decorrentes do aumento previsto para os preços futuros da commodity; e US$ 5 vindos de posicionamento persistente do mercado relativo a riscos geopolíticos e rotação de ativos.

“Primeiro, agora presumimos que os fluxos em Ormuz continuarão em apenas 5% dos níveis normais por um período mais longo, de seis semanas, antes de uma recuperação gradual de um mês. Segundo, o reconhecimento dos riscos de uma alta concentração da produção e capacidade ociosa deve a uma estocagem estratégica estruturalmente maior”, disse o Goldman Sachs em relatório.

“Agora esperamos que o preço do Brent seja de US$ 110 por barril em média em março e abril (de US$ 98 anteriormente), um aumento de 62% em relação à média de 2025”, acrescentou. Especificamente para abril, o banco prevê o barril do Brent a US$ 115, de US$ 85 na estimativa anterior.

O Goldman Sachs acredita que, no curto prazo, o mercado provavelmente vai exigir um prêmio de risco crescente, com o objetivo de destruir demanda e se proteger de escassez em cenários de perturbações mais longas à oferta.

Se o fechamento do Estreito de Ormuz restringir o fluxo de petróleo a 5% dos níveis normais por 10 semanas, o banco calcula que os preços do petróleo poderiam ficar entre US$ 105 – num cenário adverso – e US$ 135 por barril – num cenário ainda mais adverso.

“No cenário adverso, a oferta no Oriente Médio se recupera com a abertura do Estreito e o valor do Brent diminui para US$ 100 no quarto trimestre de 2026. No cenário extremamente adverso, com uma perda persistente de 2 milhões de barris por dia na produção do Oriente Médio, o preço do Brent dispara antes de convergir para US$ 115 no quarto trimestre de 2026”, disse o Goldman. “Também há risco para baixo porque os Estados Unidos podem encerrar a ação militar a qualquer momento, o que levaria a uma redução no prêmio de risco. Embora não seja o nosso cenário base, não descartamos restrições à exportação de petróleo nos EUA, o que aumentaria ainda mais a diferença de preços entre o WTI e o Brent”.