Analistas de mercado financeiro vislumbram preço do barril de petróleo em até US$ 200 por efeito do conflito EUA-Israel com Irã e grande impacto na aviação, em 31.03.26
Em postagem no dia 31 na plataforma online da AIN, Curt Epstein, editor de serviços da aviação executiva da mídia, repercutiu os temores do mercado para a disparada dos preços do petróleo, com efeitos diretos nos preços de combustíveis da aviação.
Epstein noticia que, com o aumento do preço do petróleo em resposta ao ataque do EUA e de Israel ao Irã, e com o conflito já durando mais de um mês, analistas do Macquarie Group (banco de investimento e provedor de outros serviços financeiro australiano) alertam que o preço do barril tem 40% de chance de chegar a US$ 200 se o conflito se estender até junho. Para produtos derivados de petróleo, como o querosene de aviação, os preços podem subir ainda mais, afirmaram estes analistas.
De acordo com relatório da instituição financeira, o conflito resultou no bloqueio do acesso a 13% da oferta global de petróleo no estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.
O tráfego marítimo pelo Canal de Ormuz, que normalmente transportava um quinto das remessas globais de petróleo por via marítima antes do conflito, praticamente parou desde o início da guerra em 28 de fevereiro.
“O impacto atual na oferta já é maior do que o pico de qualquer um dos choques do petróleo da década de 1970 ou das duas primeiras Guerras do Golfo”, apontaram os analistas do Macquarie.
“Hipótese: se o petróleo bruto atingir US$ 200 por barril, estaríamos falando de um aumento de US$ 90 por barril no custo desse produto. Nesse cenário – em um nível bem básico – podemos esperar que o preço do querosene de aviação suba pelo menos US$ 2,25 por galão, senão mais”, disse Muneeb Ahmed, diretor de trading e logística da Avfuel (distribuidora de combustível global), para a AIN, acrescentando que isso poderia elevar os preços do querosene de aviação no atacado para mais de US$ 7 por galão. “É claro que existem muitas nuances que influenciam o preço do querosene de aviação, incluindo frete, locais de fornecimento, impostos, taxas de abastecimento e muito mais”, acrescentou Ahmed.
Para os provedores de aeronaves compartilhadas e fretadas, o aumento nos preços do combustível resultou em custos mais altos para os clientes, com operadores como a Jet Linx instituindo uma sobretaxa de combustível.
“Dada a natureza variável dos custos de combustível, no início de cada mês, atualizamos nosso Ajuste de Componente de Combustível com base no preço médio por galão naquele momento”, explicou um porta-voz da Flexjet para a AIN. “Embora o ajuste mensal reflita as pressões atuais do mercado, o modelo não aplica sobretaxa em períodos de alta de preços”.
Consultada pela AIN, a NetJets declinou a comentar imediatamente.
Embora o EUA possua reservas de petróleo robustas no curto prazo, países ao redor do mundo com menor capacidade produtiva já estão sentindo o impacto.
“O grande problema com o querosene de aviação [JET-A] na Europa atualmente é a confiabilidade do fornecimento”, disse para a AIN um executivo europeu do setor de combustíveis que preferiu não ser identificado. “A maioria dos fornecedores reserva seu combustível para as companhias aéreas e não está interessada em abastecer a aviação executiva”, completou o executivo.
O combustível de aviação sustentável (SAF) tem um custo por galão mais alto do que o JET-A convencional. Alguns questionam se, caso o petróleo atinja o patamar de US$ 200 por barril, o SAF – que pode ser misturado ao JET-A derivado de petróleo em proporções atualmente aprovadas de até 50% – poderia de fato alcançar a paridade de preços.
“É possível que os preços premium do SAF caiam um pouco, mas, considerando a dinâmica do mercado de SAF e o fato de que o SAF ainda representa apenas uma pequena parcela do consumo de combustível de aviação, não acreditamos que o preço do SAF será muito afetado no curto prazo”, avaliou Ahmed. [EL] – c/ fonte
