AENA, Zurich e RioGaleão (atual concessionária) entregam propostas e disputam leilão da relicitação da concessão do Galeão, em 30.03.26
Matéria do jornal O Globo nesta segunda-feira (dia 30) noticia que três empresas disputam o leilão de repactuação da concessão do aeroporto do Galeão, terceiro mais movimentado do país, atrás de Guarulhos e Congonhas, ambos em São Paulo. Além do atual administrador RioGaleão, a espanhola AENA e a suíça Zurich, duas operadoras de aeroportos brasileiros sob concessão federal, fizeram propostas pelo terminal.
Os lances serão conhecidos na tarde desta segunda-feira, com a abertura dos envelopes na B3, a Bolsa de Valores brasileira, em São Paulo.
O lance mínimo é de R$ 932 milhões, que deverá ser pago à vista pelo vencedor.
Analistas esperam uma disputa acirrada entre as três pretendentes, com expectativa de que o certame seja decidido nos lances viva-voz.
O governo tem a expectativa de arrecadar R$ 1,5 bilhões nesta nova concessão. O contrato prevê que a concessionária assuma 100% da operação do terminal, com a saída da sociedade da INFRAERO, que atualmente detém 49% da concessão. O prazo da concessão vai até 2039.
O novo leilão do Galeão é resultado de um acordo homologado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que prevê, em lugar da devolução do terminal ao governo pela atual concessionária, a realização de um novo leilão com condições mais alinhadas aos modelos de concessões aeroportuárias realizadas recentemente no Brasil. O objetivo é reequilibrar economicamente o contrato original.
Entre as novidades do novo contrato estão a substituição dos pagamentos fixos de outorga por uma contribuição variável de 20% sobre o faturamento bruto, aliviando o caixa da concessionária vencedora. Também foi excluída a obrigação contratual anterior de construir uma nova pista, o que exigiria pesados investimentos, adequando a operação à realidade de demanda atual.
O contrato também inclui compensação financeira ao Galeão caso o Santos Dumont ultrapasse limites de número de vôos, fortalecendo o terminal da Ilha do Governador como ‘hub’ internacional. Além disso, litígios bilionários entre a concessionária e a União serão extintos, garantindo estabilidade e segurança jurídica para a entrada de uma nova administradora ou continuidade da atual (Changi/Vinci).
A concessão do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) foi colocada em leilão inicialmente em 2013, no auge do otimismo com o turismo no Rio de Janeiro, antes da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, em 2014 e 2016, respectivamente. Mas enfrentou dificuldades com a crise econômica do país, que se transformou em recessão em 2014. Depois da pandemia, que afetou todo o setor aéreo global, o momento é de recuperação do setor. No ano passado, o Galeão se consolidou como o terceiro mais movimentado do país.
O anúncio da cia. aérea Gol, de que a partir do segundo semestre deste ano terá seu ‘hub’ internacional no terminal carioca, com voos para Nova York, Paris, Lisboa e Orlando, é um novo gatilho para aumentar o movimento no terminal.
O consórcio RioGaleão é formado pela gestora brasileira Vinci Compass e pela Changi, operadora de Cingapura.
Por dados da RioGaleão, no ano passado, o Galeão bateu recorde de passageiros no período de 10 anos (desde 2015) , com 17.906.990 passageiros, com alta de 23,6% sobre o volume de 2024 – de 14.491.894 passageiros, que por sua vez teve alta expressiva de 82,4% sobre o volume de 2023 – de 7.946.244 passageiros -, após a imposição de limitação de operações dos serviços do transporte regular doméstico no Santos Dumont, pelo governo federal (MPOR), migrando vôos para o Galeão, a partir de agosto de 2023. O volume de passageiros em 2023 (de 7.946.244) foi uma alta de 34,8% sobre 2022, numa forte recuperação do período da pandemia.
Em 2019 (ano pré-pandemia), o volume de passageiros foi 14.005.453, o mínimo desde 2015 (16.942.229 passageiros).
O volume de 2025 – de 17.906.990 passageiros – é de alta de 42,1% sobre 2019 (ano pré-pandemia) e de 17,5% (máximo anterior do período de 10 anos). Na comparação de 2025 com 2019, com alta no volume total de 42,1%, o transporte doméstico teve alta de 27,3% e o transporte internacional alta de 29,2%. Na comparação 2025 e 2015, o transporte doméstico tem redução de 5,1% e o transporte internacional alta de 39,4%.
Pode-se constatar que, em 2025, os volumes parciais de 12.190.064 passageiros (68,1%) do transporte doméstico e de 5.716.926 passageiros (31,9%) do transporte internacional, versus 9.804.373 passageiros (67,7%) do transporte doméstico e de 4.687.521 passageiros (32,3%) do transporte internacional em 2024, com crescimento em 2025 de 24,3% do transporte doméstico e de 22% do transporte internacional, com alta de 23,6% no volume total.
Em período recente, nota-se que o transporte internacional tem crescimento – de 47,4% em 2023 sobre 2022, de 29,6% em 2024 sobre 2023, de 22% em 2025 sobre 2024.
O potencial do terminal é de mais de 37 milhões de passageiros/ano, uma capacidade permitindo um expressivo crescimento – de 107%.
Por dados da RioGaleão, no ano passado, o Galeão registrou 129.363 movimentos de aeronaves, sendo 94.821 aeronaves (73,3%) em vôos domésticos e 34.542 aeronaves (26,7%) em vôos internacionais, versus 109.394 movimentos de aeronaves, sendo 81.312 aeronaves (74,3%) em vôos domésticos e 28.082 aeronaves (25,7%) em vôos internacionais em 2024, com alta de 18,3% da movimentação total, de 16,6% da movimentação do transporte doméstico e de 23% da movimentação do transporte internacional.
Em período recente, nota-se que o transporte internacional tem crescimento – de 47,3% em 2023 sobre 2022, de 30,3% em 2024 sobre 2023, de 23% em 2025 sobre 2024.
A movimentação de 2025 – de 129.363 aeronaves – é de alta de 23,6% sobre 2019 (ano pré-pandemia) e uma diminuição de 2,6% (máximo anterior do período de 10 anos). Na comparação de 2025 com 2019, com alta na movimentação total de 23,6%, o transporte doméstico teve alta de 20,2% e o transporte internacional alta de 33,9%. Na comparação 2025 e 2015, o transporte doméstico tem redução de 11,3% e o transporte internacional alta de 33,4%.
Com dados do DECEA/CGNA, de movimentação de aeronaves, em 2022 o Galeão ficou na 16ª posição no ranking brasileiro, com 51.091 movimentos (SDU – 5ª posição, com 111.873 movimentos). Em 2023, o Galeão ficou na 11ª posição no ranking brasileiro, com 63.378 movimentos (SDU – 5ª posição, com 123.234 movimentos). Em 2024, o Galeão ficou na 6ª posição no ranking brasileiro, com 109.606 movimentos (SDU – 10ª posição, com 73.687 movimentos). Em 2025, o Galeão ficou na 4ª posição no ranking brasileiro, com 129.551 movimentos (SDU – 10ª posição, com 74.296 movimentos); 91% da movimentação é do transporte comercial, 7% da aviação geral e 3% da aviação militar. Foi registrado o máximo de operação por hora de 40 aeronaves. De acordo com DECEA/CGNA, o aeroporto tem capacidade de pista de 60 movimentos/hora.
